A ex-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, visitou o
Instituto Lula em São Paulo, nesta sexta-feira (9), onde se reuniu com o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula e Cristina falaram sobre a atual
situação da América Latina e dos dois países.
Lula disse que se reunir com Cristina é “reviver um bom
momento da história política da América do Sul e das relações entre Brasil e
Argentina” e lamentou que agora Brasil e Argentina tenham governantes que não
entendem a importância da integração latino-americana: “são pessoas que tem uma
visão muito subordinada à política americana”.
Cristina concordou e disse que estar com Lula é “estar com
os melhores anos da nossa região” e que eles seguirão conversando pelo bem da
América do Sul e América Latina.
Lula entregou à Cristina o livro "O caso Lula - a luta
pela afirmação dos direitos fundamentais no Brasil", organizado pelo
advogado Cristiano Zanin Martins, a advogada Valeska Teixeira Zanin Martins e
Rafael Valim, professor da PUC-SP, que foi lançado nesta semana.
Cristina está no Brasil para participar de um ato com a
ex-presidenta Dilma Rousseff na noite desta sexta-feira em São Paulo.
Delegação argentina
Além de Cristina, Lula recebeu também uma delegação de três
prefeitos, quatro deputadas nacionais e secretários municipais argentinos. O
ex-presidente questionou as deputadas sobre a composição no parlamento e se
entusiasmou ao saber que 35% de mulheres o compõe. "Ainda somos poucas,
queremos mais", disse a deputada nacional, Juliana Di Tullio.
Lula falou um pouco sobre a situação política no Brasil e
comparou com a Argentina. "Estamos vivendo um processo político e não
jurídico. E o que está acontecendo aqui, é o mesmo que está acontecendo na
Argentina, querem destruir tudo que conquistamos nos nossos governos".
#LibertenAMilagro
Milagro Sala, líder Tupac Amaru, deputada do Parlamento do
Mercosul e ex-deputada regional na Argentina foi presa no dia 16 de janeiro
deste ano por participar de um acampamento em protesto contra o governador da
província de Jujuy. Desde então, ela está presa. O juiz do primeiro caso
determinou sua soltura em 29 de janeiro, mas no mesmo dia ela recebeu nova
acusação e seguiu na prisão. Em 28 de outubro, o Grupo de Trabalho sobre
Detenção Arbitrária do Conselho de Direitos Humanos da ONU considerou que a
prisão de Milagro Sala foi arbitrária e solicitou sua libertação. Em 2 de
dezembro foi a vez da Comissão Interamericana de Direitos Humanos pedir que o
governo argentino ratificasse a decisão anterior da ONU.
Paraná 247 – Assim como no primeiro dia de audiência do
processo contra o ex-presidente Lula na Lava Jato, em que todas as testemunhas
de acusação o inocentaram, o mesmo aconteceu nesta quarta-feira.
No primeiro dia, falaram Delcídio Amaral, Eduardo Leite e
Augusto Mendonça. Todos disseram desconhecer qualquer ligação do ex-presidente
Lula com o imóvel do Guarujá (SP), que é o foco da denúncia (leia aqui).
Desta vez, falaram Pedro Barusco, Pedro Corrêa e Paulo
Roberto Costa e o cenário se repetiu.
Confira, abaixo, vídeo sobre a audiência:
Leia, ainda, nota dos advogados do ex-presidente Lula:
Mais uma vez, as testemunhas arroladas pelo Ministério Público Federal para a segunda audiência realizada dia (23/11) na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba isentaram o ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva em relação à acusação de recebimento de qualquer vantagem indevida por meio de um tríplex no Guarujá.
Foram ouvidos Pedro Corrêa, Paulo Roberto Costa e Pedro Barusco. Todos negaram (i) a realização de qualquer reunião com Lula em que ele tenha solicitado ou recebido vantagem indevida ou, ainda, (ii) qualquer relação entre Lula e o tríplex do Guarujá.
