Por: O TEMPO
Em delação premiada, Delcídio acusa o tucano de atuar para
maquiar dados do Banco Rural na CPMI dos Correios, e também de receber propinas
em esquema de corrupção de Furnas
AGÊNCIA ESTADO
Cotado para assumir o Ministério da Justiça, o ex-presidente
do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Velloso é amigo e atua como advogado
do presidente do PSDB, senador Aécio Neves, de quem não cobra honorários, nos
dois inquéritos que o tucano responde perante o Supremo Tribunal Federal como
desdobramento da operação Lava Jato.
Velloso afirma que os casos em que atua para Aécio não têm
relação com a Lava Jato. "Fui amigo de Tancredo Neves, avô de Aécio, e de
Aécio Cunha, pai de Aécio. E sou amigo de Aécio desde os seus 22 anos, quando o
conheci, em Belo Horizonte. Sou seu advogado nesses dois casos, em razão dessa
amizade. Mais até como conselheiro", afirmou Velloso, por e-mail, à
reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. Ele admitiu ainda atuar para o tucano
sem cobrar nada.
As duas investigações contra Aécio tem origem na delação
premiada do ex-senador Delcídio Amaral (ex-PT e ex-PSDB, atualmente sem
partido) que foi preso em novembro de 2015 acusado de tramar contra a Lava
Jato. Para se livrar da cadeia, Delcídio fez delação premiada.
O ex-senador acusou Aécio de atuar para maquiar dados do
Banco Rural na CPMI dos Correios (presidida por Delcídio) que poderiam atingir
membros do PSDB e também de receber propinas em um esquema de corrupção em
Furnas.
Os dois inquéritos estão sob relatoria do ministro Gilmar
Mendes Em dezembro do ano passado o tucano prestou depoimento à Polícia Federal
no inquérito sobre a CPI dos Correios - na época, Aécio era governador de
Minas.
Também são investigados neste inquérito Clésio Andrade, que
era vice-governador do tucano, e o ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), que
era filiado ao PSDB. No caso de Furnas, o tucano é investigado por suposto
recebimento de propina de empresas terceirizadas que mantinham contrato com a
estatal.
As vantagens indevidas seriam pagas pelas empresas ao
ex-diretor da companhia, Dimas Toledo, que as repassava para o tucano. O
senador e os demais investigados nos inquéritos rechaçam as acusações de
Delcídio.
Lava Jato
Além de Aécio, Velloso tem um cliente deputado que é
investigado no âmbito da operação Zelotes. Em relação à Lava Jato, contudo, o
ex-presidente do STF diz que nunca atuou para os investigados da operação.
Ele conta que chegou a ser procurado por outro advogado que
atua no caso para emitir um parecer. "Cheguei a ser procurado, logo no
início, por mais de um advogado, a fim de estudar a possibilidade de emitir
parecer. Em razão do sigilo profissional, só posso dizer-lhe que não emiti
nenhum parecer em caso da Lava Jato", disse.
Caso assuma o Ministério da Justiça, Velloso terá que deixar
de atuar como advogado, seguindo o Estatuto da Advocacia. "Sou advogado,
na companhia de outros advogados, de um advogado, que é deputado, num caso da
denominada Operação Zelotes, em curso no Supremo Tribunal Federal, ora
distribuído ao ministro Ricardo Lewandowski. Aceitando assumir o Ministério da
Justiça, me afastarei do caso, na forma do Estatuto da OAB."
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