Quando uma CPI contra milícias serve de chantagem contra um presidente da República, fica claro qual o consenso entre a classe política sobre quem é Bolsonaro e quais suas relações.https://t.co/DLeeD6rYOs
Nos bastidores da crise que resultou na demissão de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência da República, houve uma intensa
troca de mensagens escritas e de áudio, todas via WhatsApp, entre o presidente Jair Bolsonaro e o agora ex-ministro. Nelas, os dois trocam farpas, acusações e
se desentendem sobre quase tudo. Desde o início da conversa, o estado de ânimo
de cada um é diferente: Bolsonaro mostra-se irritado e impaciente, enquanto
Bebianno tenta pacificar as coisas.
A relação entre eles estava estremecida desde que o jornal
Folha de S. Paulo revelou um esquema de candidaturas laranjas do PSL, partido
de Bolsonaro que foi presidido por Bebianno no ano passado. Mas o filho do
presidente, Carlos, nunca teve simpatia por Bebianno, a quem atribui o fato de
não ter conseguido controlar a área de comunicação do governo. Sabe-se que
Carlos não fazia nenhuma questão de esconder do pai sua animosidade com o
ministro.
A crise agravou-se na quarta-feira 13, quando o jornal O
Globo trouxe uma declaração de Bebianno negando qualquer crise no governo e
dizendo que, no dia anterior, havia falado com o presidente “três vezes”.
Carlos aproveitou a oportunidade para detonar Bebianno.
Postou um tuíte dizendo que era “mentira absoluta” que Bebianno tivesse falado
com seu pai.
O tuíte de Carlos foi compartilhado pelo presidente. Na
noite da mesma quarta-feira, Bolsonaro deu entrevista à TV Record em que
afirmou que era mesmo mentira que Bebianno tivesse falado com ele.
Os áudios a que VEJA teve acesso provam que, se alguém
mentiu no episódio, foram o presidente e o filho. Bebianno, como se pode
constatar nas gravações a seguir, falou com o presidente por meio de mensagens
escritas e pelo menos treze mensagens de áudio. Confira:
A GLOBO É “INIMIGA”
Na terça-feira 12, o presidente Bolsonaro encaminhou a
Bebianno uma mensagem contendo a agenda do ministro. Nela, constava que
Bebianno receberia na terça-feira, às 16h, o vice-presidente de Relações
Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo. Ao receber mensagem do
presidente, a quem trata apenas por “capitão”, Bebianno respondeu de imediato:
“Algo contra, capitão?”.
Depois de insistir com algumas mensagens por escrito, Bebianno
recebeu o seguinte áudio do presidente em que ele declara que a Globo é uma
inimiga do governo e que, ao fazer contatos com a emissora, o colocaria em
posição delicada com “as outras emissoras”:
Bolsonaro – “Gustavo, o que eu acho desse cara da Globo
dentro do Palácio do Planalto: eu não quero ele aí dentro. Qual a mensagem que
vai dar para as outras emissoras? Que nós estamos se aproximando da Globo.
Então não dá para ter esse tipo de relacionamento. Agora… Inimigo passivo, sim.
Agora… Trazer o inimigo para dentro de casa é outra história. Pô, cê tem que
ter essa visão, pelo amor de Deus, cara. Fica complicado a gente ter um
relacionamento legal dessa forma porque cê tá trazendo o maior cara que me
ferrou – antes, durante, agora e após a campanha – para dentro de casa. Me
desculpa. Como presidente da República: cancela, não quero esse cara aí dentro,
ponto final. Um abraço aí.”
OS MINISTROS ESTÃO CHATEADOS
Em outro momento da troca de mensagens, Bebianno envia ao
presidente uma nota publicada pelo site O Antagonista. A nota informa que
Bebianno e mais dois ministros – Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Damares
Alves, da Mulher, Família e Direitos Humanos – viajariam para o Pará para
discutir projetos para a Amazônia com líderes locais. Bolsonaro, ainda
convalescendo no hospital, não gosta da ideia e reclama com o ministro:
Bolsonaro – “Gustavo, uma pergunta: “Jair Bolsonaro decidiu
enviar para a Amazônia”? Não tô entendendo. Quem tá patrocinando essa ida para
a Amazônia? Quem tá sendo o cabeça dessa viagem à Amazônia? Um abraço aí,
Gustavo, até mais.”
Depois desse áudio, o presidente, aparentemente, conversa
com os outros dois ministros, Salles e Damares, e os dois se mostraram
incomodados com a tal viagem. Bolsonaro, por sua vez, mostra seu receio de vir
a ser cobrado por obras na região amazônica e decide então cancelar a
programação toda:
Bolsonaro – “Ô, Bebianno. Essa missão não vai ser realizada.
Conversei com o Ricardo Salles. Ele tava chateado que tinha muita coisa para
fazer e está entendendo como missão minha. Conversei com a Damares. A mesma
coisa. Agora: eu não quero que vocês viajem porque… Vocês criam a expectativa
de uma obra. Daí vai ficar o povo todo me cobrando. Isso pode ser feito quando
nós acharmos que vai ter recurso, o orçamento é nosso, vai ser aprovado etc.
Então essa viagem não se realizará, tá OK? Um abraço aí, Gustavo!”
Os áudios acima mostram que Bolsonaro, de fato, falou “três
vezes” com Bebianno, exatamente como o ministro declarara ao jornal O Globo.