No item 50 da denúncia, o MPF havia relatado que Pedro Corrêa e José Janene foram apresentar ao ex-Presidente reivindicações de novos cargos e valores que seriam usados em benefícios de campanhas políticas e que, na ocasião, Lula teria negado o pleito dizendo: “Vocês têm uma diretoria muito importante, estão muito bem atendidos financeiramente. Paulinho tem me dito”. Lula, segundo o MPF, teria dito ainda que “Paulinho tinha deixado o partido muito bem abastecido com dinheiro para fazer a eleição de todos os deputados”. No entanto, na audiência de hoje Paulo Roberto Costa afirmou peremptoriamente que jamais Lula o tratou por Paulinho, até porque seu relacionamento com o então presidente era institucional e nunca houve conversa sobre vantagem indevida.
No curso da audiência, além de não seguir o rito estabelecido na lei, como registrado pela defesa em petição, Moro ainda fez nova antecipação de juízo de valor – tentando transformar o exercício do direito de defesa em falta de argumentos -, o que motivou a reiteração da sua suspeição.
A audiência também foi marcada para ouvir Nestor Cerveró. Seu depoimento, no entanto, foi transferido para amanhã (11 horas) em decorrência de uma decisão do juiz, que alegou percalços criados pela defesa, quando a mídia já havia divulgado anteriormente a palestra do magistrado no Teatro Positivo, prevista para às 20 horas de hoje.
Assessoria de imprensa do Teixeira, Martins & Advogados
247 – Gestores dos restaurantes do Bom Prato, programa
estadual que oferece refeições a R$ 1, ameaçam encerrar as atividades em São
Paulo.
Em uma carta-manifesto com 20 assinaturas, eles afirmam que
estão à beira de um “colapso financeiro” e oferecem “alimentação de qualidade
inferior ao padrão”, por falta de recurso. Exigem aumento de subsídio do
governo Alckmin (PSDB).
O secretário estadual de Desenvolvimento Social, Floriano
Pesaro, por sua vez, sugere que as unidades troquem os itens mais caros do
cardápio. “Se o feijão mulatinho está caro, comprem feijão preto”, afirmou, em
entrevista ao “Estado de S. Paulo”.
De acordo com as entidades, a defasagem acumulada desde 2006
é de 34,15% no custo do almoço e de 17,99% no café da manhã.
Pesaro minimiza o problema e diz que não há risco de o
serviço ser interrompido. “Não há queda de qualidade, nem de caloria, nem
produto. O que pode haver é substituição. Frango no lugar da carne, por
exemplo” – leia aqui.
Segundo um dos maiores juristas do país, o PSDB conseguiu
aparelhar um sistema de controle sobre a Assembleia Legislativa, as Polícias, o
Judiciário e o MP
Garantindo que não desistirá de denunciar “a impostura
política que prevalece neste país sob a forma constitucional”, o jurista Fábio
Konder Comparato, uma das maiores autoridades do mundo Jurídico do país,
analisa a fragilidade da democracia brasileira, a corrupção endêmica no país e,
também, a sistemática blindagem dos escândalos que envolvem o tucanato em São
Paulo.
Em diálogo com a reportagem Operação Abafa: como os tucanosse mantêm no poder, o jurista avalia que o PSDB “conseguiu aparelhar um sistema
de controle, ou pelo menos de influência dominante, sobre a Assembleia
Legislativa, as Polícias e também, em grande parte, o Judiciário e o Ministério
Público”. Além de “montar igualmente um esquema de controle do eleitorado,
esquema esse, aliás, vinculado à corrupção”.
Konder Comparato também recupera as origens e as
características da corrupção brasileira, um “mal endêmico” desde os tempos
coloniais, denunciando “o costume da privatização do dinheiro público, usado
pelos oligarcas como uma espécie de patrimônio pessoal”. Vale destacar que,
atenta a esse “costume”, a Carta Maior vem recuperando uma série de escândalos
de corrupção que, na prática, não deram em nada. Leiam também: Tucano bom étucano soltoe A Sociologia da Honestidade de FHC.
Nesta entrevista, o professor Konder Comparato alerta sobre
a inexistência de uma verdadeira democracia em nosso país: “O povo jamais teve
qualquer espécie de poder político no Brasil”. Um exemplo? A própria
Constituição brasileira que determina ser da competência exclusiva do Congresso
Nacional autorizar referendo e convocar plebiscito. “Somente os mandatários do
povo tem poder para autorizar as manifestações de vontade deste!”, denuncia.
