Quando uma CPI contra milícias serve de chantagem contra um presidente da República, fica claro qual o consenso entre a classe política sobre quem é Bolsonaro e quais suas relações.https://t.co/DLeeD6rYOs
EL PAÍS - Levantamento da Pública mostra que outros cinco assessores
prestaram serviços de campanha enquanto estavam contratados pelo atual
presidente ou seus três filhos
A “rachadinha” – apropriação de salários de assessores
nomeados por parlamentares – voltou à baila no final de 2018, quando o Conselhode Controle de Atividades Financeiras (COAF) identificou movimentações
financeiras suspeitas na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro(ALERJ), envolvendo inclusive o atual senador Flávio Bolsonaro. Porém, quando
se trata de doações eleitorais, os assessores responsáveis pelos maiores
repasses à família do presidente foram aqueles ligados diretamente a Jair Bolsonaro. É o que revela um levantamento da Pública, que identificou
transferências de recursos totalizando mais de 109 mil reais em repasses
financeiros e outros 5 mil reais em serviços, em valores atualizados.
O COAF, órgão que investiga lavagem de dinheiro, considerou
os depósitos feitos na conta de Flávio Bolsonaro suspeitos WILSON DIAS AGÊNCIA
BRASIL
Ao todo, foram 13 doações de sete assessores da família
entre 2004 e 2018. Mas as únicas transferências de recursos financeiros vieram
de apenas duas pessoas, homens de confiança de Jair Bolsonaro, por meio de
cheques, depósitos e transferências eletrônicas. O capitão do exército Jorge
Francisco e Telmo Broetto, ex-agente da Agência Brasileira de Inteligência
(Abin), fizeram juntos repasses de mais de 109 mil reais ao longo de 14 anos.
Outros cinco assessores fizeram doações menores, através de prestação de
serviços às candidaturas da família Bolsonaro – esse tipo de trabalho também
possui um valor que a Justiça Eleitoral considera como “doação estimada”.
“Não existe nada na lei eleitoral com restrições de doações
de pessoas físicas, nem assessores. Ou seja, não há impeditivo legal, mas isso
revela um vício do sistema político”, comenta Bruno Carazza, autor do livro
‘Dinheiro, eleições e poder: as engrenagens do sistema político brasileiro’.
Segundo ele, esta prática é chamada de patronagem. “Cria-se um incentivo para
contratar alguém que é próximo, correligionário ou não, e aquela pessoa tem o
compromisso de compartilhar o que ganhou, retornando para o partido ou para o
político que o nomeou”, explica Carazza.
A Pública tentou contato com Jair Bolsonaro, por meio da
Secretaria Geral da Presidência da República. Também buscamos os mandatos de
Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro para esclarecimentos sobre as doações. Por
email, o Palácio do Planalto afirmou que não se pronunciaria.
O maior doador foi Jorge Francisco, que trabalhou quase duas
décadas como assessor parlamentar de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados e
faleceu com 69 anos por conta de um infarto em 2018. Na ocasião, Bolsonaro o
descreveu como um “leal amigo de 20 anos”.
Ele foi um dos principais financiadores das candidaturas da
família. Sozinho, em quatro eleições entre 2004 e 2016, o ex-assessor Jorge
Francisco repassou ao todo 81 mil reais para Jair e sua prole, os
filhos-candidatos Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro, segundo registros do
Tribunal Superior Eleitoral. Para totalizar as doações, os valores de cada ano
foram atualizados de acordo com a inflação no período.
Em valores nominais, a maior doação identificada foi feita
por Jorge Francisco, em agosto de 2012. Enquanto seguia atuando como secretário
parlamentar de Jair Bolsonaro, ele fez uma transferência eletrônica de 15 mil
reais beneficiando o filho do chefe, Carlos, que se reelegeu vereador. Naquele
mês, a folha de pagamento de Jorge na Câmara registra 6,7 mil reais de
remuneração líquida. Ou seja, sua doação equivale a mais de dois meses de
salário.
O segundo principal assessor-doador foi Telmo Broetto, que
trabalhou como secretário parlamentar de Jair Bolsonaro entre 2005 e 2018 e
atualmente exerce o mesmo cargo no gabinete de Eduardo Bolsonaro, na Câmara dos
Deputados. Em 2006, por meio de cheque e depósito em espécie, Telmo apoiou a
candidatura do filho do patrão, Flávio Bolsonaro, na corrida para a Assembleia
Legislativa do Rio, pelo PP. O valor foi de 9 mil reais – o equivalente a mais
de 17 mil reais em valores atualizados.
Em 2014, Telmo Broetto e Jorge Francisco também apoiaram a
candidatura de Eduardo Bolsonaro à Câmara dos Deputados pelo PSC. O primeiro
repassou 11 mil reais, enquanto Telmo aportou 7 mil reais, em valores nominais.
Ambos trabalhavam como assessores de Bolsonaro.
À época, Telmo recebia 10 mil rais de salário na Câmara dos
Deputados, já descontados os abatimentos obrigatórios. Jorge Francisco ganhava
pouco mais de 5 mil reais.
Irmã de milicianos presos
Na terceira posição, entre os assessores que mais fizeram
doações de campanha para a família Bolsonaro, está Valdenice de Oliveira
Meliga, irmã de dois milicianos presos em 2018. De maio de 2018 até fevereiro
deste ano, ela exercia um cargo de confiança no gabinente da liderança do PSL
na ALERJ, sob comando de Flávio Bolsonaro. A IstoÉ mostrou que, durante a
campanha, Valdenice chegou a assinar cheques em nome de Flávio.