Querendo dar ares de normalidade à rotina do governo e assim minimizar o
impacto da crise do laranjal do PSL, Bebianno declarara o seguinte ao jornal:
“Não existe crise nenhuma. Só hoje (terça-feira) falei três vezes com o presidente”.
Era verdade. Mas o filho Carlos postou o tuíte dizendo que ficara “24 horas do
dia” ao lado do pai e não registrara qualquer conversa com Bebianno. E ainda
postou um áudio em que o presidente garante que não tinha falado com o ministro
– aparentemente, pai e filho consideram que troca de áudio não configura uma
“conversa”.
Nos áudios seguintes, há trocas de mágoas e uma discussão
bizarra sobre o que significa “falar” com alguém. Confira:
“VOCÊ NÃO FALOU COMIGO”
Neste áudio, Bolsonaro diz que Carlos não está “incitando a
saída” de Bebianno. Antes, Bebianno recebera — e encaminhara cópia a Bolsonaro
— uma mensagem de um jornalista (que não é identificado) dizendo que Carlos
vinha conversando com deputados para derrubar o ministro.
Bolsonaro – “O caso incitando a saída é mais uma mentira.
Você conhece muito bem a imprensa, melhor do que eu. Agora: você não falou
comigo nenhuma vez no dia de ontem. Ele esteve comigo 24 horas por dia. Então
não está mentindo, nada, nem está perseguindo ninguém.”
Bebianno – “Capitão, há várias formas de se falar. Nós
trocamos mensagens ontem três vezes ao longo do dia, capitão. Falamos da
questão do institucional do Globo. Falamos da questão da viagem. Falamos por
escrito, capitão. Qual a relevância disso, capitão? Capitão, as coisas precisam
ser analisadas de outra forma. Tira isso do lado pessoal. Ele não pode atacar
um ministro dessa forma. Nem a mim nem a ninguém, capitão. Isso está errado.
Por que esse ódio? Qual a relevância disso? Vir a público me chamar de
mentiroso? Eu só fiz o bem, capitão. Eu só fiz o bem até aqui. Eu só estive do
seu lado, o senhor sabe disso. Será que o senhor vai permitir que eu seja
agredido dessa forma? Isso não está certo, não, capitão. Desculpe.”
“POR QUE ESSE ÓDIO?”
Em outro áudio enviado ao presidente, Bebianno lembra que é
um pacificador, em contraste com a personalidade espinhosa de Carlos, e chegou
a ser aceito no convívio com os militares que antes lhe rejeitavam – e volta a
garantir que não faltou com a verdade. “Ontem eu falei com o senhor três vezes,
sim”.
Bebianno – “Capitão, eu só prego a paz, o tempo inteiro. O
tempo inteiro eu peço para a gente parar de bater nas pessoas. O tempo inteiro
eu tento estabelecer uma boa relação com todo mundo. Minha relação é
maravilhosa com todos os generais. O senhor se lembra que, no início, eu não
podia participar daquelas reuniões de quartas-feiras, porque os generais teriam
restrições contra mim? Eu não entendia que restrições eram aquelas, se eles nem
me conheciam. O senhor hoje pergunte para eles qual o conceito que eles têm a
meu respeito, sabe, capitão? Eu sou uma pessoa limpa, correta. Infelizmente não
sou eu que faço esse rebuliço, que crio essa crise. Eu não falo nada em
público. Muito menos agrido ninguém em público, sabe, capitão? Então quando eu
recebo esse tipo de coisa, depois de um post desse, é realmente muito
desagradável. Inverta, capitão. Imagine se eu chamasse alguém de mentiroso em
público. Eu não sou mentiroso. Ontem eu falei com o senhor três vezes, sim.
Falamos pelo WhatsApp. O que é que tem demais? Não falamos nada demais. A
relevância disso… Tanto assunto grave para a gente tratar. Tantos problemas. Eu
tento proteger o senhor o tempo inteiro. Por esse tipo de ataque? Por que esse
ódio? O que é que eu fiz de errado, meu Deus?”
“NÃO VOU MAIS RESPONDER A VOCÊ”
Bolsonaro, aqui, deixa claro que trocar mensagens de áudio
não configura “falar” com alguém. E abre uma nova frente de conflito. Acusa seu
ministro de ter plantado uma nota em O Antagonista para envolvê-lo com o
laranjal do PSL em Pernambuco. Segue-se uma discussão bizantina entre um
presidente e um ministro.
Bolsonaro – “Ô, Gustavo, usar da… Que usou do Whatsapp para
falar três vezes comigo, aí é demais da tua parte, aí é demais, e eu não vou
mais responder a você. Outra coisa, eu sei que você manda lá no Antagonista, a
nota (sobre Bolsonaro não atender Bebianno) foi pregada lá. Dias antes, você
pregou uma nota que tentou falar comigo e não conseguiu no domingo. Eu sabia
qual era a intenção, era exatamente dizer que conversou comigo e que está tudo
muito bem, então faz o favor, ou você restabelece a verdade ou não tem conversa
a partir daqui pra frente.”
Bolsonaro – “Querer empurrar essa batata quente desse
dinheiro lá pra candidata em Pernambuco pro meu colo, aí não vai dar certo. Aí
é desonestidade e falta de caráter. Agora, todas as notas pregadas nesse
sentido foram nesse sentido exatamente, então a Polícia Federal vai entrar no
circuito, já entrou no circuito, pra apurar a verdade. Tudo bem, vamos ver daí…
Quem deve paga, tá certo? Eu sei que você é dessa linha minha aí. Um abraço.”
