247 - A presidente Dilma Rousseff concedeu uma entrevista ao
jornalista Leonardo Attuch, editor do 247, na tarde desta segunda-feira 21 em
Porto Alegre (confira a íntegra no vídeo ao pé da matéria).
Na conversa, ela falou da situação de crise no País, do
ambiente que foi criado para se consolidar o impeachment contra ela e faz
críticas à imprensa e ao "governo ilegítimo" de Michel Temer. Dilma
afirmou que "prometeram, com o golpe, uma situação cor de rosa" no
País, "venderam gato por lebre" ao defender o impeachment, mas que a
crise só tem se acentuado. Ela condena o discurso de Temer de que recebeu uma
herança maldita, mesmo depois de seis meses no governo. "Esse discurso não
se sustentará".
A presidente demonstra estar estarrecida com o ambiente em
que "pessoas se sentem autorizadas a invadir o Congresso por esse clima
criado pelo senador Aécio Neves", principal articulador do golpe de 2016.
"O golpismo está entranhado na sociedade brasileira. E o maior
representante disso é Aécio Neves", completou.
Dilma fez críticas às prisões preventivas da Lava Jato antes
de os investigados serem condenados. "Eu não vou defender a prisão do
Eduardo Cunha, se eles não prenderam antes... tem que explicar por que estão
prendendo agora", disse. "E mais: se a pessoa não tem meios para
prejudicar a investigação, tem que responder em liberdade".
Ela fez duras críticas à imprensa - "age como um
partido político, e prega a despolitização" - e ainda ao presidente do
TSE, ministro Gilmar Mendes. "Perdeu todas as condições de me
julgar". Dilma anunciou que poderá entrar com uma ação contra o ministro,
ao lembrar: "já me julgou fora dos autos".
Em referência à denúncia de tráfico de influência contra o
ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, Dilma diz que "a
ambição do grupo que tomou o poder é do tamanho de um apartamento na
Bahia".
Ela declarou que não defende o "golpe dentro dogolpe", e é contra a eleição indireta para mudar o governo. "Acredito
em saída por eleição direta, não por eleição indireta, e tem que ter reforma
política", defendeu, fazendo duras críticas ao atual sistema político.
Dilma defendeu o movimento dos estudantes, que ocupam mais
de mil instituições de ensino no País. "Os estudantes estão nos ensinando,
e não nós a eles". Ela diz olhar para os jovens das ocupações hoje
"com muita esperança" e definiu como "algo fantástico, de uma
lucidez imensa" o discurso da estudante Ana Júlia na Assembleia
Legislativa do Paraná.
Incitada a definir Michel Temer, Dilma Rousseff disse que
ele "está aquém do Brasil, aquém do povo brasileiro". "Não é só
que ele não lidera, ele não representa", disse. "O brasileiro médio
está além dele, o brasileiro pequeno está além dele", concluiu.
Confira abaixo a íntegra da entrevista:
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