500 mais

NOSSO FIEL COMPROMISSO COM A VERDADE

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Segurança mata jovem com ‘gravata’ em supermercado ‘Extra’ no RJ






Um rapaz de 19 anos de idade morreu após levar um ‘mata-leão’ de um segurança de um hipermercado no bairro da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro (RJ), na última quinta-feira, 14.

Nas imagens que circulam nas redes sociais, o vigilante está em cima do jovem aplicando o golpe, mesmo depois de o homem estar aparentemente desacordado. É possível ouvir pessoas no entorno tentando convencer o segurança a liberá-lo, mas ele não atende aos pedidos e continua sufocando o rapaz.

“Está sufocando”, gritou uma mulher. Outro cliente disse que o suspeito estava roxo. O segurança, por sua vez, mandou: “Cala a boca”. O rapaz morreu no Hospital Lourenço Jorge, na Barra, instantes depois.

De acordo com o “G1”, representantes do mercado afirmaram que a vítima foi imobilizada após tentar tomar a arma de um segurança.


 Em nota, a Secretaria da Polícia Militar confirmou a agressão e divulgou nota:

“A Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que equipes do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) foram acionadas para uma ocorrência onde um homem e seguranças de um supermercado, situado na Av. das Américas, entraram em luta corporal durante a tarde desta quinta-feira (14/2). Chegando ao local, o envolvido já havia sido socorrido pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. As partes ainda presentes foram conduzidas à 16ª DP (Barra da Tijuca) para apreciação dos fatos”.

Já o Extra Supermercado, franquia onde aconteceu o crime, informou que os seguranças envolvidos no caso foram afastados.

“A rede esclarece que repudia veemente qualquer ato de violência em suas lojas. Sobre o fato em questão, a empresa já abriu uma investigação interna e constatou de forma inicial que se tratou de uma reação a tentativa de furto a arma de um dos seguranças da unidade da Barra da Tijuca. Após o indivíduo ser contido pelos seguranças, a loja acionou a polícia e o socorro imediatamente. A empresa já abriu um boletim de ocorrência e está contribuindo com as autoridades para o aprofundamento das investigações”, anunciou.








*** 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

“SE EU CAIR, BOLSONARO CAI JUNTO”, DISSE BEBIANNO A JORNALISTA




247 - Humilhado publicamente pelo vereador Carlos Bolsonaro e pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, o ministro Gustavo Bebianno, secretário-geral da Presidência, mandou um recado direto aos que defendem sua demissão por conta do escândalo de candidaturas laranjas do PSL.


 Revista Forum - Ministro já havia alertado o governo: “Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado. É preciso ter um mínimo de consideração com quem esteve ao lado dele o tempo todo”



Ao que tudo indica, Gustavo Bebianno, ministro da Secretaria-Geral da Presidência, resolveu contra-atacar, após ser chamado de mentiroso por Carlos Bolsonaro, com apoio de seu pai, Jair. O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) tuitou uma ameaça de Bebianno ao presidente.






“Não sou moleque”


Depois disso, Bebianno voltou a falar em tom de ameaça sobre o presidente. Em entrevista à revista Crusoé, o ministro disparou: “Não sou moleque, e o presidente sabe. O presidente está com medo de receber algum respingo”.




Antes disso, Bebianno já havia enviado um recado ao governo. “Não se dá um tiro na nuca do seu próprio soldado. É preciso ter um mínimo de consideração com quem esteve ao lado dele o tempo todo”, afirmou, em conversa com interlocutores. “Não vou sair escorraçado pela porta dos fundos”, declarou Bebianno, de acordo com o jornalista Gerson Camarotti, da GloboNews.

Gleisi detona Michelle Bolsonaro e milicianos envolvidos namorte de Marielle






É Damares... O povo brasileiro tomou aonde primeira dama?