Bebianno – “Capitão, a nota do Antagonista que o senhor tá
me acusando de ter plantado… Se o senhor olhar bem, eu localizei aqui e mandei
pro senhor. Eu não plantei nada. Ela replica o que a Folha falou. Está escrito
aqui: “segundo a Folha, segundo a Folha, o ministro Gustavo Bebianno tentou
ligar para Jair Bolsonaro neste domingo para explicar o caso, mas o presidente
não atendeu”. Quem mencionou isso não foi o Antagonista, foi a Folha. O
Antagonista simplesmente replicou. Então, capitão, eu não plantei nada em lugar
nenhum, tá? Abraço.
Bolsonaro – “Bebianno, olha como você entra em contradição.
Que seja a Folha. Se foi uma tentativa tua pra mim e eu não atendi… Eu não
liguei pra Folha, eu não ligo pra imprensa nenhuma. Quem ligou foi você, quem
vazou foi você. Dá pra você entender o caminho que você está indo? E você tem
que fazer uma reflexão para voltar à normalidade. Deu pra entender? Vou
repetir: se você tentou falar comigo, um pra um, se alguém vazou pra Folha, não
fui eu, só pode ser você. Tá ok?”
Bebianno – “Não, capitão, não é isso, não. Eu não tentei
ligar pro senhor, eu não falei, não vazei nada pra ninguém. Eu nem tentei ligar
pro senhor. O senhor mandou um recado que era pra eu não ir ao hospital. Não
fui e não liguei pro senhor nenhuma vez. Deixei o senhor em paz. É… Se eu
tentei ligar uma ou duas vezes, também não me lembro pelo motivo que foi, é…
Não é isso, não, capitão, tá? Eu não vazei nada pra lugar nenhum, muito menos
pra Folha, com quem eu praticamente não falo. Abraço, capitão.”
“O SENHOR ESTÁ ENVENENADO”
Neste áudio, Bebianno explica seu papel nas verbas do PSL
remetidas para Pernambuco, reafirma que é inocente no caso das
candidaturas-laranja – e diz que o presidente está “bem envenenado”, deixando
implícito que o envenenador é seu filho Carlos:
Bebianno – “Em relação a isso, capitão, também acho que a
coisa está… Não está clara. A minha tarefa como presidente interino nacional
foi cuidar da sua campanha. A prestação de contas que me competia foi aprovada
com louvor, é… Agora, cada Estado fez a sua chapa. Em nenhum partido, capitão,
a nacional é responsável pelas chapas estaduais. O senhor sabe disso melhor do
que eu. E, no nosso caso, quando eu assumi o PSL, houve uma grande dificuldade
na escolha dos presidentes de cada Estado, porque nós não sabíamos quem era
quem. É… Cada chapa foi montada pela sua estadual. No caso de Pernambuco, pelo
Bivar, logicamente. Se o Bivar escolheu candidata laranja, é um problema dele,
político. E é um problema legal dela explicar o que ela fez com o dinheiro. Da
minha parte, eu só repassei o dinheiro que me foi solicitado por escrito. Eu
tenho tudo registrado por escrito. Então é ótimo que a Polícia Federal esteja,
é ótimo que investigue, é ótimo que apure, é ótimo que puna os responsáveis. Eu
não tenho nada a ver com isso. É… Depois
a gente conversa pessoalmente, capitão, tá? Eu tô vendo que o senhor está bem
envenenado. Mas tudo bem, a minha consciência está tranquila, o meu papel foi
limpo, continua sendo. E tomara que a polícia chegue mesmo à constatação do que
foi feito, mas eu não tenho nada a ver com isso. O Luciano Bivar que é
responsável lá pela chapa dele. Abraço, capitão.”
Bolsonaro disse que não tinha tratado com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, sobre o escândalo das candidaturas laranjas do PSL. Agora, vazaram os áudios que provam que Bolsonaro mentiu. Ele sabia do esquema. pic.twitter.com/B6wY2xrYH2
LIÇÃO DO DIA: CONVICÇÕES MUDAM, A DEPENDER DO CARGO
Enquanto usava toga Sergio Moro se dizia implacável contra o caixa 2. Agora, como ministro, está bem mais tolerante com tanta coisa, inclusive com desvio de recursos públicos para a campanha do chefe. Confira: pic.twitter.com/Le5T1Gyy8E
Bolsonaro defendeu uma candidata laranja do PSL-MG. Ela não viu a cor do dinheiro do fundo eleitoral do partido, porque contou que teve de devolver a verba aos donos do esquema do PSL, incluindo o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. pic.twitter.com/4RIkXVFOy6
O Homem forte de Bolsonaro ..
Onyx Lorenzoni CONFESSA ter usado verba de caixa 2 em campanha!!!
Moro que antes repudiava tal pratica .....agora parece ter mudado de opinião!!
Essa é a turma que quer mexer na nossa aposentadoria ...
"O Brasil não é para amadores" pic.twitter.com/7WigGLn37T
“Eu poderia processar ele”: exposto sem autorização no
Facebook, o sem teto Gerson espera o almoço que Doria prometeu. Por Zambarda
A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania
(SMDHC) fica na Rua Libero Badaró, a poucos metros da Prefeitura de São Paulo.
Ali em frente vive o mendigo Gerson, de 41 anos, que ficou
famoso após estrelar uma publicação do prefeito João Doria Jr. no Facebook.
Doria passava pela área, viu Gerson e achou que a cena
renderia. Câmeras flagraram o “encontro”. Sua equipe fez o resto do serviço.
