Por Fernando Brito,
Michel Temer nem escondeu
que faz de Jorge Bastos Moreno, de O Globo, seu porta-voz informal.
Nada contra Moreno, que está na dele e não vai recusar o que
Temer quer lhe dar, com exclusividade.
Porque o “minipacote econômico”, de medidas
“microeconômicas”, com que pretende reagir às pressões do PSDB pela degola de
Henrique Meirelles e sua substituição – certamente por alguém mais atucanado –
serão próprias do “micropresidente” que temos.
Não se tem ideia do que seria isso, senão medidas
analgésicas, porque aquilo que se poderia ter de eficiente – a queda das taxas
de juros – se tornou um dilema maior diante da eleição de Donald Trump e os
sinais unanimemente reconhecido de que os juros norte-americanos vão subir.
Certo que, mesmo com isso, haveria gordura nos juros brasileiros, mas os que se
alimentam deles tão mais que acostumados a dietas gordas.
Como Temer diz que ouviu de um dos tucanos, o senador
paulista José Aníbal, o conselho de que “cabe ao dono cuidar da padaria”, o pão
que tem a oferecer ao mercado é a reforma da previdência, e dura, acelerada num
Congresso que – as ruas mostraram ontem – está no subsolo da
representatividade.
E vai ficar ainda mais afundado, à medida em que começarem a
vazar a delação comprada à Odebrecht, com as previsões de que deve alcançar
perto de uma centena de parlamentares e vários auxilares do Planalto.
É pão amargo para os trabalhadores, mas certamente não é
doce o suficiente para o mercado, porque os resultados certamente demoram, a
não se que se parta para loucuras que só serviriam para desgastar mais o
governo, pois não seriam aprovadas no Congresso.
Depois de dois anos de deterioração econômica, até para um
governo legítimo seria difícil pedir sacrifícios para a população. Sacrificada
ela vem sendo, o poço só se aprofunda e o alfange ensandecido da casta
judiciária retira qualquer possibilidade de que se levante a cabeça.
As bicadas e as mordidas entre os que se alimentam dos
despojos do Brasil só vão aumentar enquanto a carniça minguar.
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