Confiram a entrevista:
A corrupção dos órgãos oficiais do Estado de São Paulo
Como é possível avançar no combate à corrupção, apesar do
bloqueio e das manobras sistemáticas que impedem, por exemplo, investigações e
CPIs no Estado de São Paulo?
Fábio Konder Comparato - O PSDB acha-se no governo do Estado
há mais de um quarto de século. Durante esse tempo, conseguiu aparelhar um
sistema de controle, ou pelo menos de influência dominante, sobre a Assembleia
Legislativa, as Polícias e também, em grande parte, o Judiciário e o Ministério
Público. O partido conseguiu, além disso, montar igualmente um esquema de
controle do eleitorado, esquema esse, aliás, vinculado à corrupção.
A eliminação dessa máquina de poder partidário somente
ocorrerá quando tivermos introduzido em nossa organização constitucional
algumas medidas, como a eleição do chefe do Ministério Público estadual pelos
seus pares, e a autonomia da Polícia Judiciária em relação à chefia do Poder
Executivo.
Enquanto tais medidas não existirem, é preciso usar dos
poucos recursos disponíveis pelos cidadãos, como a ação popular e outras ações
judiciais, bem como representações junto ao Ministério Público, ou até mesmo o
Conselho Nacional de Justiça ou o Conselho Nacional do Ministério Público, em
Brasília. Como se percebe, não é um jogo fácil.
A corrupção no Brasil, como um mal endêmico
O sr. vem alertando que a corrupção é um mal endêmico no
Brasil. Tivemos algum avanço?
Konder Comparato - Denomina-se endemia uma doença infecciosa
que ocorre habitualmente e com incidência significativa numa determinada
população. Pois bem, falando simbolicamente, a corrupção dos órgãos públicos no
Brasil é uma endemia cujas primeiras manifestações irromperam já no primeiro
século da colonização. Assinale-se que, quando em 1549 aqui chegou Tomé de
Souza, o primeiro Governador-Geral do Brasil, ele trazia consigo um
Ouvidor-Geral, ou seja, chefe dos serviços de Justiça e Polícia, e um
Provedor-Mor, ou seja, o encarregado de dirigir os assuntos econômicos da
colônia. Pois bem, ambos haviam sido acusados de desviar dinheiro do Tesouro
Régio, quando ainda estavam em Portugal. Ao aqui chegar, o Ouvidor-Geral enviou
um ofício enviado ao Rei de Portugal, para declarar que o quadro geral da
colônia configurava “uma pública ladroíce e grande malícia”.
Note-se que, à época, os administradores para cá enviados
pela metrópole haviam comprado seus cargos públicos, costume já consolidado em
Portugal. Aqui chegando, a fim de amortizar o valor da compra de seus cargos e
para compensar o sacrifício de viver nesta colônia atrasada e distante, tais
administradores procuravam de qualquer maneira ganhar dinheiro. Para tanto,
associavam-se aos senhores de engenho e grandes fazendeiros, participando de
seus negócios; quando não se tornavam, eles próprios, senhores de engenho ou
proprietários de fazendas.
A partir de então, institucionalizou-se a associação
permanente dos potentados econômicos privados com os grandes agentes estatais,
formando o grupo oligárquico que até hoje comanda este país. Estabeleceu-se
desde então o costume da privatização do dinheiro público, usado pelos
oligarcas como uma espécie de patrimônio pessoal. Ou seja, corruptos são apenas
os que se vendem por dois tostões de mel coado. É o tema do conto de Machado de
Assis, Suje-se gordo!
Sem dúvida, a operação Lava Jato parece ter sido o começo de
uma mudança nessa longa tradição. Mas é preciso dizer que tal operação tem sido
ostensivamente seletiva, pois deixa de lado todas as ladroíces cometidas nos
governos anteriores ao PT no poder, abusando do vício dos dois pesos e duas
medidas.
Democracia inexistente
Quais os entraves e caminhos que ainda precisamos percorrer
para que o poder, efetivamente, “emane do povo”?
Konder Comparato - Para resumir o assunto, o povo jamais
teve qualquer espécie de poder político no Brasil. Fala-se habitualmente em
reconquista da democracia com o término do regime de exceção
empresarial-militar instalado em 1964, e o restabelecimento das eleições. Mas
nestas, a vontade popular é sistematicamente falseada pela influência do poder
econômico dos oligarcas e as práticas ardilosas dos políticos profissionais.