O nome de sua filha foi citado. “A mãe dela a proibiu de ver
o pai por conta do alcoolismo”, lê-se.
O post de 13 de janeiro teve 186 mil curtidas e mais de 40
mil compartilhamentos na rede. Um público equivocado de esquerda pagou mico
inventando que ele era “fake”, alguém fantasiado. A realidade é pior.
Gerson não autorizou o uso de sua imagem como peça de
propaganda política. Ele contou ao DCM que não gostou do comportamento de
Doria, do assédio da mídia e de como a fotografia foi divulgada sem o seu
consentimento.
“Quando o prefeito passou por aqui, eu pedi pra ele parar de
tirar os moradores de rua. Eu tava bravo porque o ‘rapa’ tava levando os
cobertores de todo mundo. Mas, depois, ele disse que me ajudaria”, afirma.
“Nunca pedi nada pro Doria. Só peço dinheiro sempre porque
vivo na rua, como peço agora pra você. Ele prometeu almoçar conosco, algo que
não cumpriu até agora”.
Gerson possui problemas psiquiátricos e recebe tratamento.
“Estou bem melhor hoje porque tenho assistência”, declara.
Tem dois amigos. Um deles é Paulo César Vieira Sousa, que
foi também fotografado por Doria sem camisa e ilustrou uma reportagem da Veja
sobre doações de sabonete e xampu a abrigos. O outro é o senhor Natalino, o
“Natal”.
Paulo César
“Foi só a foto girar na internet que vieram a Globo, o SBT e a Veja aqui. Só que nenhum deles ouve direito a história e chegaram a divulgar que eu era um mendigo falso. Dividimos a comida e temos ajuda da Secretaria de Direitos Humanos”, comenta.
“Eu poderia processar o prefeito por ter tirado foto sem a minha autorização. Mas não vou fazer isso. Dá muito trabalho”.
No Facebook, Doria elogia uns tais “Espaços Vida, que vão ajudar o Gerson e as mais de 16 mil pessoas que vivem nesta situação a terem oportunidades de uma vida mais digna”. Um factoide.
Há um pedido da Secretaria de Direitos Humanos para que o retrato seja retirado do Facebook por causa da exposição indevida de uma pessoa em situação de rua.
A Secretaria de Comunicação teria concordado, mas a imagem continua na rede social. A tramitação do requerimento está emperrada por conta da transição da gestão Haddad para a atual. A equipe de DH deve ser substituída em breve.
Ainda que o apelo de Direitos Humanos chegue ao gabinete do prefeito, é pouco provável que ele seja respeitado. O estilo populista de Doria é baseado nesse tipo de estratégia barata, de vale tudo eleitoreiro.
Os amigos Paulo César e Natal reclamaram que a prefeitura não foi ajudá-los com as chuvas recentes na cidade. “Não fizeram nada por nós ainda. Eu tomei banho é na chuva”.
O jornalista Marcelo Auler elencou, em seu blog, os erros,
mentiras e imprecisões na entrevista do delegado federal Maurício Moscardi
Grillo, da Lava Jato, à Veja:
Ao comentar a não prisão de Lula, o delegado voltou a falar
– sem ser contestado – que a nomeação do
ex-presidente para a Casa Civil seria uma forma de obstruir a Justiça. Mesmo
nomeado ministro, Lula jamais se livraria das investigações. Elas apenas
passariam à responsabilidade do ministro do STF Teori Zavascki, o que a chamada
República de Curitiba quis evitar a todo custo. E conseguiu.
Episódio não esclarecido – O desmentido a Moscardi veio na
sua própria explicação do que ocorreu após divulgarem – ilegalmente – uma
conversa telefônica da presidente Dilma, gravada já quando a ordem judicial
tinha sido suspensa e tornada pública ilegalmente pelo juiz Sérgio Moro, sem
nenhuma consequência.
Não foi, ao contrário do que ele disse, a possível nomeação
de Lula para a Casa Civil que fez o
Zavascki avocar a investigação, impedindo, temporariamente, que a
investigação em Curitiba continuasse. Ou, pelo menos, esta não terá sido a
motivação principal. Mas sim o grampo ilegal – e sua posterior divulgação – da
conversa da presidente da República. Segundo o entrevistado, a decisão do
ministro do STF levou a Polícia Federal
a “perder o timing”. Em outras palavras, eles pretendiam prende-lo sob a
acusação de obstrução da Justiça, mas a acusação que valeu naquele momento,
deixou de valer depois. Como explicou, “hoje, os elementos que justificariam um
pedido de prisão preventiva (…) já não são tão evidentes como antes”.
Pelo que se sabe, a prova judicial não perece com o tempo.
Logo, se ela valia em uma época e deixou de valer meses depois, ela
simplesmente não existia. Não existia porque não havia evidências, por exemplo,
de que Lula estivesse querendo fugir do país, pressionasse testemunhas ou
buscasse atrapalhar as investigações. Ele apenas seria nomeado ministro e isto
levaria a investigação para o STF, mas não o livraria dela.
Moscardi foi apresentado como tendo 38 anos, 12 dos quais
como delegado federal. Não confere com a realidade. Ele ingressou no
Departamento de Polícia Federal (DPF) em 2006 – portanto, completou 11 anos de
carreira em 2016 (caso seu ingresso tenha ocorrido no início do ano). Só que
sua primeira função foi como Agente de Polícia Federal.
