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domingo, 24 de fevereiro de 2019

The Intercept descobre nos EUA que curriculum de Ricardo Salles é Fake






EM 11 DE FEVEREIRO DE 2012, um quase desconhecido Ricardo Salles publicou um artigo na Folha de S. Paulo intitulado “Privatização, aindaque tardia”. Ao fim de uma defesa apaixonada da venda dos aeroportos brasileiros, o texto do atual ministro do Meio Ambiente termina com sua biografia resumida em apenas uma linha. “Ricardo Salles, 36, mestre em direito público pela Universidade Yale, é advogado e presidente do Movimento Endireita Brasil”. Yale. Uau. Ali estava alguém que sabia do que estava falando.

A formação em uma das dez melhores universidades do mundo, chancelada pelo maior jornal do país, se espalhou pela internet e foi incorporada definitivamente ao currículo de Salles.

Programa Roda Viva, da TV Cultura, uma semana atrás: “Mestre em Direito Público pela Universidade de Yale, Ricardo Salles foi secretário estadual do Meio Ambiente de São Paulo no governo de Geraldo Alckmin (PSDB) e fundou, em 2006, o Movimento Endireita Brasil.”

Jornal Nexo, dezembro do ano passado: “Advogado de 43 anos, Ricardo Salles é mestre em direito público pela Universidade de Yale.”

Rádio Gaúcha e jornal Zero Hora, reproduzindo a divulgação do Roda Viva: “Mestre em Direito Público pela Universidade de Yale…”

Os incontáveis meios que reproduzem essa informação há anos, no entanto, estão estampando uma mentira.

Nós entramos em contato com Yale, mais precisamente com o Departamento de Comunicações da Faculdade de Direito, onde Salles teria obtido seu diploma. Cinco presidentes americanos estudaram em Yale. Doze vencedores de prêmios Nobel estudaram em Yale. Até o cara que escreveu as músicas do Frozen estudou em Yale. Mas Ricardo Salles, não.

“Oi. Sinto muito pela demora na resposta. A Faculdade de Direito não conseguiu localizar nenhum registro indicando que Ricardo de Aquino Salles frequentou a Faculdade de Direito de Yale”, disse o representante da universidade, por e-mail.

Mas quem então fabricou o factoide publicado na Folha e, mais recentemente, pelo Nexo e pelo site do Roda Viva, entre outros? A gente resolveu ir atrás.

Fizemos a pergunta ao ministério comandado por Salles, simples, objetiva: “Qual o ano de formatura na Universidade de Yale e o título exato que consta no diploma?”

Mas, após três dias de solicitações por e-mail e vários telefonemas, nenhuma resposta. Tampouco nos enviaram o currículo completo de Salles, que também pedimos, já que o que está publicado no site é de uma simplicidade franciscana – e não inclui Yale.

A referência tampouco consta em sua biografia no site da secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, preservada pelo Internet Archive, nem no perfil publicado no site de campanha de 2018 – Salles tentou ser eleito deputado federal mas não conseguiu. Outras instituições com que ele colaborou, como o Movimento Endireita Brasil, também não publicam seu currículo completo.

A Folha não se manifestou formalmente – nós enviamos e-mail e ligamos –, mas um funcionário com conhecimento do processo editorial da seção de opinião nos disse que há “98% de probabilidade” de que o próprio Salles enviou a biografia que acompanhou seu artigo de 2012. Receber a biografia diretamente da pessoa que assina o artigo é a norma da casa – exceto para personalidades bastante conhecidas. Mas 98% não é 100%.



O Nexo, por sua vez, informou que usou o currículo publicado pela Folha. A produção do Roda Viva não nos respondeu até a publicação deste texto.


Salles é conhecido – pela justiça, no caso – como especialista em canetadas criativas. Como contamos há alguns dias, ele foi condenado por improbidade administrativa após adulterar um mapa para beneficiar mineradoras.

Isso, claro, não significa que foi ele quem inventou sua passagem pela Universidade de Yale. Nem mesmo que ele seja dono do único currículo marombado no bonde de Bolsonaro.

Questionada pela Folha sobre o título de mestre em Educação e Direito Constitucional e da Família, Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, saiu com essa: “Diferentemente do mestre secular, que precisa ir a uma universidade para fazer mestrado, nas igrejas cristãs é chamado mestre todo aquele que é dedicado ao ensino bíblico.” Mestre em coisa nenhuma, no caso.