Pior ainda: na nossa política, desde os tempos coloniais
temos tido uma tradição de dissimulação do poder oligárquico por meio de belas
instituições oficiais ocultando a realidade. Nossas Constituições, por exemplo,
desde a primeira de 1824, são peças puramente retóricas, incapazes de
enfraquecer e, menos ainda, de extinguir o regime oligárquico.
A atual “Constituição Cidadã”, por exemplo, declara em seu
art. 14 que a soberania popular é exercida, além do sufrágio eleitoral, pelo
plebiscito, o referendo e a iniciativa popular legislativa. Mais adiante,
porém, o art. 49, inciso XV vem precisar que “é da competência exclusiva do
Congresso Nacional autorizar referendo e convocar plebiscito”. Ou seja,
trocando em miúdos, somente os mandatários do povo tem poder para autorizar as
manifestações de vontade deste! É, literalmente, a submissão do mandante à
autoridade do mandatário.
E quanto à iniciativa popular, a direção da Câmara dos Deputados
já fixou, desde o início de vigência da Constituição, que os milhares de
assinaturas necessárias à apresentação de um projeto de lei de iniciativa
popular devem ser reconhecidas, uma a uma, pelos funcionários daquela Casa do
Congresso Nacional. É exatamente por isso que até hoje nenhum projeto dessa
natureza foi votado e aprovado pelo Congresso Nacional.
Revoltado contra esse embuste jurídico oficial, tentei
atuar. Em 2004, em nome do Conselho Federal da OAB, apresentei à Comissão de
Legislação Participativa da Câmara dos Deputados um projeto de lei de
regulamentação do art. 14 da Constituição, para eliminar a interpretação de que
o Congresso Nacional tem poderes acima do povo soberano, em matéria de
plebiscitos e referendos. O projeto ainda não foi votado em plenário na Câmara,
mas já um substitutivo apresentado na Comissão de Constituição, Justiça e
Cidadania por um deputado do PT veio reafirmar, com outras palavras, que
somente o Congresso Nacional tem o poder de autorizar o povo soberano a votar em
plebiscitos e referendos.
Em 2005, apresentei a dois Senadores um anteprojeto de
Proposta de Emenda Constitucional, introduzindo em nosso país o instituto de
recall; isto é, do referendo revocatório de mandatos políticos. O povo elege e
pode, portanto, destituir o representante eleito. Obviamente, após nove anos de
tramitação, a proposta foi desaprovada em plenário.
Mas saibam que não desistirei de denunciar a impostura
política que prevalece neste país sob a forma constitucional. Via: Carta Maior
Conheça a real “Felicidade” da Coca-Cola | Sequestros,
torturas e desvio de água (São Paulo)
“Obrigado por compartilhar a felicidade”, diz-se no último
anúncio da Coca-Cola (em espanhol), mas olhando de perto parece que a Coca-Cola
de felicidade compartilha bem pouco. Se pensam que não, perguntem aos
trabalhadores das fábricas que a multinacional pretende fechar agora no Estado
Espanhol ou aos sindicalistas perseguidos, e alguns, até sequestrados e
torturados na Colômbia, na Turquia, no Paquistão, na Rússia, na Nicarágua ou às
comunidades da Índia que ficaram sem água após a saída da companhia. Isso para
não falar da péssima qualidade dos seus ingredientes e do impacto na nossa
saúde.
Em cada segundo consomem-se 18,5 mil latas ou garrafas de
Coca-Cola em todo o mundo, segundo os dados da própria empresa. O império
Coca-Cola vende as suas 500 marcas em mais de 200 países. Quem garantiria isso
a John S. Pemberton, quando em 1886, elaborou tão exitosa poção numa pequena
farmácia de Atlanta. Hoje, pelo contrário, a multinacional já não vende apenas
uma só bebida mas muito mais. Através de campanhas multimilionárias de
marketing, a Coca-Cola vende-nos algo tão desejado como “a felicidade”, “a faísca
da vida” ou “um sorriso”. Todavia, nem o seu Instituto de la Felicidad [ou a
Fábrica da Felicidade, em português]é capaz de esconder toda a dor que a
empresa provoca. O seu currículo de abusos sociais e laborais corre, tal como
os seus refrigerantes, todo o planeta.