KAJURU REVELA ESCÂNDALO NO STF E CAUSA PÂNICO EM BRASÍLIA



***

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

INDÚSTRIA DE ARMAS, AGRONEGÓCIO, MINERADORAS E IGREJAS ESTÃO POR "TRAZ" DE BOLSONARO




Moro não responde sobre encontro com setor de armas e alega direito à privacidade


Ministro se recusa a dizer se teve ou não reunião com representantes da Taurus



 247 Apesar dos dados do TSE apontarem que a maior parte dos recursos da campanha do candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) vem de uma vaquinha virtual, que arrecadou R$ 904.558,00, valor quase três vezes maior que os R$ 334.750,24 repassado pelo seu partido, o  professor e filósofo Paulo Ghiraldelli, diz que os verdadeiros financiadores são "o minério, a indústria da bala e os parlamentares que os representam, associados aos ruralistas, mais a indústria da fé"; "Nunca forças tao retrógradas conseguiram fazer um candidato", ressalta

Minério, Boi, Bala, e Igrejas financiam Bolsonaro




Rede Brasil Atual Mineradoras, agronegócio, armas e 'indústria da fé' bancam Bolsonaro
Para o filósofo Paulo Ghiraldelli, se o candidato for eleito terá apoio do Congresso dominado por esses setores. Haverá aumento da violência no campo e a deterioração ambiental, possivelmente irreversível


Quem se beneficia com plano de instalar fábrica de armas dos EUA no país?


Quem se beneficia com plano de instalar fábrica de armas dos EUA no país?
Representantes da fornecedora de armas dos EUA, Sig Sauer, se reuniram com a Secretária Nacional de Segurança Pública para tratar da abertura de uma fábrica no Brasil até 2020. A Sputnik Brasil conversou com o ex-chefe da PMERJ, Robson Rodrigues, sobre os impactos dessa proposta para a segurança pública.


Licença para matar e MST fora da lei: Bolsonaro e Moro podem entrar em rota de colisão?


Já conhecido pela Operação Lava Jato, o agora futuro ministro Sergio Moro terá que se entender com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL). A Sputnik Brasil conversou com um sociólogo e um cientista político para analisar como serão os próximos dias de Moro em Brasília e como funcionará sua proposta de segurança pública.

Com 62.517 homicídios em 2016, o Brasil registra taxas de violência consideradas epidêmicas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). E Bolsonaro foi identificado pela população como o presidenciável que saberá resolver esse quebra cabeça. Segundo pesquisa Datafolha publicada em 19 de outubro, 17% dos eleitores do ex-capitão do Exército o escolheram por conta de suas propostas para a segurança.

Bolsonaro elogia grupos de extermínio em 2003




BOLSONARO DIZ  APOIARÁO EXTERMÍNIO DOS SEM TERRA PELOS FAZENDEIROS



***

Produtor da BBC: vídeo de vítimas de ataque químico na Síria foi encenado






Riam Dalati, produtor da rede de comunicações britânica BBC, afirmou nesta quarta-feira, 13, que o vídeo apresentando vítimas do suposto ataque químico na cidade síria de Douma, em abril de 2018, foi encenado.

Rússia declara que ataque químico na Síria foi encenação debritânicos | SBT Brasil




Em declarações no seu Twitter, o jornalista explicou que realmente houve um ataque na região, mas que nenhum composto sarin teria sido usado e seria preciso esperar a conclusão de investigações levadas a cabo pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) para saber se o cloro ou outra substância estaria presente. Segundo ele, todo o restante em torno desse evento teria sido "fabricado" para obter um "máximo efeito" de propaganda.



 "Depois de quase 6 meses de investigações, eu posso provar sem qualquer dúvida que a cena do Hospital de Douma foi encenada. Nenhuma fatalidade ocorreu no hospital", disse ele. "Todos dos Capacetes Brancos, ativistas e pessoas com as quais eu falei estão ou em áreas de Idlib ou do Escudo de Eufrates. Apenas uma pessoa estava em Damasco."

O polêmico vídeo em questão foi publicado pelo grupo conhecido como Capacetes Brancos, fundado pelo mercenário britânico James Le Mesurier, pouco depois do ataque em Douma, nos arredores de Damasco. A filmagem mostra adultos e crianças, supostos moradores da região, sendo tratados em um hospital local. Segundo Dalati, um dos responsáveis pela gravação seria o médico Abu Bakr Hanan, filiado ao grupo rebelde Jaysh Al-Islam.

"A narrativa era de que 'não havia médicos suficientes', mas havia um filmando e não participando dos esforços de resgate."



 ​"A Rússia e pelo menos um país da OTAN sabiam o que tinha acontecido no hospital. Documentos foram enviados. No entanto, ninguém sabia o que realmente acontecia nos apartamentos além dos ativistas que manipulavam a cena. Por isso, a Rússia se focou apenas em desacreditar a cena do hospital."