De acordo com as declarações de Flávio Bolsonaro ao Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), Valdenice prestou serviços de administração
financeira para sua candidatura ao Senado em 2018. O valor foi estimado em 5
mil reais.
A doação de Valdenice foi registrada no dia 15 de setembro
de 2018. Um dia depois constam doações de outros três assessores de Flávio
Bolsonaro para sua campanha, por meio de prestações de serviços envolvendo
carreatas, todas com valor estimado de 200 reais.
Os três assessores foram Miguel Ângelo Braga Grillo, coronel
da Aeronáutica e advogado, nomeado por Flávio na ALERJ em 2007, que hoje é seuchefe de gabinete no Senado Federal; Fernando Nascimento Pessoa, que foi
inicialmente contratado por Jair na Câmara em 2009 e migrou para o gabinete de
Flávio na ALERJ em 2014, assessorando-o hoje no Senado, com remuneração bruta
de 22,9 mil reais; e Alessandra Cristina Ferreira de Oliveira, que foi
funcionária de Flávio na ALERJ entre agosto de 2018 e fevereiro de 2019,
exercendo ainda funções de tesoureira do PSL no Rio de Janeiro e prestadora de
serviço a outras campanhas do partido.
Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro com Valdenice de Oliveira
e os irmãos gêmeos milicianos, presos na Operação Quarto Elemento.
INSTAGRAM/FLÁVIO BOLSONARO
Há proximidade de datas nos registros dos repasses de
assessores também em 2016, quando foram feitas prestações de serviços de
assessores, registradas em setembro. Nos dias 7 e 8, existem registros de
serviços prestados por Alessandra Ramos Cunha (assessora de Jair Bolsonaro na
Câmara entre 2014 e 2018) e o falecido homem de confiança do presidente, Jorge
Francisco, em prol da candidatura do vereador Carlos Bolsonaro pelo PSC,
totalizando 4 mil reais, em valores nominais.
Troca-troca de assessores
O levantamento feito pela Pública com dezenas de nomes de
assessores revela que é comum assessores passarem de um mandato para outro da
família Bolsonaro. Pelo menos, 15 pessoas passaram pelo gabinete de mais de um
membro da família. Outros acompanharam os Bolsonaro entre diferentes casas
legislativas.
O levantamento se baseou na prestação de contas eleitorais
do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2002, dados obtidos via Lei deAcesso à Informação e em pesquisas no Diário Oficial. Foram considerados 53
assessores dos mandatos de Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro na Câmara dos
Deputados em Brasília, além de 34 empregados de Flávio Bolsonaro na ALERJ.
A listagem de assessores na Câmara dos Deputados em Brasília
foi obtida pela Pública via Lei de Acesso à Informação (LAI). A ALERJ negou a
solicitação feita via LAI a respeito dos assessores de Flávio Bolsonaro. Neste
caso, os assessores foram identificados através de buscas no Diário Oficial. Já
a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro ignorou o pedido via LAI sobre
assessores de Carlos Bolsonaro – o que viola a lei – passado mais de um mês do
prazo estipulado para respostas.
Outras doações
No caso dos assessores Helen Cristina Gomes Vieira e Jorge
Antônio de Oliveira Francisco foram encontradas doações, mas elas foram
registradas em anos sem evidências de vínculo empregatício com a família
Bolsonaro. Portanto, os repasses não foram levados em conta no levantamento
geral.
No dia 16 de setembro de 2016, há um apoio de Helen Cristina
por meio de “distribuição de panfletos” para Carlos, com valor estimado à época
em 600 reais. Helen foi assessora de seu pai, Jair Bolsonaro, na Câmara entre
2013 e 2014, assumindo novamente um posto no ano seguinte à doação, entre 2017
e 2018. Hoje, ela trabalha como oficial de gabinete do vereador Carlos
Bolsonaro no Rio de Janeiro.
Em 2004, há um cheque para Carlos Bolsonaro de 1 mil reais,
em nome de Jorge Antonio de Oliveira Francisco, que era assessor parlamentar da
Polícia Militar do Distrito Federal e depois passou pelos gabinetes de Jair
Bolsonaro (2013-2015) e seu filho Eduardo (2015-2018). Em 2006, ele fez outra
transferência, com valor nominal de 4 mil reais, desta vez para Flávio. Agora,
comanda a subchefia jurídica da Casa Civil da Presidência da República.
O mesmo caso se deu com uma doação de 2002 feita por Jorge
Francisco para Flávio Bolsonaro de quase 6 mil reais. O valor atualizado seria
16.903 reais. Jorge foi nomeado em março de 2003 como assessor de Jair. Até a
publicação da reportagem, a Câmara não informou se o assessor já trabalhava lá
antes disso.
Assessor de Flávio Bolsonaro sob investigação
Suspeitas sobre a apropriação do salário de assessores por
parte de parlamentares ganharam destaque com a Operação Furna da Onça,
deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2018 para investigar casos de
corrupção na Assembleia Estadual do Rio de Janeiro (ALERJ). A Operação atingiu
a família do presidente quando um relatório financeiro identificou
movimentações bancárias atípicas de assessores de Flávio Bolsonaro, em especial
Fabrício Queiroz.