Agora, chegou a vez do Estado Espanhol. A Companhia acaba de
anunciar uma reorganização que implica o encerramento de quatro das suas onze
fábricas, o despedimento de 1.250 trabalhadores e a recolocação de outros 500.
Uma medida que, segundo a multinacional, é tomada “por causas organizativas e
produtivas”. Pelo contrário, um comunicado da central sindical CCOO desmente
esta informação e assinala que a empresa tem enormes lucros de cerca de 900
milhões de euros e um faturamento de mais de 3 bilhões de euros.
As más práticas da empresa são tão globais como a sua marca.
Na Colômbia, desde 1990, oito trabalhadores da Coca-Cola foram assassinados por
paramilitares e outros 65 receberam ameaças de morte, segundo “El informe
alternativo de Coca-Cola” da organização War on Want. O sindicato colombiano
Sinaltrainal denunciou a multinacional por detrás destas ações. Em 2001, o
Sinaltrainal, através da International Labor Rights Fund e da United Steel
Workers Union, conseguiu interpor nos Estados Unidos um processo contra a
empresa por estes casos. Em 2003, o tribunal indeferiu a petição alegando que
os assassinatos ocorreram fora dos Estados Unidos. A campanha do Sinaltrainal,
de qualquer maneira, tinha já conseguido numerosos apoios.
O rastro de abusos da Coca-Cola se encontra praticamente em
cada canto do planeta onde ela está presente
Encontramos o rastro de abusos da Coca-Cola praticamente em
cada canto do planeta onde ela está presente. No Paquistão, em 2001, vários
trabalhadores da fábrica do Punjab foram despedidos por protestar e as
tentativas de sindicalização dos seus trabalhadores em Lahore, Faisal e
Gujranwala se chocaram com a oposição da multinacional e da administração. Na
Turquia, os seus empregados, em 2005, denunciaram a Coca-Cola por intimidação e
torturas e por utilizar um setor especial da polícia para estes fins. Na
Nicarágua, no mesmo ano, o Sindicato Único de Trabalhadores (Sutec) acusou a
multinacional de não permitir a organização sindical e ameaçar com
despedimentos. E encontramos casos semelhantes em Guatemala, Rússia, Perú,
Chile, México, Brasil, Panamá. Uma das principais tentativas para coordenar uma
campanha de denúncia internacional contra a Coca-Cola foi em 2002 quando
sindicatos da Colômbia, da Venezuela, do Zimbábue e das Filipinas denunciaram
conjuntamente a repressão sofrida pelos seus sindicalistas na Coca-Cola e as
ameaças de sequestros e assassinatos que receberam.
Cabe destacar ainda que a companhia não é unicamente
conhecida pelos seus abusos laborais mas também pelo impacto social e ecológico
das suas práticas. Como a própria empresa reconhece: “A Coca-Cola é a empresa
da hidratação. Sem água, não há negócio”. E onde se instala, ela suga a água
até à última gota. De fato, para produzir um litro de Coca-Cola, são precisos
três litros de água. E não só para a bebida mas também para lavar garrafas,
máquinas… Água que a posteriori é descartada como água contaminada, com o
consequente prejuízo do meio ambiente. Para saciar a sua sede uma engarrafadora
da Coca-Cola pode chegar a consumir até um milhão de litros de água por dia, a
empresa toma unilateralmente o controle de aquíferos que abastecem as
comunidades locais deixando-as sem um bem essencial como a água.
Na Índia, vários Estados (Rajastán, Uttar Pradesh, Kerala,
Maharastra) encontram-se em pé de guerra contra a multinacional. Vários
documentos oficiais assinalam a diminuição drástica dos recursos hídricos onde
a empresa está instalada, acabando com a água para o consumo, a higiene pessoal
e a agricultura, sustento de muitas famílias. Em Kerala, em 2004, a fábrica de
Plachimada da Coca-Cola foi obrigada a fechar depois do município ter negado a
renovação da sua licença acusando a Companhia de esgotar e contaminar a sua
água. Meses antes, o Tribunal Supremo de Kerala sentenciou que a extração
massiva de água por parte da Coca-Cola era ilegal. O seu encerramento foi uma
grande vitória para a comunidade.