Os relatos sobre o ataque e a publicação das filmagens pelos Capacetes Brancos foram seguidos de ataques com mísseis realizados por França, Reino Unido e Estados Unidos, contra supostas instalações de produção de armas químicas em Damasco, embora o governo sírio tenha negado inúmeras vezes qualquer participação no incidente em Douma.

Para o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, as alegações sobre o suposto uso de produtos químicos tóxicos pelo governo sírio teriam como objetivo justificar a ação militar externa contra Damasco. Além disso, antes do incidente em Douma, as Forças Armadas russas já haviam alertado sobre uma provocação que estaria sendo preparada na cidade síria por militantes extremistas.

Netanyahu confirma recente ataque de Israel contra a Síria




O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu confirmou que Israel lançou um ataque contra a Síria em 11 de fevereiro.

  • "Operamos todos os dias, inclusive ontem [11 de fevereiro] contra o Irã e seus intentos de se entrincheirar na região", afirmou Netanyahu.

O Irã "está lançando ameaças contra nós. No 40º aniversário de sua revolução ameaçou destruir Tel Aviv e Haifa. Disse que não conseguiriam e que, se o tentarem, será o último aniversário que celebram", afirmou o primeiro-ministro israelense.

Irã precisa de 'menos de 12 minutos' para assumir controledo Oriente Médio, diz general





A mídia estatal síria informou na segunda-feira (11) de que os mísseis lançados por tanques israelenses alcançaram um hospital demolido e um posto de observação na província de Quneitra, no sul da Síria, perto da fronteira com Israel.

  • "Estamos operando constantemente de acordo com as nossas avaliações e precisamos de evitar que o Irã e seus satélites posicionem bases perto da nossa fronteira norte ou na nossa zona. Fazemos o que é necessário", assinalou Netanyahu na base naval em Haifa.
O ataque de segunda-feira foi dirigido, segundo a mídia israelense, contra as forças do Hezbollah, movimento libanês considerado terrorista por Israel, para o afastar da fronteira israelense.


Se referindo ao Irã, Netanyahu declarou que Israel está "operando através de muitos meios e elementos diferentes contra seus intentos de obter armas nucleares e mísseis balísticos" e de "se entrincheirar na Síria".

Segundo ele, as relações de Israel com outros países do Oriente Médio "são muito boas", exceto com a Síria.

Israel ataca periodicamente a Síria. A última vez foi em janeiro do ano corrente, quando a parte israelense comunicou ter lançado ataques contra armazéns iranianos na Síria e vários sistemas de defesa antiaérea, que abriram fogo contra os aviões que participaram do bombardeio. A ação, a mais devastadora desde maio do ano passado, foi considerada pelos militares israelenses como resposta a uma tentativa registrada na véspera de lançar foguetes contra as colinas de Golã.



Síria: encontrar arsenal de fabricação israelense eamericano com terroristas




O Exército Árabe Sírio encontrou armas da OTAN em um depósito de abandonado pelo Estado Islâmico (EI) na cidade de Mayadin, no leste do país







Donald Trump, In the Flesh, Live from The Wall (Pink Floyd,The Wall Parody)



***

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

General brasileiro integrará Exército dos EUA para barrar 'ameaças' da Rússia e China






As Forças Armadas brasileiras vão indicar até o fim deste ano um general para assumir um posto no Comando Sul (SouthCom) das Forças Armadas norte-americanas, informou o almirante Craig Faller, que comanda divisão voltada à segurança americana na América Central, Caribe e a América do Sul.

China-Russia Military Alliance: D-Day - China-Rússia AliançaMilitar: O Dia D




A informação foi prestada pelo militar estadunidense no último dia 7 de fevereiro, em uma audiência na Comissão de Forças Armadas do Senado dos Estados Unidos. Se confirmada, será a primeira vez que o representante militar do Brasil ocupará o posto, integrado ao Exército daquele país.


  • "Até o fim do ano o Brasil enviará um general para servir como vice-comandante de interoperabilidade do Comando Sul", declarou Faller durante a audiência, mencionando ainda  que o Brasil foi o primeiro signatário da América Latina do acordo para uso pacífico do espaço ("Space Situational Awareness Agreement").

A audiência gerou um documento de 20 páginas, nas quais Faller relata o incremento das parcerias no Cone Sul com a Colômbia (primeiro país latino-americano na OTAN) e com o Chile (do maior exército de guerra marítima do mundo – "Rim of the Pacific"). A meta é incrementar a segurança dos EUA.