No cargo de delegado só foi empossado em julho de 2009, como
atestam seus colegas de trabalho: “Ele passou no concurso para delegado como
retardatário, fora das vagas do edital, como um dos últimos dos excedentes, e
ainda sob liminar da Justiça, pois foi reprovado no psicotécnico”. Na ponta do
lápis, ele tem sete anos e seis meses incompletos como delegado. Prova disso é
que ainda não atingiu o topo da carreira – delegado especial -, o que só deve
ocorrer em 2019, se completar dez anos na função.
O texto também o apresenta como coordenador da Operação Lava
Jato, função que jamais ocupou. Ou, pelo menos, no sentido que dá a entender a
revista: coordenador das investigações. Ele sempre teve um papel auxiliar.
Chegou a Curitiba, em 2014, removido do Acre, onde comandou a Operação G7.
Esta, mostrou-se totalmente fracassada, com a absolvição de todos os 21
acusados – e presos preventivamente – de supostas fraudes em licitação. A
sentença os absolvendo saiu dia 09 passado, como narramos, no último dia 12, em a imprensa que acusou, cala-se na absolvição. Sobre isso, nada comentou à Veja.
Nem lhe foi cobrado.
Na capital paranaense, inicialmente auxiliou a delegada
Daniele Gossenheimer Rodrigues, a esposa do delegado Igor Romário de Paulo
(Delegado Regional de Combate ao Crime Organizado – DRCOR), que chefiava o
Núcleo de Inteligência Policial (NIP).
Participou sim de algumas operações da Lava Jato – foi ao
aeroporto de Guarulhos acompanhar a prisão da doleira Nelma Kodama, efetivada
pelo delegado de São Paulo, Cássio Luiz Guimarães Nogueira. Chegou a tomar
alguns depoimentos, mas não era do núcleo central da investigação. Substituiu
Daniele por um tempo, na licença maternidade dela. Depois passou pela delegacia
Fazendária e pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), cuidando de
casos menores.
Em 15 de abril de 2014, surgiu sua grande oportunidade na
Superintendência do DPF ao ser nomeado presidente da Sindicância 04/2014
instaurada para investigar o grampo encontrado na cela de Alberto Youssef, no
final de março. Como tal, assinou, em 18 de agosto de 2014, relatório no qual
concluiu que o grampo estava desativado e era da época em que o traficante
Fernando Beira Mar esteve naquela custódia, em 2008.
Menos de um ano depois, um documento mostrou que o aparelho
que Moscardi disse que grampeara Beira Mar só chegou à Curitiba após o
traficante deixar a Superintendência. Ao atestar, falsamente, que o grampo não
funcionou, ele até propôs – sem ser atendido – que o doleiro Alberto Youssef
fosse investigado por denunciação caluniosa e fez constar ao final do
relatório: “O Departamento de Polícia Federal, como órgão de segurança pública
com atribuição constitucional, não está à mercê do oportunismo de criminosos.”
Mesmo tendo conquistado a confiança da cúpula da
Superintendência, Moscardi só obteve o primeiro cargo de chefia ao substituir,
na DRE, o delegado Rivaldo Venâncio. Inicialmente ele iria assumir apenas a
chefia do Grupo de Investigação Sensível (GISE), que se reporta diretamente à
Brasília, mas oficialmente é subordinado à DRE. Sua indicação foi motivo do
atrito entre o então chefe da Entorpecentes, Rivaldo, com o delegado Igor,
levando o primeiro a se exonerar do cargo. Com isto, Moscardi assumiu também a
chefia da repressão a entorpecentes, a partir da Portaria 734 do diretor de
Gestão de Pessoal, Luiz Pontel de Souza, em
13 de abril de 2015. Acumulou as duas funções. Mas, mesmo antes de ser chefe, logo depois de concluída a
sindicância 04/2014, e sem estar diretamente ligado à Lava Jato, ele desfilava
com o Range Rover Evoke blindado, do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto
Costa, apreendido pela Lava Jato, conforme três fontes diferentes confirmaram
ao blog. Deixou de usá-lo quando veio a publico a história do juiz federal do
Rio de Janeiro, Flavio Roberto de Souza, flagrado dirigindo um Range Rover de
Eike Batista que o juiz mandara apreender. Moscardi, depois, passou a usar uma
BMW apreendida com um traficante, o que fez até bem pouco tempo atrás. Hoje
utiliza uma Mitsubishi L200 Triton, cuja origem o Blog não conseguiu
identificar.
Os dois braços do DPF que ele passou a chefiar – DRE e GISE
– funcionam, em Curitiba, em um prédio no centro da cidade. Foi ali que
Moscardi, com verbas de origem jamais esclarecidas, fez uma grande reforma
instituindo várias mordomias, como o Blog denunciou em 11 de fevereiro de 2016
em Polícia Federal, sem verba para a luz, mas com mordomias. As reformas no
prédio que o dotaram de uma cozinha gourmet, churrasqueira e um bar, jamais
foram devidamente explicadas quer pelo DPF, quer pelo Ministério da Justiça.
Tampouco despertaram o interesse do MPF que, pela Constituição, exerce o
controle externo da Polícia Federal. Também Veja não se preocupou em
esclarecê-las com o delegado.
Foi por denunciarmos estas mordomias que Moscardi, seguindo
o exemplo da sua colega delegada Érika Mialik Marena, ingressou na Justiça
contra o Blog pedindo – e conseguindo inicialmente – a censura à nossa página e
indenização por danos morais.
