Minas 247 – Mesmo sendo um dos políticos mais citados por
delatores da Lava Jato (saiba mais aqui), o senador Aécio Neves PSDB-MG se
sentiu à vontade para falar sobre a operação, numa entrevista ao jornalista
Pedro Venceslau (leia aqui), em que defendeu a anistia ao caixa dois pretérito,
se disse inocente das acusações que sofre e sugeriu, nas entrelinhas, a prisão
do ex-presidente Lula.
"Em relação especificamente ao caixa 2, eu defendo a
criminalização. O equívoco lá atrás foi tentarem aprovar algo sem uma discussão
mais ampla. Os casos passados vão acabar sendo diluídos pelos tribunais",
disse ele.
Como criminalizar para frente significa anistiar o passado,
Aécio foi questionado pelo jornalista e saiu pela tangente. "Isso não
chegou ainda na Câmara. Só quando conhecermos o texto é que veremos se houve
excessos."
Sobre o fato de ter sido delatado pelo ex-senador Delcídio
Amaral, Aécio questionou o teor das acusações. "As citações feitas pelo
senador Delcídio estão sendo investigadas e, estou certo, serão arquivadas por
serem absurdas e sem o mínimo indício que possa comprová-las", disse o
presidente nacional do PSDB.
Ele também negou que o empresário Oswaldo Borges, seu
tesoureiro informal, acusado por empresários, como Léo Pinheiro, da OAS, de
cobrar propina de 3% nas obras da Cidade Administrativa de Belo Horizonte,
tenha cometido ilícitos."O sr. Oswaldo Borges é um conhecido empresário
mineiro que atuou formalmente na captação de recursos de várias campanhas do
PSDB, inclusive na última campanha presidencial, o que é de conhecimento
público e, como afirmou o próprio ex-presidente da Andrade, a relação se deu de
forma absolutamente legal e sem qualquer contrapartida, como ele próprio
disse", afirmou Aécio, sem comentar as acusações da OAS.
Sobre prisões de políticos, ele fez um reparo ao que ocorreu
com seu amigo Sergio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, que o apoiou em
2014, mas sugeriu nas entrelinhas a prisão do ex-presidente Lula.
"Não conheço o caso. Mas temos de ter cuidado para que
a prisão não seja a primeira etapa de um processo", afirmou, ao se referir
a Cabral.
Sobre Lula, o posicionamento foi distinto. "Não torço
pela prisão do Lula, mas para que a Justiça seja feita. A prisão dele não me
traria alegria, mas eu não preocuparia com as consequências."
Aécio também defendeu a volta do financiamento privado de
campanhas, raiz de todos os escândalos de corrupção recentes, e disse que, do
jeito que está, não dá pra continuar.
Sobre o processo no TSE, aberto pelo PSDB, para pedir a
cassação da chapa Dilma-Temer, ele deu a entender que defende a separação dos
casos, para que Temer continue no poder até 2018. "Eu, pessoalmente, penso
que a responsabilidade do presidente Temer não é a mesma da Dilma", disse.
Relembre, abaixo, o que alguns delatores disseram sobre
Aécio.
Na primeira, o doleiro Alberto Youssef aponta Aécio como o
mentor intelectual de um mensalão em Furnas, que distribuía mesadas de US$ 100
mil a parlamentares – entre eles, o finado José Janene, que foi sócio de
Youssef. Asssista aqui:
Na segunda delação, o lobista Fernando Moura afirma que um
terço da propina em Furnas era destinada ao líder da oposição:
Na terceira, o entregador de propinas "Ceará" diz
que Aécio era "o mais chato" cobrador das entregas de recursos da
empreiteira UTC:
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