"Queremos inimigos que nos temam e amigos que façam parceria conosco", declarou o almirante aos senadores norte-americanos. No total, Faller listou seis países como ameaças aos interesses dos EUA: Rússia, China, Irã e os seus "aliados autoritários" Cuba, Nicarágua e Venezuela.


Segundo o almirante, tanto Rússia quanto a China "estão expandindo sua influência no Hemisfério Ocidental, muitas vezes à custa dos interesses dos EUA".
  • "[A] Rússia continua a usar a América Latina e o Caribe para espalhar desinformação, coletar informações sobre os Estados Unidos e projetar poder", declarou, acrescentando que o envio de bombardeiros à Venezuela "foi planejado como uma demonstração de apoio ao regime de [Nicolás] Maduro e como uma demonstração de força aos Estados Unidos".

Já a China é acusada de realizar empréstimos da ordem de R$ 150 bilhões "predatórios e não transparentes", o que o almirante entende que muitos países já perceberam como uma "ameaça que é hipotecar o seu futuro" para Pequim. Faller disse temer pela expansão do uso de tecnologia chinesa na região.

"Se governos da América Latina e do Caribe continuarem a usar sistemas chineses de informação, nossa habilidade e capacidade de compartilhar informações em rede será afetada", complementou.

Sobre o Irã, o militar dos EUA mencionou uma ação recente na qual autoridades brasileiras teriam prendido um membro do grupo xiita libanês Hezbollah no país. Ainda sobre o Brasil, Faller adiantou que militares brasileiros participarão de exercícios conjuntos com forças dos EUA.


  • "O Brasil se unirá ao SPMAGTF (Grupo de Trabalho Ar-Terra para Fins Especiais da Marinha) este ano, além de liderar nosso exercício naval multinacional UNITAS AMPHIB", revelou.

"Com base nessa iniciativa, estamos trabalhando com aliados e parceiros para desenvolver um conceito para uma força-tarefa multinacional capaz de agir em diferentes escalas e que trabalha dentro das estruturas de cooperação de segurança existentes para melhorar nossa capacidade coletiva de responder rapidamente às crises", completou Faller.

A audiência do militar dos EUA no Senado, porém, gerou reações em Brasília. Ao jornal Valor Econômico, o Ministério da Defesa confirmou o ineditismo da indicação de um general brasileiro para o Comando Sul das Forças armadas norte-americanas. Contudo, a pasta reforçou que isso não significa que o Brasil se engajaria em uma intervenção militar na Venezuela, cogitada pelo presidente estadunidense Donald Trump.

Maduro: "Nós nos tornaremos o novo Vietnã contra oimperialismo" se os EUA Ataques Venezuela




Maduro anuncia oficialmente o maior exercício militar dahistória da Venezuela





O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou oficialmente neste domingo a realização dos exercícios militares de maior escala do país, de acordo com uma transmissão ao vivo do evento.

Antes do início dos exercícios, o presidente chegou ao estado de Miranda, no norte do país, para averiguar equipamentos militares, incluindo lançadores de foguetes fabricados na Rússia, usados pelas Forças Armadas da Venezuela.



Os exercícios militares durarão até o dia 15 de fevereiro e serão os maiores e mais importantes 
exercícios já realizados por Caracas em 200 anos de história, segundo Maduro.
A situação política na Venezuela se agravou após 23 de janeiro, quando Guaidó se declarou presidente interino do país e foi imediatamente reconhecido pelos Estados Unidos, Canadá e outros aliados dos EUA, dentre eles Brasil.

Rússia, México, China, Turquia, Uruguai e vários outros países se manifestaram reafirmando apoio a Maduro como o único legítimo chefe de Estado democraticamente eleito do país.


***  

Odebrecht deu R$ 30 milhões ao Mineirinho






Delator aponta à PF reuniões sobre pagamentos a ‘Mineirinho’


Em depoimento que citou o deputado federal Aécio Neves ( PSDB-MG ), o ex-gerente de Recursos Humanos da Odebrecht Ênio Augusto Pereira e Silva, um dos delatores da Operação Lava Jato, afirmou à Polícia Federal que o ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Henrique Valladares se reuniu com o ex-diretor de Furnas Dimas Toledo. Segundo o executivo, Henrique Valladares e Dimas Toledo se encontraram ‘para tratar a respeito de pagamentos’ para ‘Mineirinho’.