Na entrevista a Veja, tal como Madalena arrependida – outra
expressão de origem bíblica – ele diz que foi um erro, arrependeu-se e retirou
a ação. Só não explicou – e nem foi cobrado disso – que não recorreu à Justiça
exercendo um direito de qualquer cidadão de contestar uma notícia. Ele, na
verdade, cometeu o que se chama de litigância de má fé, em uma tentativa de
burlar o sistema do juiz natural do feito.
Também ao falar em retirar a ação, não foi totalmente exato.
Fernando Brito, do Tijolaço, ainda lembrou que o autor da
entrevista é Ulisses Campbell, que ficou famoso por usar nomes falsos para
tentar se aproximar da família do irmão de Lula, Frei Chico. Campbell chegou a
invadir o condomínio onde ele morava. No final, inventou uma nota sobre uma
superfesta de um suposto sobrinho de Lula, desmentida mais tarde pela Veja.
Em entrevista ao programa pânico, Marcelo Rezende apresentador do Cidade Alerta da Rede Record de televisão, fala sobre a perseguição que o Lula sofre por parte do judiciário parcial. Confira o vídeo abaixo:
Vânia olhou para a sua panela tramontina roxa ali guardada no fundo do armário da cozinha.
Foi um olhar em que havia ao mesmo tempo melancolia e frustração.
Não era uma panela qualquer. Era aquela que Vânia usara nos protestos contra Dilma. Escolhera-a por ser leve e barulhenta. Perfeita, portanto, para a ocasião.
A panela remetia a Dilma. Vânia, naqueles dias de panelaço, abominava Dilma.
Dilma era um obstáculo para o Brasil, para os brasileiros. Quando gritava “Fora Dilma”, Vânia tinha certeza de que bradava pelo progresso nacional.
Vânia era gerente de uma loja da Riachuelo. O dono da cadeia dissera à imprensa que, Dilma saindo, as coisas logo se ajeitariam na economia nacional. Questão de dias.
Era o que todo mundo dizia, aliás. Vânia lia a Veja toda semana. Não perdia um Jornal Nacional. Deixava horas e horas a GloboNews ligada na tevê de sua casa. No trânsito, a rádio de seu carro oscilava entre CBN e Jovem Pan.
Considerava-se, modéstia à parte, uma mulher muito bem informada.
Todo mundo que ela admirava na imprensa concordava em que Dilma tinha que cair.
Vânia pegou a tramontina roxa nas mãos e como que voltou no tempo. Sentia que estava fazendo história ao participar dos panelaços. Com a panela nas mãos, naquelas noites, era tomada de uma euforia quase sexual.
Tinha que dar certo — e deu. Dilma enfim caiu.
Todos os problemas agora estavam resolvidos.
Ou não?
Ali, na sua cozinha, tramontina na mão, naquele momento de rememoração e reflexão, já se tinham passado mais de seis meses desde a queda de Dilma.
Mas e o paraíso prometido, onde fora parar?
Vânia batera a panela contra a corrupção, mas Temer e a turma que tomara o poder não significavam exatamente um choque de ética política.
Na economia, as coisas não podiam estar piores. Vários colegas de Vânia de gerência na Riachuelo tinham sido demitidos nos últimos dias. Cada vez que o chefe a chamava ela tinha um tremor. Achava que chegara a sua hora de ser despedida.
Naquele dia do reencontro com a tramontina roxa, Vânia pensou também em Dilma.
Será que ela era mesmo aquele monstro que pintaram?
Vira algumas entrevistas com ela depois do impeachment. Chamou sua atenção a forma como ela, Dilma, se referia aos pobres. Era uma simpatia que parecia ser genuína, e que como que tinha o poder de contagiar.
“Um país tão rico com tantos pobres não pode dar certo”, Vânia se pegou um dia refletindo. Isso nunca aconterera antes.
Vânia passara a ver Dilma de outra forma.
Teria sido vítima de uma trama de homens corruptos e muito ricos, como ela dizia?
Talvez sim, talvez não, pensou Vânia, panela na mão.
De repente, num impulso irresistível, atirou a tramontina contra a parede.
E lhe ocorreu que caso encontrasse Dilma na rua lhe daria um abraço.
Não um abraço de desculpa, mas um gesto de solidariedade de mulher para mulher. “Acho que me usaram para te pegar”, talvez dissesse.
A história acima é uma mistura de ficção leve e realidade brutal.
A Revista Isto É homenageou os brasileiros do ano nesta noite. E o grande eleito foi o presidente-golpista Michel Temer, mas houve outros premiados em categorias. Entre eles, claro, Sérgio Moro. E haviam convidados como Aécio Neves, Geraldo Alckmin e outros tantos que estiveram na linha de frente do impeachment de Dilma.
Tudo seria lindo e maravilhoso se a foto que ilustra esta matéria não fosse tão límpida. Olhem-na com carinho, vejam a intimidade dos dois rapazotes e a cara de próxima vítima de Temer.
Aécio e Moro in love na foto do ano realizada na festa da
Isto É
Não, amigos, tudo que está acontecendo não é coincidência.
Agora, fique abaixo com os premiados e as justificativas da
revista. Não deixe de ler. Mas lembre-se o tempo todo, o texto não é meu. E eu
nunca chamaria isso de jornalismo.
MICHEL TEMER – Brasileiro do Ano
Presidente do Brasil
Em 2016, o presidente Michel Temer (PMDB) recebeu a missão de assumir o comando do País em um momento conturbado política e economicamente.