Ao Ministério Público, Queiroz afirmou que gerenciava
salários dos assessores para expandir a atuação parlamentar de FlávioBolsonaro, por meio da subcontratação de outros funcionários com o soldo de
seus colegas, sem o conhecimento do patrão. A prática não é autorizada pela
ALERJ.
“Nos gabinetes, o deputado é o gestor de sua equipe, sendo
responsável por determinar horários de trabalho, fiscalizar a frequência e
atestar as folhas de ponto. Não é permitido aos servidores ou aos gestores
fazer qualquer tipo de negociação sobre sua carga horária envolvendo pagamentos
em dinheiro. Também não é permitida a contratação de qualquer funcionário sem
sua nomeação, que é publicada no Diário Oficial do Legislativo, e a
apresentação de documentos para formalização do vínculo”, informou a
Assembleia, em nota.
Segundo COAF, Queiroz movimentou aproximadamente 7 milhões
de reais ao longo de três anos. Ao contrário daqueles identificados no
levantamento da Pública, estes repasses investigados pelas autoridades não
foram registrados oficialmente como doações em campanhas eleitorais. Os
repasses ainda estão sendo investigados.
Apesar de serem comuns nos parlamentos, a “rachadinha”
raramente é punida por juízes e sua tipificação não é consenso entre
especialistas. Em janeiro, a revista Época identificou que, entre 12 recentes
casos que ganharam repercussão, só 2 parlamentares foram condenados, podendo
ainda recorrer em instâncias superiores. Já o site Consultor Jurídico consultou
10 pesquisadores sobre o tema. Enquanto alguns afirmam que a prática configura
crime de peculato e desvio, outros a consideram corrupção passiva ou
improbidade administrativa e há quem diga que o ato sequer é passível de
punições.
Poucos doadores até 2018
Durante muito tempo, a família Bolsonaro teve poucos
doadores registrados no TSE. Em 2018, foi a primeira vez que uma candidatura do
grupo conseguiu superar a marca de 10 apoiadores. Até então, o dinheiro vinha
principalmente do partido, autofinanciamento e de recursos injetados por
assessores.
Jair Bolsonaro também foi apoiado por caciques da velha
política fluminense, como o ex-vice-governador Francisco Dornelles (PP) e o
Jorge Picciani (MDB), que encontra-se em prisão domiciliar por crimes de
corrupção investigados em um desdobramento da Lava-Jato no Rio de Janeiro. Em
valores nominais, Dornelles apoiou o atual presidente com uma “doação estimada”
de mais de 6 mil reais, em 2002, enquanto Picciani possui doações assim para
Flávio Bolsonaro em 2010, quando o apoiou por meio da prestação de serviços de
materiais de campanha e impressão de santinhos.
G1 - Valor do litro do combustível subiu de R$ 4,294 para R$
4,319.
O preço médio da gasolina nos postos do País aumentou pela
quarta semana seguida, segundo a pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, do
Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP).
Nesta semana, de acordo com o levantamento, o valor do litro
do combustível subiu 0,6%, de R$ 4,294 para R$ 4,319.
A pesquisa da ANP também apurou uma leve alta no preço do
litro do diesel. O aumento foi de 0,1%, de R$ 3,535 para R$ 3,540.
Já o valor do litro do etanol teve leve crescimento, de
0,2%, passando de R$ 2,962 para R$ 2,969.
Desde o início do ano, o preço da gasolina acumula queda de
0,6%. O valor por litro do diesel subiu 2,6%, e o do etanol aumentou 4,9%.
O presidente do Senado chileno, Jaime Quintana Leal, ganhou destaque da mídia brasileira nos últimos dias por ter recusado um convite do governo chileno para participar de um almoço com o presidente Jair Bolsonaro, que está visitando o Chile.
Em entrevista à BBC News Brasil, o parlamentar chileno disse que "os admiradores de Pinochet não são bem vindos no Chile". Bolsonaro declarou, no passado, ser admirador do ditador Augusto Pinochet, que, segundo ele, "fez o que tinha ser feito" no período em que comandou o país, desde o golpe militar - que o levou ao poder, - em 1973, até 1990, quando teve de entregar a presidência a um civil eleito após um plebiscito.
Durante os anos Pinochet, o Chile se modernizou, a economia cresceu - mas milhares de pessoas foram presas, mortas ou torturadas pelo Estado.
Em sua conta nas redes sociais, Quintana Leal, do Partido pela Democracia, que se define como sendo de centro-esquerda, já havia justificado que não participaria do almoço por causa de posicionamentos de Bolsonaro contra minorias sexuais, mulheres e indígenas. Quinta Leal é do grupo de oposição ao governo do anfitrião de Bolsonaro, o presidente Sebastián Piñera.
Em entrevista à BBC News Brasil em seu gabinete, Quintana Leal deixou claro que não questiona a legitimidade de Bolsonaro, que sua decisão "não tem a ver com o cargo da Presidência, mas com a pessoa de Jair Bolsonaro e suas declarações homofóbicas, misóginas e em relação à tortura. Participar de uma atividade de homenagem a ele (Bolsonaro), atingiria muitas pessoas de nosso país que se sentem prejudicadas por suas declarações".
Quintana Leal diz que declarações recentes do ministro-chefe
da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, elogiando Augusto Pinochet, jogaram sal em uma
ferida profunda ainda aberta na sociedade chilena. Lorenzoni disse que Pinochet
"teve de dar um banho de sangue" para ajeitar a economia do país.