Ênio Augusto Pereira e Silva falou à PF em um inquérito que apura o suposto pagamento de R$ 30 milhões da Odebrecht para o tucano – R$ 28,2 milhões em dinheiro entregue em uma sala comercial em Ipanema, no Rio, e US$ 900 mil em pagamentos no exterior. O valor teria sido repassado para que Aécio Neves ‘influenciasse o andamento dos Projetos do Rio Madeira (Usinas Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia) atendendo aos interesse do grupo e da Andrade Gutierrez’.

Segundo os delatores da Odebrecht, Dimas Fabiano Toledo operou os pagamentos. Investigadores afirmam que ‘Mineirinho’ é o deputado Aécio.




 Neymar Jr declarando apoio a Aécio Neves



***

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

TV Record ignora critérios jornalísticos ao atacar crianças sem-terra




Por: Leonardo Fernandes Brasil de Fato


Reportagem divulgada neste domingo (10) é parcial, não ouve o outro lado e apresenta falhas na apuração



Causou revolta Bolsonaro ensinar criança de 3 anos a fazergesto de armas para "defender os cidadãos de bem''. Quem doutrina mesmo?




Uma reportagem veiculada no programa "DomingoEspetacular" da TV Record, emissora de propriedade do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, no último domingo (10), mostrou um alinhamento com o novo governo de Jair Bolsonaro (PSL) em sua batalha ideológica contra os movimentos populares, especialmente o Movimento dosTrabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Ignorando critérios éticos fundamentais para o exercício do jornalismo — como escutar o outro lado, a reportagem intitulada “A Polêmica dos Sem Terrinha” arremete contra as crianças do MST, filhos e filhas detrabalhadores rurais sem-terra. A matéria apresenta “especialistas” em direitos da criança, mas não entrevista qualquer representante de entidades oficiais de defesa da infância e juventude, menos ainda de integrantes do MST, como destaca Erivan Hilário, membro do setor de educação do movimento.

“O Brasil é referência de entidades promotoras e de defesa dos direitos das crianças e adolescentes, no entanto, nenhuma dessas entidades com reconhecimento internacional foi ouvida”.

Nesta segunda-feira (11), o MST divulgou nota na qual repudia o que chama de “ataque” da TV Record às crianças do sem-terrinha. No texto, o movimento afirma que “a Rede Record, ao disseminar mentiras, não leva em consideração critérios mínimos de apuração e imparcialidade, faltando, entre outras questões, com a ética jornalística”.

“Na nossa concepção, a reportagem se insere em um contexto maior, que é de criminalização do MST, sobretudo nesse momento em que vemos o avanço cada vez maior de práticas de exceção no nosso país e percebemos o alinhamento político-ideológico da emissora com o governo eleito. Trata-se, na verdade, de mais um capítulo no processo de criminalização dos movimentos sociais”, denuncia Hilário.

A reportagem especial, com quase 20 minutos de duração, utiliza imagens públicas do MST, e de veículos de informação que deram ampla cobertura ao 1º Encontro Nacional das Crianças Sem Terrinha, ocorrido entre os dias 23 e 26 de julho, em Brasília. Na narrativa montada pelo jornal, os “especialistas” questionam o suposto descumprimento do Estatuto da Criança e doAdolescente (ECA). Uma leitura que, segundo Hilário, é superficial e tendenciosa, tendo em visto que o MST é um dos principais garantidores do ECA nos territórios de reforma agrária, muitas vezes negligenciados pelo Estado.

“O ECA é de responsabilidade do conjunto da sociedade: do Estado, da família, dos movimentos sociais, ou seja, a reportagem pegou um aspecto da legislação e mesmo assim não aprofundou. Por exemplo, no ECA, diz que as crianças têm direito a políticas públicas sociais. No entanto, o que a gente vê em curso no país é exatamente o contrário. É a negação do direito das crianças à educação. Exemplo disso é fechamento de mais de 27 mil escolas no último período. Outro exemplo é que negam o artigo 53 do próprio ECA que trata do direito à educação, e que diz que o acesso à escola pública deve ser próximo à residência. No entanto, o que acontece é exatamente o contrário, é o fechamento de escolas no campo, em uma sistemática de negar o direito das crianças à educação”.

Segundo Hilário, não fosse a capacidade de organização das famílias camponesas, o que inclui as próprias crianças, muitas delas viveriam à margem de direitos, “sob o silêncio sepulcral” da mídia tradicional brasileira.