SÉRGIO MORO – Justiça
Juiz Federal
Atuando na 13ª Vara Federal em Curitiba (PR), o juiz Sérgio Moro, 44 anos, ganhou notoriedade no Brasil e no mundo ao comandar a Operação Lava Jato, a maior investigação da história sobre uma rede de corrupção no País e que levou à prisão, à investigação e ao julgamento de grandes empresários e políticos envolvidos no esquema dentro da Petrobras. Moro já deu sentenças condenando 93 corruptos a penas de quase mil anos de cadeia, tendo aberto até agora 37 ações penais que já tornaram réus 179 pessoas, incluindo o ex-presidente Lula.
Seu trabalho tem lhe rendido o título de ‘herói brasileiro’,
que ele rejeita, mas que beira à celebridade, sendo aplaudido aonde vai, seja
no mercado, no restaurante ou no cinema.
Apesar dos apelos da população, o juiz não pretende entrar
na carreira política, e, por enquanto, o foco está na Lava Jato, que, com quase
três anos, ainda deve se estender por um tempo, principalmente após a esperada
delação dos executivos da Odebrecht.
GRAZI MASSAFERA – Televisão
Atriz
Em 2016 Grazi se consolidou como um dos principais nomes da
TV brasileira ao interpretar uma modelo que acabou entrando no mundo das drogas
viciada em crack na novela Verdades Secretas. Por sua excepcional
interpretação, Grazi chegou a ser indicada ao Emmy como Melhor Atriz.
ISAQUIAS QUEIROZ – Esporte
Atleta/canoagem
O canoísta baiano de 22 anos se consagrou em 2016 como o
maior medalhista olímpico brasileiro ao conquistar três medalhes na Rio2016,
sendo duas de prata e uma de bronze, feito inédito não só para um brasileiro
como na história dos jogos olímpicos.
ANTONIO FAGUNDES – Teatro
Ator
Sucesso na telinha e no palco. Antônio Fagundes, 67 anos,
brilhou na TV em 2016 com o personagem Afrânio de Sá Ribeiro, o coronel Saruê,
na novela global “Velho Chico”. Além disso, inovou no teatro com a peça
‘Vermelho’, texto de John Logan sobre a vida do pintor norte-americano Mark
Rothko (1903-1970), em que, ao final, leiloava uma obra produzida ao longo do
espetáculo. A peça ainda ganhou fama ao não recorrer a patrocinadores ou leis
de incentivo à cultura, conseguindo atrair centenas de pessoas à plateia antes
mesmo de estrear, pois abriu ao público desde a primeira leitura do texto, ação
que, aliada ao leilão das obras, ajudou a subsidiar a montagem.
EDUARDO PAES – Gestão
Prefeito do Rio de Janeiro
Eleito prefeito da cidade do Rio de Janeiro em 2009 e
reeleito 2012 o peemedebista coroou suas gestões com o sucesso dos Jogos
Olímpicos, realizados no Rio de Janeiro este ano.
JOÃO DORIA – Revelação na Política
Prefeito eleito de São Paulo
Um paulistano que surpreendeu no cenário político nacional
ao ser eleito no primeiro turno das eleições municipais em outubro com 53% dos
votos válidos, ou mais de 3 milhões de votos. João Doria entra para o mundo
político após uma trajetória consolidada no meio empresarial.
LAÍS RIBEIRO – Moda
Modelo
A top piauiense de 25 anos é uma das angels da marca mais
famosa de lingerie, Victoria´s Secret, sendo a terceira brasileira a desfilar
para a grife.
Este ano, Laís abalou Paris dividindo a passarela com as
veteranas Alessandra Ambrosio, Adriana Lima e a diva pop Lady Gaga. Laís, que
tinha o sonho de ser enfermeira, hoje tem – e já teve – contratos milionários
com as principais grifes do mundo como Gucci, Dior, Dolce&Gabbana e Ralph
Lauren. Já foi declarada musa do estilista francês Jean Paul Gaultier.
A Brasileira do Ano na Moda, Laís também é embaixadora
mundial do Bottletop, projeto de engajamento social e sustentável para ajudar
na renda de mulheres artesãs do Brasil e da África, que produzem peças com
anéis de latinhas de alumínio.
RICARDO BOECHAT – Comunicação
Jornalista
Colunista de IstoÉ há 10 anos, âncora do telejornal da TV
Bandeirantes e da BandNews FM, Ricardo Boechat, 64 anos, se destacou como uma
das principais figuras da comunicação em um ano cheio para o jornalismo.
Sua relevância foi além das fronteiras nacionais. Foi o
único jornalista latino-americano a participar do terceiro e último debate
entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton e Donald
Trump.
No rádio, tem um dos programas de maior audiência do País.
Foi reconhecido pelos próprios colegas da imprensa como o melhor apresentador e
âncora de rádio ao ganhar o Prêmio Comunique-se.
Com estilo único de informar, Boechat ganhou espaço também
nas redes sociais. Em tempos de
polaridade, sua credibilidade fez de Boechat o único profissional de imprensa
seguido nas redes tanto por partidários de Dilma Rousseff como por aqueles a
favor do impeachment da presidente, segundo pesquisa do jornal El Pais.
LUDMILLA – Música
Cantora
Com apenas 21 anos, Ludmilla, que começou a carreira como MC
Beyoncè, faz uma média de 20 shows por
mês apresentando seu funk que a consagrou como uma das maiores vendedoras de
hits do país.