"Esse é um tema muito doloroso para o Chile, não só
para quem foi vítima direta da violação de direitos humanos cometida pela
ditadura."
Segundo dados oficiais, mais de 3 mil pessoas foram assassinadas
e mais de 30 mil foram torturadas nos anos Pinochet.
"Quando ele (Bolsonaro) se declara um admirador de
Pinochet, isso é muito forte. Os admiradores de Pinochet não são bem vindos ao
Chile", afirma Quinta Leal, manifestando preocupação com o que Bolsonaro
"representa".
"Porque à medida que sigamos endossando lideranças que
começam com discursos populistas, mas terminam consolidando regimes
totalitários, a ameaça não é só para um país. Termina sendo uma ameaça para a
humanidade. Isso aconteceu na Europa dos anos 1930."
O presidente do Senado chileno ressaltou, entretanto, que
"se amanhã Bolsonaro ou o governo nos mandam um projeto que melhora as
relações de cooperação, isso tem prioridade e urgência".
"Reitero que o Brasil é um país com o qual nós queremos
ter o melhor entendimento, temos profundo respeito pelo povo brasileiro e temos
uma relação comercial muito boa. O Brasil é muito importante para o Chile, e
acredito que o contrário também."
Ao chegar ao Chile na quinta-feira, Bolsonaro foi questionado
sobre a recusa de Quintera Leal mas evitou aprofundar a discussão. "Os
convidados para o almoço, isso não foi feito pela minha assessoria. Quem
convidou aqui do Chile sabia quem estava convidando", respondeu a
jornalistas.
Prosul e Venezuela
Para realçar que sua diferença com Bolsonaro se dá em um
plano mais estreito do que o do espectro político, Quintana Leal relatou que
aceitou almoçar com outro presidente de direita, Iván Duque, da Colômbia, que é
um presidente de direita, com quem tem "posições bastante
antagônicas".
"Dividimos a mesa, em um clima muito civilizado. Mas
nunca escutei de Duque expressões que atacam os pilares centrais da democracia,
os valores essenciais de direitos humanos."
Duque está no Chile para participar do encontro de chefes de
Estado da América do Sul que discutirá a criação de um novo organismo
internacional na América Latina, para substituir a Unasul, União de Nações
Sul-Americanas, entidade considerada de esquerda. A nova iniciativa tem sido
chamada informalmente de Prosul.
A exemplo de Piñera e Bolsonaro, Quintana Leal vê essa
iniciativa com bons olhos. "Nós concordamos com o presidente Piñera de que
é importante ter uma referência regional e a Unasul já não estava cumprindo
esse objetivo de se reunir, com cooperação, interação", diz, acrescentando
ser necessário o cuidado de "não se trocar um organismo internacional
ideológico por outro tão ideológico quanto o anterior".
Os líderes que participam do encontro são identificados com
a nova onda de direita que tingiu o mapa latino-americano de azul, desde a
primeira eleição de Piñera, em 2010. Ela sucede uma voga de governos de
esquerda e centro-esquerda, na América Latina, iniciada no começo dos anos
2000.
Quinta Leal diz acreditar que essas alternâncias na região
são cíclicas. "Como Duque, Piñera... São países que têm alternância no
poder. Pode ganhar um setor ou outro. E, na região, regimes como o de Maduro,
com o qual não concordamos, não ajudam precisamente a força de
centro-esquerda."
O presidente do Senado chileno diz ser necessário
"buscar uma saída pacífica, diplomática e democrática para a crise
humanitária na Venezuela", mas que a melhor saída para isso não é
"lógica militar, como defende (o presidente americano Donald) Trump".
"Se depositamos nas Nações Unidas a confiança para
resolver temas complexos, que afetam a democracia, a liberdade, temos que ser
coerentes com isso. E não buscar soluções bilaterais ou com visões particulares
para tentar resolver essa crise."
Mandado de prisão assinado por Marcelo Bretas se deu na
semana em que a troca de farpas entre Maia e Moro chegou ao ápice, com o
presidente da Câmara afirmando que o ex-juiz se comporta como presidente da
República
Jornal GGN – A operação da Lava Jato no Rio de Janeiro que
prendeu, nesta quinta (21), Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco,
entre outros nomes ligados à cúpula do MDB, ocorre paralelamente à briga entre
Sergio Moro – colega do juiz Marcelo Bretas – e Rodrigo Maia – genro de Moreira
Franco – por causa do pacote anticrime apresentado à Câmara.
Na noite anterior ao cumprimento dos mandados de prisão e
busca e apreensão pela PF, Moro e Maia intensificaram a troca de farpas
publicamente. O presidente da Câmara disse à imprensa que o ministro da Justiça
está extrapolando sua competência ao se comportar como presidente da República
e exigir que a Câmara discuta seu pacote de mundanças na legislação penal.
A mensagem desagradou Moro, que usou o Instagram da esposa,
Rosangela Moro, para divulgar uma nota oficial, na noite de quarta (20),
insinuando que os deputados fazem corpo mole em relação ao pacote anticrime e
que o País já não aguenta mais empurrar corrupção para debaixo do tapete.
O mandado de prisão contra o sogro de Maia e outros emedebistas
foi emitido por Bretas em 19 de março. Na véspera, a imprensa noticiava que o
presidente da Câmara desacelerou a tramitação do pacote anticrime criando um
grupo especial que deverá debater as propostas por pelo menos 90 dias. Somente
depois disso é que o projeto será enviado para uma das comissões permanentes da
Casa.