“O que nós fazemos é exatamente assegurar o direito das crianças o direito à terra, o direito à escola. Se existem hoje escolas públicas, gratuitas, municipais e estaduais, em territórios rurais, em assentamentos, se deve graças à organização dos trabalhadores e das próprias crianças, porque o protagonismo infantil é um dos direitos que está assegurado pelo ECA. Então, se não fossem as próprias crianças e suas famílias colocando a educação como direito, elas jamais teriam acesso à escola. E volto a afirmar, as escolas que estão em assentamentos são escolas públicas, gratuitas, sob responsabilidade dos estados ou municípios, com reconhecimento do MEC”.

Fonte ouvida pela matéria da TV Record acusa o MST de “estimular a violência” das crianças e praticar “lavagem cerebral”. “As crianças brasileiras estão submetidas sim à violência. À violência praticada por essa sociedade que lhes nega o direito à educação. À violência por essa sociedade que lhes nega a proteção. A gente entende que a criança é de responsabilidade da família e da coletividade, do assentamento e do acampamento. Violência é a fome que muitas crianças desse país estão submetidas. Essa é a principal violência. As crianças dos nossos assentamentos e acampamentos frequentam escola, tem seus espaços de lazer”, explica Hilário.


Erro de apuração


A reportagem questiona ainda a observação de critérios fundamentais para a realização do Encontro Nacional das Crianças Sem Terrinhano ano passado, o que, segundo Hilário, foi mais um erro grave de apuração do telejornal.

“Todo o encontro esteve baseado nas leis que regem a organização de encontros dessa natureza com crianças. Foi observada desde a autorização dos pais com reconhecimento em cartório, as crianças foram levadas na companhia de educadores, o encontro foi realizado com 1200 crianças e mais de 400 adultos com a tarefa de cuidá-las. Tínhamos UTI, posto médico no local, ou seja, nada do que fizemos foi contra a legislação em vigor, ao contrário, não fizemos isso somente para responder a uma questão legal, mas porque nós acreditamos que as crianças precisam ter seus direitos preservados, entre eles, a questão da proteção em sua integralidade. Tudo foi feito como manda a lei.”


O MST é um movimento social fundado na década de 1980, por trabalhadores rurais despossuídos de terra para o trabalho agrícola, e como uma forma de reivindicar do Estado a realização da reforma agrária. Muitas daquelas crianças sem-terrinha que passaram pelos espaços infantis do movimento, hoje são profissionais que contribuem no desenvolvimento dos territórios, lembra Hilário.

“Eu gostaria que eles pudessem falar com os advogados do MST que foram sem-terrinha, com os médicos que foram sem-terrinha. Que falassem com pessoas que hoje, formadas em universidades públicas, que eram sem-terrinha, e que hoje contribuem para o processo de desenvolvimento do assentamento”.


Reincidente


Não é a primeira vez que, por razões meramente ideológicas, a TV Record abre mão de critérios éticos fundamentais ao exercício do jornalismo para atacar o diferente. Em janeiro deste ano, a emissora foi condenada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), por realizar ataques a religiões de matriz africana em sua programação. O Ministério Público Federal demonstrou no processo que o conteúdo veiculado pela empresa se tratava de “intolerância religiosa em pleno espaço público televisivo contra as religiões afro-brasileiras”.

Por conta da condenação, a Record terá que dar direito de resposta em quatro programas de televisão com duração de 20 minutos cada, além de pagar uma indenização de R$ 300 mil para cada uma das entidades que ajuizaram a ação: o Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro-Brasileira (Itecab) e oCentro de Estudos das Relações de Trabalho e da Desigualdade (Ceert).

Uma das fontes consultadas pela reportagem é o promotor Munir Cury, do Ministério Público de São Paulo, que, supostamente, teria ajudado a construir o Estatuto da Criança e do Adolescente. Em sua rede social, Cury fez chamados a manifestações pelo impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Também em sua rede social, a chefe de reportagem que assina a matéria contra as crianças sem-terrinha, Renata Garofano, aparece fazendo campanha eleitoral para Jair Bolsonaro.

