Fonte: CUT
Governo prepara ofensiva publicitária enganosa para dizer à
população que a reforma da Previdência vai corrigir distorções e combater
privilégios. Uma grande mentira
Jair Bolsonaro (PSL) e sua equipe devem utilizar as mesmas
técnicas usadas durante a campanha para a Presidência da República, as fakes
news (notícias falsas), além de métodos publicitários mentirosos e ardilosos
para que a população acredite que a reforma da Previdência é necessária e que
sem ela o país vai quebrar.
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O próprio Bolsonaro deverá apresentar a proposta da “Nova
Previdência”, em rede nacional de rádio e TV, no próximo dia 20 (quarta-feira),
iniciando a campanha de comunicação em defesa das novas regras que, na verdade,
dificultam o acesso dos trabalhadores e trabalhadoras à aposentadoria e reduzem
o valor dos benefícios que serão pagos pelo INSS.
A proposta prevê a obrigatoriedade de idades mínimas para
aposentadoria de 65 anos para os homens e 62 para as mulheres e uma regra de
transição de apenas 12 anos, o que prejudica mais os trabalhadores e as
trabalhadoras, em especial os que ganham menos, têm uma expectativa de vida
mais baixa, entram no mercado de trabalho mais cedo e em profissões que exigem
mais esforço físico.
Para defender essa proposta, a campanha publicitária que
está sendo preparada vai dizer que a reforma de Bolsonaro vai acabar com as
desigualdades - uma mentira de acordo com especialistas e economistas - e que
para isso é preciso cortar na carne. A peça publicitária vai focar no combate
aos privilégios, outra mentira, já que só atinge o Regime Geral da Previdência
Social (RGPS), onde não existem privilégios.
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O publicitário Renato Monteiro, especialista em marketing
político, acredita que ao aparecer nas rádios e televisão defendendo sua
proposta, Bolsonaro assume o posto de garoto propaganda da campanha
publicitária da reforma, aproveitando a confiança que a população ainda tem
nele. Ao contrário do ilegítimo Michel Temer (MDB), que não conseguiu aprovar a
sua proposta, pois não tinha o apoio da maioria da população.
- O que chama a atenção é Bolsonaro dizer que não gostaria de fazer a reforma da Previdência, mas que ela é necessária. Ao dizer isto, ele se coloca como humilde, popular, que dói nele essa situação, mas o país está quebrado e é preciso cortar privilégios
- - Renato Monteiro
“Assim, Bolsonaro se aproveita da sua popularidade e da
confiança da população, apesar dos recentes escândalos envolvendo seus filhos e
membros da sua equipe de governo”, analisa o publicitário, se referindo às
denúncias contra o senador Flávio Bolsonaro que estão sendo investigadas pelo
Ministério Público.
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Essa tese de Renato Monteiro se enquadra nas “10 Estratégias
de Manipulação de Massas”, de Noam Chomsky , linguista, filósofo e ativista
político norte-americano, chamado de o “pai da linguística moderna”.
Na estratégia nº 4, a “Estratégia do Deferido”, Chomsky diz
que os governos e as elites, para manipular as massas, apresentam uma decisão
impopular como dolorosa, mas necessária de aplicação futura. É o sacrifício
futuro - Bolsonaro diz que a transição da reforma levará 12 anos.
Segundo o linguista, a população tem a tendência de pensar
ingenuamente que tudo será resolvido, tudo vai melhorar amanhã, que o
sacrifício exigido não chegará.
AS 10 ESTRATÉGIAS DE MANIPULAÇÃO DAS MASSAS Por NOAM CHOMSKYResumo Animado
O publicitário, que já coordenou campanhas de candidatos a
Assembleias Estaduais, Câmara Federal e Senado, analisa ainda que, Bolsonaro,
com um governo autoritário, deverá contar com todo o arsenal da base
conservadora e reacionária do Congresso.
“Com certeza será ali, no Congresso, que ele utilizará todo
o seu arsenal e passará o seu rolo compressor. Mas, também não está descartada
a hipótese de Bolsonaro aproveitar essa campanha publicitária para fazer “as
pazes” com a mídia, após ameaçar cortar verbas públicas de algumas emissoras de
TV e jornais contrários a ele”, diz Renato.
Para o secretário de comunicação da CUT Roni Barbosa, a
propaganda da reforma da Previdência será uma fake news e ele espera que a
população não compre essa ideia porque é um equivoco. A reforma na verdade
prejudica os mais pobres e não acaba com privilégios. Servirá apenas para
aumentar a miséria.