O sucesso se estende às redes sociais. Seu novo clipe, “A
Danada Sou Eu”, teve, teve 10 milhões de visualizações em apenas um mês. A
jovem também arrasou em sua participação na Cerimônia de Abertura dos Jogos
Olímpicos no Rio de janeiro.
BENEDITO RUY BARBOSA – Cultura
Autor de novelas
Responsável por clássicos da dramaturgia brasileira, como O
Rei do Gado, Benedito Rui Barbosa emplacou mais um sucesso na TV com a produção
“Velho Chico”, sucesso no horário nobre da Globo.
Como a tragédia se repete como farsa (Karl Marx), preciso
voltar no tempo, para ilustrar uma farsa atual. Recebi de um superintendente da
Polícia Federal a missão de investigar um servidor do extinto INPS (Instituto
Nacional de Previdência Social), que estaria furtando gasolina da instituição.
Esqueci a pessoa e segui o manual da PF: investigar fatos e, se verdadeiros,
buscar provas e autoria (se possível). Bem diferente do que fazem com Lula,
pois primeiro acusam, difamam, insuflam o ódio popular e depois saem correndo à
procura de pedalinhos, tríplex, pixulex, denorex, jontex, iodex...
Iniciei o trabalho solicitando planilhas com entrada e saída
de viaturas, volume de abastecimento, registros de hodômetros. Se a
quilometragem percorrida não fosse compatível com o consumo de gasolina,
certamente alguém dela se apropriara. Passo seguinte seria descobrir esse
alguém. Mas, logo de início vi que até a cúpula do INSS furtava gasolina.
Então, o superintendente da PF me chamou para conversar. Disse-me que não era “pra
fazer carnaval, pois era só pra dar um susto”. Criado o mal estar me colocaram
numa salinha com uma placa “Adido ao Gabinete” – local conhecido na PF como
corredor (na Polícia Civil chamam NASA)...
Não sei se avisaram o juiz Sérgio Moro que “era só pra dar
uma susto” ou melhor, se avisaram que a Farsa Jato seria apenas para ajudar no
golpe. O fato é que, sequer pode ser inocentado de não saber a consequência de
seus atos. Não falo dos atos legais, imparciais, deveres de oficio, mas sim das
divulgações seletivas, os casuísmos, do ativismo jurídico (por vezes mescla de
jurídicos/políticos). Os resultados falam por si - a com a Constituição Federal
rasgada, direitos fundamentais violados, quebra de empresas, desemprego,
insegurança jurídica, cizânia social, incentivo ao crime de ódio e o golpe.
Com susto, li que o tal magistrado está indo embora para os
Estados Unidos. Os holofotes começam a apagar sobre o pavão, cuja cauda de
plumagem tucana ao se abrir exibe cores da bandeira americana. Moro vai, se é que
vai, e o Brasil fica sem saber se é porque estaria impedido de prender tucanos
e ou por não conseguir encontrar ou inventar provas para prender o
ex-presidente Lula. Nem Lula nem Dilma estão em listas criminosas e, pelos
meios permitidos no direito, nada se provou contra os dois. A ONU e o Tribunal
Penal Internacional estão de olho em Moro, e a Farsa Jato, em que pese a
bandeira séria aparente, só realça a imagem do Brasil como uma republiqueta
sujeita a golpes.
No golpe atual, cogita-se que tucanos assumam o poder em
2017 e que vamos nos tornar americanos - quem tem menos votos governa.
Cogita-se que o Congresso Nacional (antes varonil por derrubar a Presidenta
Dilma, hoje canalha por querer transformar juízes em seres mortais,
responsáveis por seus atos) tem novidades.
Fora Temer! O pacote do golpe contemplaria prorrogação do mandato tucano
e as eleições presidenciais de 2018 ficariam um pouquinho mais para a frente,
até que a TV Globo/Veja/Folha/Estadão convençam a população de que o pato da
FIESP voa melhor do que o boi do Conde João Maurício de Nassau-Siegen. Aliás,
neste final de semana teve festa de pato na Av. Paulista.
Os militares criaram o AI 5 para ficarem acima da lei. Moro
quer ser o AI 5 e na sua cola o Ministério Público Federal. Os delegados da PF
estão contra, pois já apanham demais do “Parquet”. É, os golpistas já não estão
se entendendo muito bem. Nesse contexto, Moro, antes de partir, foi ao Senado
Federal, e Lindbergh lhe mostrou que lei não é chicote e pena não é vingança.
Um espetáculo tão dantesco que tive que concordar até com Renan Calheiros e
Gilmar Mendes. Moro não conseguiu provar que o “Projeto Deus Sou Eu” não é um
golpe dentro do golpe...
'Uma lei contra abuso de autoridade no Brasil é uma necessidade',
afirma Lindbergh Farias
Ao ficar nu, Moro levou um susto e apelou para a mentira e
disse: “querem criminalizar a Farsa Jato”. Mentiu, porque Moro sabe ou teria a
obrigação de saber, que a lei não retroage para prejudicar (Art. 5º, XL da CF).
Portanto, seus abusos atuais ficariam penalmente impunes se aprovada a lei como
está. Mostrou mais uma vez que desconhece e ou atropela a lei de forma
consciente. Revelou-se tão inexpressivo e acuado, que mais parecia um
terceiranista de Direito que ficou em recuperação e que foi reprovado na
sabatina.
Armando Rodrigues Coelho Neto – advogado e jornalista,
delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São
Paulo