Via: Sputnik
Em comemoração ao centenário da Revolução Russa, a história
entra no samba e vai ser contada em ritmo de carnaval no Brasil por alguns
blocos soviéticos que a cada ano crescem pelo país.
Em 1917, a Rússia implementou o primeiro governo socialista da história, gerando a maior
revolução do século XX, pois promoveu políticas de redução da miséria e da
desigualdade social, mudando a realidade dos trabalhadores não só da antiga
União Soviética, como refletindo essa política social em todo o mundo.
Neste carnaval, uma das agremiações brasileiras que está
celebrando o centenário da Revolução Russa é o Bloco Soviético Vermelhim, que
saiu nesta sexta-feira (17) pelas ruas da cidade de Belo Horizonte. O bloco
criado no ano passado pela Associação Cultural José Martí promete repetir a
folia fazendo uma revolução político-social-cultural todo dia 17 (Dia da
Solidariedade Internacionalista), durante o ano inteiro, na praça Sete, na
capital mineira.
Em entrevista para a Sputnik Brasil, José Guilherme Castro,
um dos precursores do Vermelhim disse que a ideia de um bloco soviético
permanente surgiu dentro do projeto da Associação Circuito Revolução reunindo
diversas atividades político-culturais em comemoração ao centenário da
Revolução Russa. Segundo José Guilherme a ideia é cada vez mais politizar o
carnaval de Belo Horizonte. "Nós formamos aqui a Associação Cultural JoséMartí (MG), em solidariedade à Cuba. Temos uma ação internacionalista há cinco
anos na Praça Sete, que quando os heróis cubanos foram presos e depois com a
libertação deles passou a ser o dia 17, Dia da Solidariedade Internacional, e
aí construímos a proposta do Circuito Revolução, que é tentar agregar várias
atividades político-culturais para comemorarmos os 100 anos da Revolução Russa
e daí surge a ideia do Bloco Soviético para contribuir com a politização do
carnaval de Belo Horizonte, trazer bandeiras de lutas. Carnavalizar a política
e politizar as ruas."
O folião classifica o bloco como uma resistência ofensiva.
"É uma resistência, mas ofensiva, com coragem de ser
feliz. Os símbolos e nossos valores e referências queremos colocar nas ruas em
alto e bom som, porque foram grandes contribuições dada pela Revolução Russa. É
o maior acontecimento social de interesse dos trabalhadores do mundo. Nós temos
mais que comemorar e anunciar."
Em relação ao perfil dos seguidores da folia do Vermelhim,
José Guilherme diz que é um encontro de todas as gerações. "O que está
sendo interessante é que é bem variado. Tem o entusiamo dos jovens, mas tem
também o momento da reflexão e da nossa contribuição, que já temos cabelos
brancos. É um momento de encontro de gerações e de troca de esperanças e de energia,
principalmente em um momento tão difícil que o Brasil está passando. É o que
nós falamos é uma resistência."
Luanna Grammont, intérprete do Bloco Soviético, o Vermelhim,
cantando a Internacional com seu filho Fidel no colo
Para animar os foliões, no repertório não pode faltar o hino
da Internacional Comunista, em ritmo de samba: "Senhores, patrões, chefes
supremos / Nada esperamos de nenhum (…) Façamos nós por nossas mãos / Tudo que
a nós nos diz respeito", e o tradicional "Unidos Venceremos",
além de canções famosas como "Coração Vermelho", da cantora Fafá de
Belém.
"Primeiro é a Internacional, que nós estamos ensaiando
em ritmo de samba. Como no Circuito Revolução nós dividimos a Revolução Russa,
com os 50 anos do assassinato de Chê Guevara, nós estamos lançando hoje (17) o
Comandante Chê Guevara também, e várias músicas do repertório brasileiro, que
estão ligadas de certa forma à resistência, à luta, ao momento específico,
muito Paulinho da Viola, Chico Buarque", explicou José Guilherme.
Sobre o crescimento dos blocos soviéticos no carnaval
brasileiro, José Guilherme acredita que
a tendência é aumentar ainda mais o número de agremiações, pois para o folião a
Revolução Russa é a síntese das lutas dos trabalhadores, e ressalta o
importante papel dos artistas para retomar a cultura do protesto pelos blocos.
"Eu acho que a tendência é aumentar. A política no
Brasil, principalmente a esquerda, esteve muito distante da arte, da cultura.
Essa participação dos artistas na vida política e na elaboração das defesas, é
uma tendência que está voltando no Brasil. Era uma tradição que nós tínhamos,
os artistas participavam efetivamente das lutas não só dos palcos mas na
elaboração. É esse o palco que nós queremos fazer."
De acordo com o militante do carnaval politizado, o desfile
desta sexta-feira (17) foi o pontapé inicial para um ano de diversos eventos
promovidos pela Associação José Martí em homenagem ao centenário da Revolução
Russa, mas com foco para as lutas internas do Brasil. Entre as ações terá a ida
de uma delegação brasileira para os festejos em outubro na Rússia, de onde dois
jornalistas vão fazer a cobertura e o material será apresentado em novembro em
Belo Horizonte. "Tem uma delegação brasileira, que já tem quase 200
pessoas que vão passar o aniversário da Revolução Russa, lá na Rússia e tem
dois jornalistas que vão fazer a cobertura, e no dia 17 de novembro devemos
apresentar na Praça Sete um apanhado dessa cobertura. Tem também em março, o
mês da luta das mulheres. Nosso bloco vai refletir e passar um filme com a
temática das mulheres ao som de samba. Tem o abril vermelho da questão agrária.
Em maio tem a luta dos trabalhadores do sistema manicomial. Estamos pegando
essas temas para fazer e refletir sobre as nossas revoluções, que o Brasil
precisa."
Além do Vermelhim, em Belo Horizonte, o centenário da
Revolução Russa também será homenageado neste sábado (18), pelo Bloco Soviético
em São Paulo, a partir das 14h, saindo do Tubaína Bar, Bela Cintra. O Bloco que
vai para sua 5.ª edição, surgiu em 2013, após uma brincadeira nas redes sociais
incluindo a cantora Vange Leonel, que morreu em 2014, e sua então companheira, a
jornalista Cilmara Bedaque. Em 2013, o bloco reuniu 200 pessoas, no ano passado
esse número subiu para quase 5 mil foliões. Este ano, o bloco conta com um
carro de 13 metros de comprimento, com 20 instrumentistas para fazer a alegria
dos foliões tocando as tradicionais marchinhas de carnaval adaptadas num tom de
revolução pelos organizadores.
Já em Brasília, a Revolução Russa vai ser celebrada pelo
KGBloco Soviético, que estreia no Parque da Cidade no dia 4 de março. A
agremiação foi criada por um grupo de estudantes da área de Humanas da UNB
(Universidade de Brasília) em resposta contra o bloco de direita Aliança Pela
Liberdade, que também é de estudantes da universidade. Na página do evento no
Facebook, o KGBLoco Soviético chama os foliões: “ALÔ, CAMARADAS! Peguem seus
confetes, foice, martelo, glitter, peruca, catuaba, sua во́дка e vamos
comemorar os 100 anos da REVOLUÇÃO RUSSA. Porque é carnaval e já que a esquerda
está festiva VAMOS FESTEJAR! Senhores, patrões, chefes supremos, Nada esperamos
de nenhum! Sejamos nós que conquistemos. Um carnaval livre e comum.
***

Nenhum comentário:
Postar um comentário