O jornalista Marcelo Auler elencou, em seu blog, os erros, mentiras e imprecisões na entrevista do delegado federal Maurício Moscardi Grillo, da Lava Jato, à Veja:
Ao comentar a não prisão de Lula, o delegado voltou a falar
– sem ser contestado – que a nomeação do
ex-presidente para a Casa Civil seria uma forma de obstruir a Justiça. Mesmo
nomeado ministro, Lula jamais se livraria das investigações. Elas apenas
passariam à responsabilidade do ministro do STF Teori Zavascki, o que a chamada
República de Curitiba quis evitar a todo custo. E conseguiu.
Episódio não esclarecido – O desmentido a Moscardi veio na
sua própria explicação do que ocorreu após divulgarem – ilegalmente – uma
conversa telefônica da presidente Dilma, gravada já quando a ordem judicial
tinha sido suspensa e tornada pública ilegalmente pelo juiz Sérgio Moro, sem
nenhuma consequência.
Não foi, ao contrário do que ele disse, a possível nomeação
de Lula para a Casa Civil que fez o
Zavascki avocar a investigação, impedindo, temporariamente, que a
investigação em Curitiba continuasse. Ou, pelo menos, esta não terá sido a
motivação principal. Mas sim o grampo ilegal – e sua posterior divulgação – da
conversa da presidente da República. Segundo o entrevistado, a decisão do
ministro do STF levou a Polícia Federal
a “perder o timing”. Em outras palavras, eles pretendiam prende-lo sob a
acusação de obstrução da Justiça, mas a acusação que valeu naquele momento,
deixou de valer depois. Como explicou, “hoje, os elementos que justificariam um
pedido de prisão preventiva (…) já não são tão evidentes como antes”.
Pelo que se sabe, a prova judicial não perece com o tempo.
Logo, se ela valia em uma época e deixou de valer meses depois, ela
simplesmente não existia. Não existia porque não havia evidências, por exemplo,
de que Lula estivesse querendo fugir do país, pressionasse testemunhas ou
buscasse atrapalhar as investigações. Ele apenas seria nomeado ministro e isto
levaria a investigação para o STF, mas não o livraria dela.
Moscardi foi apresentado como tendo 38 anos, 12 dos quais
como delegado federal. Não confere com a realidade. Ele ingressou no
Departamento de Polícia Federal (DPF) em 2006 – portanto, completou 11 anos de
carreira em 2016 (caso seu ingresso tenha ocorrido no início do ano). Só que
sua primeira função foi como Agente de Polícia Federal.
No cargo de delegado só foi empossado em julho de 2009, como
atestam seus colegas de trabalho: “Ele passou no concurso para delegado como
retardatário, fora das vagas do edital, como um dos últimos dos excedentes, e
ainda sob liminar da Justiça, pois foi reprovado no psicotécnico”. Na ponta do
lápis, ele tem sete anos e seis meses incompletos como delegado. Prova disso é
que ainda não atingiu o topo da carreira – delegado especial -, o que só deve
ocorrer em 2019, se completar dez anos na função.
O texto também o apresenta como coordenador da Operação Lava
Jato, função que jamais ocupou. Ou, pelo menos, no sentido que dá a entender a
revista: coordenador das investigações. Ele sempre teve um papel auxiliar.
Chegou a Curitiba, em 2014, removido do Acre, onde comandou a Operação G7.
Esta, mostrou-se totalmente fracassada, com a absolvição de todos os 21
acusados – e presos preventivamente – de supostas fraudes em licitação. A
sentença os absolvendo saiu dia 09 passado, como narramos, no último dia 12, em a imprensa que acusou, cala-se na absolvição. Sobre isso, nada comentou à Veja.
Nem lhe foi cobrado.
Na capital paranaense, inicialmente auxiliou a delegada
Daniele Gossenheimer Rodrigues, a esposa do delegado Igor Romário de Paulo
(Delegado Regional de Combate ao Crime Organizado – DRCOR), que chefiava o
Núcleo de Inteligência Policial (NIP).
Participou sim de algumas operações da Lava Jato – foi ao
aeroporto de Guarulhos acompanhar a prisão da doleira Nelma Kodama, efetivada
pelo delegado de São Paulo, Cássio Luiz Guimarães Nogueira. Chegou a tomar
alguns depoimentos, mas não era do núcleo central da investigação. Substituiu
Daniele por um tempo, na licença maternidade dela. Depois passou pela delegacia
Fazendária e pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), cuidando de
casos menores.