Na visão de Moro, o Congresso deve tocar o pacote anticrime
e a Reforma da Previdência ao mesmo tempo. Maia, para quem Moro não tem poder
de decisão sobre os trabalhos da Câmara, também alegou que a nova previdência é
a prioridade.
Além disso, a operação que leva à prisão mais um
ex-presidente da República ocorre no momento em que a Lava Jato está sob forte
pressão. O Supremo Tribunal Federal julgou, recentemente, que caixa 2 deve ser
julgado pela Justiça Eleitoral, esvaziando denúncias construídas pelos
procuradores que atuam na operação. Além disso, a turma de Deltan Dallagnol
entrou na mira do STF por causa do fundo bilionário construído com R$ 2,5
bilhões da Petrobras.
O Brasil assiste ao exercício de um dos traços do nosso
celebrado Homem Cordial: a hipocrisia.
A prisão dos gângsters Michel Temer e Moreira Franco permite
que os moradores e serviçais da Casa Grande demonstrem sem qualquer pudor essa
característica essencial: a dissimulação, o fingimento.
Eles descobriram agora que o Temer e o Moreira são ladrões!
Roubaram R$ 1,8 bilhão!
E, na tentativa de envernizar a biografia, eles passam a
saudar a Lava Jato que os prendeu com muitos anos de atraso.
A mesma Lava Jato do Moro que, anos atrás, se recusou a
aceitar essa delação que levou agora os dois ao cárcere.
Hoje os dissimulados saúdam a higiene do sistema.
Os safados estão presos!
Como dizia a Dilma, são todos moralistas sem moral.
Na hora de derrubar a Dilma, uma mulher honesta, uma
Presidenta honesta, e abrir a porta para instalar o neolibelismo, o Temer e o
Moreira eram dois estadistas.
Esses mesmos gatunos de hoje pareciam Winston Churchill.
Rasgaram a Constituição para dar o poder à máfia - e os
hipócritas diziam que foi tudo dentro da Constituição...
Ai de quem falasse em Golpe!
Quando o Temer tentou se esconder atrás de pseudo-gênios
tucanos - o Ilan, o Pedro Malan Parente e a Maria Silvia -, diziam que ele
escalou o dream team, a Seleção Brasileira de 1950.
É porque ele fez um projeto de Reforma da Previdência que
eles diziam que curava até dor de corno.
Quando a Câmara não deixou processar o chefe dos
malfeitores, ufa, que alívio! Foi preservada a governabilidade, disseram...
Para garantir a Reforma da Previdência dos bancos.
E manter intacta a ponte para o futuro... do salteador
Moreira Franco.
Quando o Ministrário Gilmar Mendes despachava no escuro do
Palácio Jaburu com a dupla de sicários, a Casa Grande e seus fâmulos se
calavam.
Cães danados, agora, todos a eles!
Viva a Lava Jato!
A Pátria está salva!
Não importa se a Constituição tenha sido estuprada para dar
o poder a essa Camorra!
Então, como agora, o que interessa é garantir o meu... quer
dizer, o dos bancos!
247 - Pesquisa realizada pelo Ibope e divulgada nesta
quarta-feira, 20, mostra que o presidente Jair Bolsonaro perdeu 15 pontos
percentuais de popularidade nos primeiros sessenta dias de governo.
A proporção de quem considera sua administração boa ou ótima
caiu de 49% em janeiro para 39% em fevereiro e chegou a 34% em março, segundo a
pesquisa do Ibope, divulgada pelo jornalista José Roberto de Toledo, da revistaPiauí.
Percentual da população que considera seu governo ruim ou
péssimo subiu de 11% em janeiro para 24% em março. Outros 34% consideram que é
regular, e 8% não souberam avaliar.
Se 62% diziam confiar no presidente em janeiro, só 49% ainda
confiam nele agora. Perda de 13 pontos. Ao mesmo tempo, a desconfiança saltou
de 30% para 44%.
"Em comparação com outros presidentes eleitos, porém, o
começo da passagem de Bolsonaro pelo Palácio do Planalto é o pior já
registrado. Nos seus primeiros mandatos, Dilma, Lula, Fernando Henrique e
Collor sustentaram taxas mais altas do que os 34% de Bolsonaro nos meses
iniciais. A popularidade deles só ficou abaixo desse patamar nos segundos mandatos
de FHC e Dilma, quando os presidentes já acumulavam mais de quatro anos de
desgastes", diz o jornalista José Roberto de Toledo.
A pesquisa foi realizada entre 16 e 19 de março, em todas as
regiões do Brasil, com a população de 16 anos ou mais. A margem de erro é de
dois pontos, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
O tombo de Bolsonaro no Iboje repercute fortemente na Câmara. Isso tem a ver com o projeto de reforma da Previdência, mas também com o “conjunto da obra. Explico neste vídeo gravado no plenário aqui em Brasília.#ReajaOuSuaPrevidênciaAcaba#SomosResistênciapic.twitter.com/KAM9C9JqRP
G1 - Relatório aponta transações financeiras atípicas enquanto
jovem personal trainner trabalhou no gabinete de Jair Bolsonaro
RIO — Um novo relatório do Conselho de Controle de
Atividades Financeiras (Coaf) enviado ao Ministério Público do Rio (MP-RJ)
mostra outras movimentações atípicas na conta corrente de Nathália Melo de
Queiroz, filha de Fabrício Queiroz e ex-assessora do presidente Jair Bolsonaro
quando ele era parlamentar na Câmara dos Deputados.