Reprodução/Facebook/Renata Garofano


Cuidado com as crianças


A TV Record editou o material audiovisual do MST e de veículos alternativos de imprensa, incluindo efeitos sonoros e visuais, que buscavam dar dramaticidade à narrativa e promover uma suposta compaixão pelas crianças. Mesmo tratamento não foi dado à notícia amplamente divulgada pela mídia brasileira e portuguesa no final de 2017, sobre uma investigação aberta pelo Ministério Público de Portugal para apurar uma suposta rede de tráficointernacional de crianças, que seria articulada pela Igreja Universal do Reinode Deus.

A TV portuguesa divulgou uma série de reportagens nas quais acusava o líder da igreja e dono da TV Record, Edir Macedo, de tráfico internacional de crianças. A defesa de Macedo negou as acusações e classificou o conteúdo jornalístico de “campanha difamatória, mentirosa”.

A reportagem do Brasil de Fato entrou em contato a Rede Record para comentar a divulgação da reportagem, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.






*** 

Jornalista Ricardo Boechat morre em queda de helicóptero





Boechat foi autêntico até quando reconheceu o erro pela má conduta numa disputa empresarial. 




Trabalhei com Ricardo Boechat no jornal O Globo. Ele era responsável pela Coluna do Swann, que mais tarde levaria seu nome, e eu, repórter na sucursal de São Paulo.

Um episódio define bem como era Boechat e o valor que dava à essência do jornalismo: a notícia, de preferência exclusiva.

Eu gostava de passar notas para a coluna de Boechat, que ele sempre publicava, com o devido crédito. Nunca tínhamos nos visto pessoalmente.

Um dia, ele veio a São Paulo e fez questão de me cumprimentar em público. “Quem é o Joaquim?”, perguntou ele, no meio da redação.

Apresentei-me e ele disse: “Obrigado pelas notas. Sem repórteres como você, o jornalismo acaba”, disse ele, exagerado.

Para mim, a fala define bem a paixão que move todo jornalista: a busca incansável pela informação inédita, que tenha relevância e atenda ao interesse público.

Mais tarde, troquei O Globo pela Veja e, oito anos depois, nos encontraríamos de novo na TV Globo, ele como colunista do Bom dia Brasil.

Quando Veja vazou o áudio com a conversa entre Ricardo Boechat e Paulo Marinho, braço direito do controverso empresário Nélson Tanure, foi uma decepção.

Por telefone, Ricardo Boechat leu para Paulo Marinho um texto que seria publicado em O Globo, com informações negativas para o concorrente de Tanure, Daniel Dantas.

“A matéria tá muito bem-feita, meu querido. Tá na conta. Não precisa botar mais p… nenhuma, não. O resto é como você falou: é adjetivação que você não pode colocar. (…)”, disse Paulo Marinho, hoje muito amigo de Jair Bolsonaro.

Boechat também havia orientado o chefe de Paulo Marinho, Nélson Tanure, sobre como se comportar num encontro com João Roberto Marinho, um dos donos do Globo.

Quando o áudio foi transcrito pela revista, Boechat explicou, publicamente, que seu interesse era pela notícia e, nesse trabalho, conversava com pessoas de todo tipo.

Ficou ruim, e ele foi demitido das organizações Globo depois de 31 anos na empresa. Em um artigo,  reconheceu que errou, mas não por dinheiro ou dolo.

“Cruzei a barreira da boa conduta profissional por um motivo tolo: vaidade. A vaidade de me supor em posição de prestígio nos dois maiores jornais de minha cidade (Tanure havia cobrado o Jornal do Brasil) cegou a autocrítica com que sempre procurei orientar minha atividade jornalística”, disse ele.

Alguns meses depois, foi para a TV Bandeirantes, mais tarde para a rádio Band News e, depois,  se tornou colunista da revista IstoÉ.

Na difícil tarefa de manter uma comunicação incessante com o público, Boechat já desagradou a direita e a esquerda.

Muitas vezes, falou demais, e chegou a reconhecer o exagero.

Mas seria desonesto se não reconhecesse em Boechat um jornalista autêntico no que diz respeito à busca pela notícia.

Ele era daqueles profissionais que, diante de uma informação importante, de preferência exclusiva, deixam transparecer o brilho nos olhos e seriam capazes de gritar:

“Parem as máquinas”.

Hoje, as máquinas pararam, para dar a notícia de sua morte.


Helicóptero cai sobre caminhão no Rodoanel, no quilômetro 7




Helicóptero com o jornalista Ricardo Boechat cai no Rodoanelcom a Rodovia Anhanguera





***