Por Fernando Brito
Se você tem um amigo empresário, pergunte a ele se existe
alguma chance de ele tocar um projeto de expansão de sua empresa com crédito de
outro banco que não seja o BNDES. Banco privado é forca para se livrar de
forca, só.
E se tiver um amigo que tenha sido gestor de obras públicas,
pergunte a ele se há alguma grande obra de interesse social ou de indução ao
desenvolvimento – nacional, regional ou local – que não seja financiada em
parte pelo banco de desenvolvimento.
Eu mesmo só conheço uma: os Cieps, no Rio de Janeiro, porque
o Sarney não dava nem bom dia ao governo de Brizola. Tinha crédito para o
Orestes Boi no Pasto Quércia reformar o interior dos aviões da Vasp, mas não
pra fazer escola.
Pois a mais importante ferramenta do país está sumindo.
Menos obras, menos fábricas, menos pontes, estradas,
viadutos, usinas, plataformas, navios e segue a lista o quanto você quiser.
Na infraestrutura, recuo de 51% entre janeiro e outubro de
2016; comércio e serviços -40%; na indústria, – 20%, e no setor agropecuário, -6%. Por porte das empresas, queda de 36% em valores correntes para as micro, pequenas
e médias empresas.
Mas vai melhorar?
As consultas, passo inicial do crédito, tiveram queda de 18% frente ao mesmo período do ano
passado. Os enquadramentos, etapa seguinte na concessão do crédito, na mesma
base de comparação, com uma queda nominal de 17%.
Austeridade? Não, paralisia econômica mesmo, provocada
sobretudo por três fatores: a retração econômica (se minha fábrica só usa 70%da capacidade, porque ampliá-la?), a ruína das administrações públicas e o
desmonte das construções pesadas feito pela Lava Jato.
E um duplo prejuízo para o Banco e para o país. Não só não
se cumpre seu papel de instituição de fomento econômico-social como não lucra,
porque um banco ganha é emprestando dinheiro.
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