Entre junho e novembro do ano passado, a conta de Nathália
recebeu o montante de R$ 101 mil, entre o salário na Câmara e outros
rendimentos. Deste total, ela repassou para seu pai R$ 29,6 mil, o equivalente
a 80% do total de R$ 36,6 mil que ganhou como assessora de Jair Bolsonaro.
Queiroz é investigado pelo MP-RJ em apuração sobre possível
prática de “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio — quando servidores
devolvem parte dos salários aos deputados que os nomearam. Em fevereiro, o
ex-assessor confirmou em depoimento por escrito que servidores do gabinete de
Flávio Bolsonaro devolviam parte do salário e que esse dinheiro era usado para
ampliar a rede de colaboradores junto à base eleitoral do então deputado.
O advogado Modesto Carvalhosa tem uma ligação mais forte com
a autoproclamada "força tarefa" de Curitiba do que a pauta populista
que os une. Eles são sócios no negócio de R$ 2,5 bilhões da Petrobras que
pretendem empalmar com a criação de uma fundação administrada pelos
procuradores da República de Curitiba.
O acordo que os procuradores, em nome do Estado brasileiro,
assinaram com o governo americano prevê que metade do dinheiro recebido
destina-se à "satisfação de eventuais condenações ou acordos com acionistas
que investiram no mercado acionário brasileiro (B3) e ajuizaram ação de
reparação, inclusive arbitragens, até a data de 8 de outubro de 2017". E é
o escritório de Carvalhosa que representa esses acionistas.
Os sócios minoritários brasileiros, se entusiasmaram com a
vitória obtida pelos investidores nos Estados Unidos. No pedido feito na Câmara
de Arbitragem do Mercado, da B3, a bolsa de valores de São Paulo, Carvalhosa
pede até R$ 80 bilhões de indenização.
Na sexta-feira (15/3), o ministro Alexandre de Moraes
suspendeu o acordo por falta de previsão legal para que o MPF agisse como agiu,
e muito menos para desviar o destino do dinheiro, que deveria ser o Tesouro,
para uma fundação gerida pelos signatários. Para Carvalhosa, no entanto,
Alexandre de Moraes fez isso porque "eles não gostam da 'lava jato'".
O advogado vai mais longe: afirma que, mesmo que o acordo
seja considerado válido, as arbitragens de acionistas da Petrobras não serão
encerradas. Ele espera que esses casos terminem em acordos pelos quais a
estatal se comprometa a pagar algo entre R$ 14 bilhões e R$ 20 bilhões de
indenização a seus clientes.
O acordo
No Brasil, a Petrobras se diz vítima de um esquema corrupto
organizado por alguns de seus ex-diretores e por donos de grandes empreiteiras,
para alimentar o sistema político com propinas. Nos EUA, entretanto, a empresa
foi considerada responsável pela bandalheira. Para evitar ser julgada por lá,
comprometeu-se a pagar US$ 2,95 bilhões para encerrar uma disputa com
acionistas minoritários e US$ 832,2 milhões à SEC, agência reguladora do
mercado de capitais americano, e com o Departamento de Justiça para encerrar
uma investigação.
No acordo com a SEC, ficou combinado que 80% do valor pago
serão destinados ao Brasil. Metade desses 80% iriam para a fundação do MPF. A
outra metade, para um acordo com acionistas que tiverem iniciado ações
judiciais ou arbitrais na câmara arbitral da B3, justamente onde corre a ação
patrocinada por Carvalhosa.
Na arbitragem, os acionistas argumentam que, de 2010 a 2015,
a estatal divulgou dados falsos em seus balanços e fatos relevantes, levando-os
a ter prejuízos.
Em 2014, após a revelação de um esquema de corrupção, a
petrolífera registrou prejuízo de R$ 21,6 bilhões – e R$ 6,2 bilhões de perdas
com os desvios. No ano anterior, tinha obtido lucro de R$ 23,6 bilhões. Com
isso, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) caíram para R$ 12,18 em julho
de 2015 – ante R$ 37,32 em janeiro de 2010 – uma queda de mais de dois terços.
As ações ordinárias (PETR3) tiveram desvalorização semelhante.
Decisão criticada
Carvalhosa defende a legalidade do acordo bilionário e
garante que a "lava jato" está sob ataque. "A maioria dos
ministros do Supremo quer prejudicar a ‘lava jato’. Em tudo o que puderem
prejudicar, prejudicam", afirma.
"Eles estão querendo liquidar a ‘lava jato’, como
ocorreu na Itália com a operação Mani Pulite [mãos limpas]. Agora mesmo
decidiram que caixa dois é crime eleitoral para retirar da ‘lava jato’ todos os
processos de corrupção. É toda uma série de medidas para terminar a luta contra
a corrupção”, disse o advogado à ConJur.
Carvalhosa garante que a decisão de Alexandre de Moraes está
errada, porque o dinheiro da Petrobras não é público. Assim, diz, não haveria
problema de o MPF geri-lo. Embora a jurisprudência do Supremo diga que o
dinheiro deve ir para o ente lesado, no caso a União, e a autoridade
responsável por representar o lado brasileiro devesse ser o Ministério da
Justiça – conforme prevê o MLat, citado no acordo do MPF com a Petrobras.