Damares convocou a “ex-feminista” e ativista anti-aborto Sara Winter para cuidar das “políticas públicas para a maternidade”. A pupila da pastora-ministra também já cometeu alguns deslizes no próprio currículo. Num tuíte em que alguém criticava sua qualificação para o cargo, ela retrucou: “Desqualificada eu? Graduação em Relações Internacionais, especialização em crimes na adm. pública, experiência de 4 anos no campo da maternidade, conferencista internacional, agenda cheia até 2021 por toda América Latina, EUA e Europa. 3 idiomas. 26 anos.” Uou.

Ao TSE, porém, ela informou em 2018 ter “ensino superior incompleto”. Mais tarde, ela passou a dizer que ainda é “graduanda”, sem admitir qualquer erro – ou manipulação.

Motivo da primeira crise do governo Bolsonaro, Alecxandro Carreiro bateu o pé após ser demitido do comando da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos pelo ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo. Pois Carreiro, descobriu-se, não falava inglês fluentemente, uma exigência oficial para o cargo que ocupou, nem tem experiência na área – mas é amigo de Eduardo Bolsonaro.

Mas ninguém bate Joice Hasselmann. Deputada federal pelo PSL, ela foi pega por plagiar “65 reportagens, escritas por 42 profissionais diferentes, somente entre os dias 24 de junho e 17 de julho de 2014″, segundo oSindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná. [Nós colocamos o trecho em aspa, porque não foi escrito por nós, citamos a fonte e incluímos o link, senão seria plágio, viu, Joice?]

No caso do excelentíssimo ministro Ricardo de Aquino Salles, no entanto, nós ainda não sabemos o que houve. Buscamos em todas as suas redes sociais para descobrir se, por acaso, em algum momento ele teria desmentido a informação dada tantas vezes pela imprensa. Nada. Se você souber de algo, manda um e-mail.

Site Descobre Nos Eua Currículo Falso Do Ministro De Bolsonaro


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Você já foi feito de TROUXA na política?

Você já foi feito de TROUXA na política?




A Revista Isto É homenageou os brasileiros do ano nesta noite. E o grande eleito foi o presidente-golpista Michel Temer, mas houve outros premiados em categorias. Entre eles, claro, Sérgio Moro. E haviam convidados como Aécio Neves, Geraldo Alckmin e outros tantos que estiveram na linha de frente do impeachment de Dilma.

Tudo seria lindo e maravilhoso se a foto que ilustra esta matéria não fosse tão límpida. Olhem-na com carinho, vejam a intimidade dos dois rapazotes e a cara de próxima vítima de Temer.

Aécio e Moro in love na foto do ano realizada na festa da Isto É

Não, amigos, tudo que está acontecendo não é coincidência.

Agora, fique abaixo com os premiados e as justificativas da revista. Não deixe de ler. Mas lembre-se o tempo todo, o texto não é meu. E eu nunca chamaria isso de jornalismo.

MICHEL TEMER – Brasileiro do Ano

Presidente do Brasil
Em 2016, o presidente Michel Temer (PMDB)  recebeu a missão de assumir o comando do País em um momento conturbado política e economicamente.

SÉRGIO MORO – Justiça

Juiz Federal
Atuando na 13ª Vara Federal em Curitiba (PR), o juiz Sérgio Moro, 44 anos, ganhou notoriedade no Brasil e no mundo ao comandar a Operação Lava Jato, a maior investigação da história sobre uma rede de corrupção no País e que levou à prisão, à investigação e ao julgamento de grandes empresários e políticos envolvidos no esquema dentro da Petrobras. Moro já deu sentenças condenando 93 corruptos a penas de quase mil anos de cadeia, tendo aberto até agora 37 ações penais que já tornaram réus 179 pessoas, incluindo o ex-presidente Lula.

Seu trabalho tem lhe rendido o título de ‘herói brasileiro’, que ele rejeita, mas que beira à celebridade, sendo aplaudido aonde vai, seja no mercado, no restaurante ou no cinema.

Apesar dos apelos da população, o juiz não pretende entrar na carreira política, e, por enquanto, o foco está na Lava Jato, que, com quase três anos, ainda deve se estender por um tempo, principalmente após a esperada delação dos executivos da Odebrecht.

GRAZI MASSAFERA – Televisão

Atriz
Em 2016 Grazi se consolidou como um dos principais nomes da TV brasileira ao interpretar uma modelo que acabou entrando no mundo das drogas viciada em crack na novela Verdades Secretas. Por sua excepcional interpretação, Grazi chegou a ser indicada ao Emmy como Melhor Atriz.