- A dignidade na velhice será uma exceção. O Brasil no futuro terá poucos aposentados, se essa reforma for aprovada
- - Roni Barbosa
Reforma não acaba com desigualdade
Quanto ao foco da campanha publicitária que vai falar no fim
das desigualdades, Renato Monteiro acredita que, com esse enfoque, Bolsonaro
fará um apelo emocional dizendo que quer tirar o país da crise econômica.
Ele se baseia nas informações vazadas pela imprensa e um dos
discursos que vêm sendo construído pela equipe governamental é o ataque à
aposentadoria por tempo de contribuição, que é de 35 anos para homens e 30 para
mulheres.
Segundo os jornais, a peça publicitária vai afirmar que o
modelo atual de Previdência beneficia mais os trabalhadores de renda mais alta
e de emprego formal por mais tempo, cujo valor do benefício é maior. Segundo
eles é, em média, de R$ 3.051,52, como se este valor fosse o salário de um
marajá.
Bolsonaro não leva em conta os cálculos do Dieese de que o
valor do salário mínimo para uma família de quatro pessoas este ano deveria ser
de R$ 3.928,73, portanto acima da média dos benefícios pagos aos “privilegiados”.
“Se o governo citar números vai se contradizer. Há muitos
argumentos e dados contrários, como os da
CPI da Previdência que mostrou que não há déficit. Creio que a melhor
estratégia para a oposição é desmontar os argumentos do governo número a número,
racionalizando o debate”, diz Renato Monteiro.
Sobre os números da Previdência não serem favoráveis ao
governo, a técnica do Dieese da subseção da CUT, Adriana Marcolino, concorda.
Segundo ela, o governo esconde que os trabalhadores de renda mais alta entram
mais tarde no mercado de trabalho, depois de terminar a faculdade, em alguns
casos depois do mestrado e doutorado, em ocupações menos penosas e ainda se
aposentarão com a mesma idade dos mais pobres, que começam a trabalhar mais
cedo em tarefas mais duras.
“Isso pode parecer uma boa ideia para países europeus onde
as desigualdades sociais são menores. No Brasil, é mais uma política que
reforça desigualdade, atrasa ou impede o benefício”, diz Adriana sobre a
proposta de reforma de Bolsonaro.
- Possivelmente os mais pobres morrerão antes de se aposentar
- - Adriana Marcolino
Já Roni Barbosa acredita que a proposta de reforma, ao
contrário do que diz Bolsonaro, irá retirar direitos e piorar a vida dos mais
pobres e daqueles que têm que começar a trabalhar muito cedo.
Segundo o dirigente, o governo não vai efetivamente combater
a desigualdade. Pelo contrário, irá reforçar as diferenças de renda entre os
brasileiros.
“Bolsonaro pretende socializar a miséria e não vai mexer nas
castas que deveriam ser mexidas. O governo deveria elevar o piso da
aposentadoria e não fazer o contrário, prejudicando os mais pobres e quem entra
no mercado de trabalho mais cedo”, diz Roni.
O secretário de comunicação lembra que a proposta de
Bolsonaro de capitalização é semelhante a de países como Peru, México, Chile eColômbia, que já não deram certo.
“Nesses países os aposentados recebem menos que o salário
mínimo local, e seus governos estão sendo obrigados a rever seus sistemas.
Bolsonaro quer que o Brasil vá exatamente para um caminho que já deu errado e
ainda vai investir uma fortuna em uma campanha para enganar a classe
trabalhadora”, afirma.
“Vamos fazer o nosso papel como dirigentes sindicais, vamos
combater a reforma porque é ruim para a classe trabalhadora e vamos deixar
claro para os trabalhadores e as trabalhadoras todos os pontos obscuros e
mentirosos da campanha publicitária de Bolsonaro”, conclui o dirigente.
Em entrevista ao canal Duplo Expresso, Fattorelli fala sobre
a imoralidade da PEC da Reforma da Previdência, que o governo quer aprovar
ainda no primeiro semestre.
"O governo não considera todas as fontes, o governo
libera determinados setores de contribuir (INSS), o governo dá a
"mordida" da DRU, governo não faz investimento na cobrança das
contribuições e ainda mantém essa legislação que incentiva a sonegação".
O Brasil quando Lula era presidente— Dilma Resistente (@DilmaResiste) 19 de fevereiro de 2019
Sobrava dinheiro. Quem quebrou o país foi a direita extrema com seu insano ódio contra o pobre. Ainda bem que existe a internet para nos lembrar dessas coisas.
Na íntegra >> https://t.co/PQJFI4edR6#Resistencia317Dias pic.twitter.com/WDwOoKkbsW
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