Para Carvalhosa, deixar o dinheiro com o MPF seria positivo,
"pois daria à sociedade brasileira a possibilidade de gerir recursos sem a
conspiração do governo e do STF de acabar com a ‘lava jato’", declara.
247 – A reconversão do Brasil em colônia terá um capítulo
importante nesta segunda-feira, quando a Casa Branca exigirá do Brasil ações
concretas contra Cuba, Nicarágua e Venezuela – países que os Estados Unidos
julgam fazer parte de um trio de tirania. Donald Trump também exige de Jair
Bolsonaro ações contra o Irã e China, que é o maior parceiro comercial do
Brasil. Se ceder a Trump, na prática, os Estados Unidos venderão para a China o
que hoje é vendido pelo Brasil, causando prejuízos bilionários ao agronegócio
que já se arrepende de ter apoiado um projeto de Brasil Colônia.
"O Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados
Unidos, John Bolton, receberá na manhã desta segunda-feira na Casa Branca o
ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno. Na
pauta dos homens fortes dos governos americano e brasileiro estarão Venezuela,
Nicarágua, Cuba, China e Irã. A reunião, que terá a participação do assessor
internacional da Presidência, Filipe Martins, servirá como um preparatório para
o encontro dos presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro na terça-feira",informa a jornalista Jussara Soares, do Globo. "Na prática, os Estados
Unidos querem o comprometimento do Brasil em ações efetivas contra Venezuela,
Nicarágua e Cuba. O conselheiro de Segurança da Casa Branca classifica o trio
como como a 'troika da tirania' na América Latina."
"As relações comerciais com a China também estarão na
pauta. Os americanos tentam atrair o apoio de Bolsonaro na guerra comercial
contra os chineses, para que o país oriental tenha menos influência na América
Latina. A China, no entanto, é o principal parceiro comercial do Brasil",
aponta a jornalista.
Sputnik - O presidente brasileiro Jair Bolsonaro assinou um acordo
nesta segunda-feira para abrir uma base para o lançamento de satélites aos EUA,
enquanto apelava por relações calorosas com Donald Trump em uma visita a
Washington.
O líder conservador, que se encontrará com Trump na Casa
Branca nesta terça-feira, tem afinidades ideológicas com o líder dos EUA e
quebrou o precedente brasileiro dirigindo-se a Washington, e não à Argentina,
para sua primeira viagem oficial ao exterior.
Brasil e os EUA assinaram acordo de salvaguardas tecnológicas para permitir o uso comercial do centro de lançamento de Alcântara, no Maranhão. O acordo prevê que os EUA poderão lançar satélites e foguetes da base maranhense. O território continuará sob jurisdição brasileira.
O não chancelamento deste acordo, que agora depende da aprovação do Congresso Nacional, faz há muito tempo com que o Brasil perca muito dinheiro por não explorar esta área privilegiada para realização de tal manobra de forma comercial.
Promovendo uma abordagem favorável às empresas depois de
mais de uma década de presidentes socialistas, Bolsonaro assinou um acordo com
empresas americanas sobre salvaguardas técnicas para permitir lançamentos de
satélites comerciais da base de Alcântara, no estado do Maranhão.
"Devemos agradecer a Deus pela recente mudança de
ideologia no Brasil", afirmou Bolsonaro na Câmara de Comércio dos EUA.
"Queremos ter um ótimo Brasil, assim como Trump quer tornar a América
ótima".
Alcântara é um local ideal, uma vez que fica perto do
Equador, diminuindo as necessidades de combustível em 30%. O Brasil espera que
a base leve uma fatia do mercado de lançamento multibilionário ao concorrer com
o centro espacial Kourou, na Guiana Francesa.
Mas o acordo precisa da aprovação do Congresso brasileiro,
que bloqueou um acordo similar do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,
alegando que o país perderia a soberania para os Estados Unidos.
O ministro brasileiro de Ciência e Tecnologia, Marcos
Pontes, que foi o primeiro astronauta do país, comparou o status proposto de
Alcântara a um hotel.
"Imagine que você trouxe a tecnologia para o seu
quarto. Você tem a chave e eu, o dono do hotel, posso entrar, se
necessário", declarou.
As aspirações do Brasil para Alcântara foram prejudicadas
por uma explosão em 2003, na qual 21 técnicos foram mortos.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um acordo
para a Ucrânia lançar equipamentos da base, mas o acerto foi encerrado, com o
Brasil citando os desenvolvimentos econômicos e tecnológicos.
Bolsonaro - cujos laços estreitos com os interesses
comerciais e agrícolas têm assustado os ambientalistas - disse que esperava
investimentos dos EUA além da base espacial.
"Em diferentes áreas, minerais, agricultura,
biodiversidade - temos imensa biodiversidade na Amazônia - gostaríamos muito de
ter uma parceria com esse país que eu admiro", afirmou sobre os Estados
Unidos.
Bolsonaro disse que também falaria com Trump sobre sua campanha
conjunta para derrubar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
"Não podemos deixá-los do jeito que estão. Temos que
libertar a nação da Venezuela. É por isso que contamos com os Estados Unidos
para alcançar esse objetivo", completou.