ISAQUIAS QUEIROZ – Esporte

Atleta/canoagem
O canoísta baiano de 22 anos se consagrou em 2016 como o maior medalhista olímpico brasileiro ao conquistar três medalhes na Rio2016, sendo duas de prata e uma de bronze, feito inédito não só para um brasileiro como na história dos jogos olímpicos.

 ANTONIO FAGUNDES – Teatro

Ator

Sucesso na telinha e no palco. Antônio Fagundes, 67 anos, brilhou na TV em 2016 com o personagem Afrânio de Sá Ribeiro, o coronel Saruê, na novela global “Velho Chico”. Além disso, inovou no teatro com a peça ‘Vermelho’, texto de John Logan sobre a vida do pintor norte-americano Mark Rothko (1903-1970), em que, ao final, leiloava uma obra produzida ao longo do espetáculo. A peça ainda ganhou fama ao não recorrer a patrocinadores ou leis de incentivo à cultura, conseguindo atrair centenas de pessoas à plateia antes mesmo de estrear, pois abriu ao público desde a primeira leitura do texto, ação que, aliada ao leilão das obras, ajudou a subsidiar a montagem.

EDUARDO PAES – Gestão

Prefeito do Rio de Janeiro
Eleito prefeito da cidade do Rio de Janeiro em 2009 e reeleito 2012 o peemedebista coroou suas gestões com o sucesso dos Jogos Olímpicos, realizados no Rio de Janeiro este ano.

JOÃO DORIA – Revelação na Política

Prefeito eleito de São Paulo
Um paulistano que surpreendeu no cenário político nacional ao ser eleito no primeiro turno das eleições municipais em outubro com 53% dos votos válidos, ou mais de 3 milhões de votos. João Doria entra para o mundo político após uma trajetória consolidada no meio empresarial.

LAÍS RIBEIRO – Moda

Modelo
A top piauiense de 25 anos é uma das angels da marca mais famosa de lingerie, Victoria´s Secret, sendo a terceira brasileira a desfilar para a grife.

Este ano, Laís abalou Paris dividindo a passarela com as veteranas Alessandra Ambrosio, Adriana Lima e a diva pop Lady Gaga. Laís, que tinha o sonho de ser enfermeira, hoje tem – e já teve – contratos milionários com as principais grifes do mundo como Gucci, Dior, Dolce&Gabbana e Ralph Lauren. Já foi declarada musa do estilista francês Jean Paul Gaultier.

A Brasileira do Ano na Moda, Laís também é embaixadora mundial do Bottletop, projeto de engajamento social e sustentável para ajudar na renda de mulheres artesãs do Brasil e da África, que produzem peças com anéis de latinhas de alumínio.

RICARDO BOECHAT – Comunicação

Jornalista
Colunista de IstoÉ há 10 anos, âncora do telejornal da TV Bandeirantes e da BandNews FM, Ricardo Boechat, 64 anos, se destacou como uma das principais figuras da comunicação em um ano cheio para o jornalismo.

Sua relevância foi além das fronteiras nacionais. Foi o único jornalista latino-americano a participar do terceiro e último debate entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton e Donald Trump.

No rádio, tem um dos programas de maior audiência do País. Foi reconhecido pelos próprios colegas da imprensa como o melhor apresentador e âncora de rádio ao ganhar o Prêmio Comunique-se.

Com estilo único de informar, Boechat ganhou espaço também nas redes sociais.  Em tempos de polaridade, sua credibilidade fez de Boechat o único profissional de imprensa seguido nas redes tanto por partidários de Dilma Rousseff como por aqueles a favor do impeachment da presidente, segundo pesquisa do jornal El Pais.

LUDMILLA – Música

Cantora
Com apenas 21 anos, Ludmilla, que começou a carreira como MC Beyoncè,  faz uma média de 20 shows por mês apresentando seu funk que a consagrou como uma das maiores vendedoras de hits do país.

O sucesso se estende às redes sociais. Seu novo clipe, “A Danada Sou Eu”, teve, teve 10 milhões de visualizações em apenas um mês. A jovem também arrasou em sua participação na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de janeiro.

BENEDITO RUY BARBOSA – Cultura
Autor de novelas
Responsável por clássicos da dramaturgia brasileira, como O Rei do Gado, Benedito Rui Barbosa emplacou mais um sucesso na TV com a produção “Velho Chico”, sucesso no horário nobre da Globo.

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