Em 15 de abril de 2014, surgiu sua grande oportunidade na
Superintendência do DPF ao ser nomeado presidente da Sindicância 04/2014
instaurada para investigar o grampo encontrado na cela de Alberto Youssef, no
final de março. Como tal, assinou, em 18 de agosto de 2014, relatório no qual
concluiu que o grampo estava desativado e era da época em que o traficante
Fernando Beira Mar esteve naquela custódia, em 2008.
Menos de um ano depois, um documento mostrou que o aparelho
que Moscardi disse que grampeara Beira Mar só chegou à Curitiba após o
traficante deixar a Superintendência. Ao atestar, falsamente, que o grampo não
funcionou, ele até propôs – sem ser atendido – que o doleiro Alberto Youssef
fosse investigado por denunciação caluniosa e fez constar ao final do
relatório: “O Departamento de Polícia Federal, como órgão de segurança pública
com atribuição constitucional, não está à mercê do oportunismo de criminosos.”
Mesmo tendo conquistado a confiança da cúpula da
Superintendência, Moscardi só obteve o primeiro cargo de chefia ao substituir,
na DRE, o delegado Rivaldo Venâncio. Inicialmente ele iria assumir apenas a
chefia do Grupo de Investigação Sensível (GISE), que se reporta diretamente à
Brasília, mas oficialmente é subordinado à DRE. Sua indicação foi motivo do
atrito entre o então chefe da Entorpecentes, Rivaldo, com o delegado Igor,
levando o primeiro a se exonerar do cargo. Com isto, Moscardi assumiu também a
chefia da repressão a entorpecentes, a partir da Portaria 734 do diretor de
Gestão de Pessoal, Luiz Pontel de Souza, em
13 de abril de 2015. Acumulou as duas funções. Mas, mesmo antes de ser chefe, logo depois de concluída a
sindicância 04/2014, e sem estar diretamente ligado à Lava Jato, ele desfilava
com o Range Rover Evoke blindado, do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto
Costa, apreendido pela Lava Jato, conforme três fontes diferentes confirmaram
ao blog. Deixou de usá-lo quando veio a publico a história do juiz federal do
Rio de Janeiro, Flavio Roberto de Souza, flagrado dirigindo um Range Rover de
Eike Batista que o juiz mandara apreender. Moscardi, depois, passou a usar uma
BMW apreendida com um traficante, o que fez até bem pouco tempo atrás. Hoje
utiliza uma Mitsubishi L200 Triton, cuja origem o Blog não conseguiu
identificar.
Os dois braços do DPF que ele passou a chefiar – DRE e GISE
– funcionam, em Curitiba, em um prédio no centro da cidade. Foi ali que
Moscardi, com verbas de origem jamais esclarecidas, fez uma grande reforma
instituindo várias mordomias, como o Blog denunciou em 11 de fevereiro de 2016
em Polícia Federal, sem verba para a luz, mas com mordomias. As reformas no
prédio que o dotaram de uma cozinha gourmet, churrasqueira e um bar, jamais
foram devidamente explicadas quer pelo DPF, quer pelo Ministério da Justiça.
Tampouco despertaram o interesse do MPF que, pela Constituição, exerce o
controle externo da Polícia Federal. Também Veja não se preocupou em
esclarecê-las com o delegado.
Foi por denunciarmos estas mordomias que Moscardi, seguindo
o exemplo da sua colega delegada Érika Mialik Marena, ingressou na Justiça
contra o Blog pedindo – e conseguindo inicialmente – a censura à nossa página e
indenização por danos morais.
Na entrevista a Veja, tal como Madalena arrependida – outra
expressão de origem bíblica – ele diz que foi um erro, arrependeu-se e retirou
a ação. Só não explicou – e nem foi cobrado disso – que não recorreu à Justiça
exercendo um direito de qualquer cidadão de contestar uma notícia. Ele, na
verdade, cometeu o que se chama de litigância de má fé, em uma tentativa de
burlar o sistema do juiz natural do feito.
Também ao falar em retirar a ação, não foi totalmente exato.
Na verdade, foram três ações, idênticas, em três juízos
especiais de Curitiba diferentes, como denunciamos em Para censurar o blog, odelegado Moscardi usou de má fé na Justiça do Paraná (20 de junh0 de 2016).
Fernando Brito, do Tijolaço, ainda lembrou que o autor da
entrevista é Ulisses Campbell, que ficou famoso por usar nomes falsos para
tentar se aproximar da família do irmão de Lula, Frei Chico. Campbell chegou a
invadir o condomínio onde ele morava. No final, inventou uma nota sobre uma
superfesta de um suposto sobrinho de Lula, desmentida mais tarde pela Veja.
Em entrevista ao programa pânico, Marcelo Rezende apresentador do Cidade Alerta da Rede Record de televisão, fala sobre a perseguição que o Lula sofre por parte do judiciário parcial. Confira o vídeo abaixo:
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