Carta do ex-presidente Lula aos comitês Lula Livre
Em carta enviada ao Encontro Nacional Lula Livre, o
ex-presidente fala sobre sua prisão política, o lawfare da Justiça e agradece
todo apoio dado pela militância
Meus amigos e minhas amigas,
Quero, em primeiro lugar, agradecer a solidariedade e o
carinho que tenho recebido do povo brasileiro e de lideranças de outros países,
neste quase um ano em que me encontro preso injustamente. Agradeço
especialmente aos companheiros da vigília em Curitiba, que me confortam todos
os dias, aos companheiros que constituem os comitês Lula Livre dentro e fora do
Brasil, aos advogados, juristas, intelectuais e cidadãos democratas que se
manifestam pela minha libertação.
A força que me faz resistir a essa provação vem de vocês e
da convicção de que sou inocente. Mas resisto principalmente porque sei que
ainda tenho uma missão importante a cumprir neste momento em que a democracia,
a soberania nacional e os direitos do povo brasileiro são ameaçados por
interesses econômicos e políticos poderosos, inclusive de potências
estrangeiras.
Como sempre fiz em minha vida, e lá se vão mais de 45 anos
de atividade sindical e política, encaro essa missão como um desafio coletivo.
A luta que faço para ter um julgamento justo, em que minha inocência seja
reconhecida diante das provas irrefutáveis da defesa, só faz sentido se for
compreendida como parte da defesa da democracia, da retomada do estado de
direito e do projeto de desenvolvimento com inclusão social que o país quer
reconstruir.
A cada dia que passa fica mais claro para a população e para
a opinião pública internacional que fui condenado e preso pelo único motivo de
que, livre e candidato, seria eleito presidente pela grande maioria da
população. Minha candidatura era a resposta do povo ao entreguismo, ao abandono
dos programas sociais, ao desemprego, à volta da fome, a todo o mal implantado
pelo golpe do impeachment. É uma luta que temos de levar juntos, em nome de
todos.
Para me tirar das eleições, montaram uma farsa judicial com
a cobertura dos grandes meios de comunicação, tendo a Rede Globo à frente.
Envenenaram a população com horas e horas de noticiário mentiroso, em que a
Lava Jato acusava e minha defesa era menosprezada, quando não era simplesmente
censurada. A Constituição e as leis foram desrespeitadas, como se houvesse um
código penal de exceção, só para o Lula, no qual meus direitos foram
sistematicamente negados.
Como se não bastasse me prender, por crimes que jamais
cometi, proibiram que eu participasse dos debates e das sabatinas no processo
eleitoral; proibiram minha candidatura, contrariando a lei e a ONU; proibiram
que eu desse entrevistas, proibiram até que eu comparecesse ao velório de meu
irmão mais velho. Querem que eu desapareça, mas não é de mim que têm medo: é do
povo que se identifica com nosso projeto e viu em minha candidatura a esperança
de recuperar o caminho de uma vida melhor.
Dias atrás, ao me despedir do meu querido neto Arthur, senti
todo o peso da injustiça que atingiu minha família. O pequeno Arthur foi
discriminado na escola por ser meu neto e sofreu muito com isso. Então, prometi
a ele que não vou descansar até que minha inocência seja reconhecida num
julgamento justo.
Na emoção daquele momento, recordo-me de ter dito: “Vou te
mostrar que os verdadeiros ladrões são os que me condenaram”. Pouco depois, o
jornalista Luís Nassif revelou ao público o acordo ilegal e secreto entre os
procuradores da Lava Jato, a 13a. Vara Federal de Curitiba, o governo dos
Estados Unidos e a Petrobras, envolvendo uma quantia de 2,5 bilhões de reais.
Essa quantia foi tomada à maior empresa do povo brasileiro
por uma corte de Nova Iorque, com base em delações levadas a eles pelos
procuradores do Brasil.
E eles foram lá aos Estados Unidos, com a cobertura do então
procurador-geral da República, para fragilizar ainda mais uma empresa que é alvo
de cobiça internacional.
Em troca dessa fortuna, a Lava Jato se comprometeu a
entregar ao estrangeiro os segredos e informações estratégicas da nossa
Petrobras.
Não se trata de convicções, mas de provas concretas:
documentos assinados, atos de ofício de autoridades públicas. Estes moralistas
sem moral ocupam hoje altos cargos no governo que só foi eleito porque eles
impediram minha candidatura. Mas quem está preso é o Lula, que nunca foi dono
de apartamento nem de sítio, que nunca assinou contratos da Petrobras, que
nunca teve contas secretas como essa fundação que foi descoberta agora.
Mais do que manifestar indignação com esses fatos, quero
dizer a vocês que o tempo está revelando a verdade. Que não podemos perder a
esperança de que a verdade vencerá, e ela está do nosso lado. Por isso, peço a
cada um e a cada uma que fortaleçam cada vez mais a nossa luta pela democracia
e pela justiça. E só vamos alcançar esses objetivos defendendo os direitos do
povo e a soberania nacional, porque foi contra estes valores que fizeram o
golpe e interferiram na eleição. Foi para entregar nossas riquezas e reverter
as conquistas sociais. Que os comitês Lula Livre tenham isso bem claro e atuem
cada vez mais na sociedade, nas redes, nas escolas e nas ruas.
Tenho fé em Deus e confiança em nossa organização para
afirmar com muita certeza: nosso reencontro virá. E o Brasil poderá sonhar
novamente com futuro melhor para todos.
Muito obrigado, e vamos à luta, companheiros e companheiras.