Casos similares aconteceram também em El Salvador e Chiapas,
entre outros. Em El Salvador, as fábricas de engarrafamento da Coca-Cola
esgotaram os recursos hídricos após décadas de extração e contaminaram
aquíferos ao desfazer-se da água não tratada procedente das fábricas da
empresa. A multinacional sempre se recusou a responsabilizar-se pelo impacto
das suas práticas. No México, a Companhia privatizou inúmeros aquíferos,
deixando as comunidades locais sem acesso aos mesmos, graças ao apoio
incondicional do Governo de Vicente Fox (2000-2006), antigo presidente da
Coca-Cola do México.
O impacto da sua fórmula secreta sobre a nossa saúde está
também extensamente documentado. As suas altas doses de açúcar não nos
beneficiam e convertem-nos em “viciados” da sua poção. E o uso do aspartame,
edulcorante não calórico substitutivo do açúcar, colocado na Coca-Cola Zero,
está demonstrado que consumido em altas doses pode ser cancerígeno, como
assinalou a jornalista Marie Monique Robin no seu documentário “O nosso veneno
cotidiano”. Em 2004, a Coca-Cola da Grã-Bretanha viu-se obrigada a retirar,
após o seu lançamento, a água engarrafada Desani, depois de se ter descoberto
no seu conteúdo níveis ilegais de brometo, substância que aumenta o risco de
cancro. A empresa teve que separar meio milhão de garrafas, do que havia
anunciado como “uma das águas mais puras do mercado”, apesar de um artigo na
revista The Grocer assinalar que a sua fonte era água tratada das torneiras de
Londres.
Os tentáculos da Coca-Cola, assim mesmo, são tão grandes
que, em 2012, uma das suas diretoras, Àngela López de Sá, chegou à direção da
Agência Espanhola de Segurança Alimentar. Que posição vai ter, por exemplo, a
Agência face ao uso do aspartame quando a empresa, que até poucos dias lhe
pagava o salário como sua atual diretora, o usa sistematicamente? Conflito de
interesses? Já o assinalamos antes com o caso de Vicente Fox.
A marca que nos diz vender felicidade, reparte antes
pesadelos. A Coca-Cola é assim diz o anúncio. Assim é e assim a descrevemos.”
Em Jundiaí – SP, está situada a MAIOR fábrica da Coca-Cola
do mundo
Foto: Alexandre Machado
A localização privilegiada e a boa infraestrutura de Jundiaí
foram determinantes para que o município paulista se tornasse a sede da maior
fábrica da Coca-Cola no mundo em volume de produção. A unidade tem quase 180
000 metros quadrados de área, emprega mais de 1.000 funcionários e produziu 1,7
bilhão de litros de bebidas em 2013. Os produtos que saem de lá abastecem a
maior parte do Estado de São Paulo, inclusive a capital, e parte de Minas
Gerais. Recentemente, a fábrica montou um gigantesco armazém vertical com 23
metros de altura, 100 de largura e 75 de profundidade. A estrutura é capaz de
armazenar a produção de quatro dias da fábrica, o que simplifica a logística e
encurta os prazos de distribuição. (Gabriel Castro, de Jundiaí)
Existe uma investigação da Promotoria de São Paulo que apura
o desvio de um rio para atender a fábrica. Isso mesmo, um rio. A capacidade
desse desvio é de 500 litros por segundo. Fazendo um cálculo rápido chega-se a
quantia de 30.000 litros por minuto, 1.800.000 por hora e 43.200.000 litros por
dia de água roubada.
O MP indica que, em caso de seca, esse volume de água
desviado causaria sério risco de escassez de água na região.
Ora, temos a maior fábrica da bebida mais vendida do mundo que
utiliza 3 litros de água para cada 1 litro do veneno preto. Acredito que essa
fonte de água da empresa está sobrecarregada e a seca está prejudicando as
reservas mais abaixo. Eu não sou geógrafo, mas racionando sobre o rumo das
águas que desembocam no mar, acredito que isso pode afetar o sistema da
cantareira.
Na própria apuração do MP, indica que “em tempo de estiagem
mais de 1 milhão de pessoas podem ficar sem abastecimento de água em Campinas”. ( Verdade Mundial )
O secretário de Redação da Folha, Vinicius Mota, publica hoje artigo – “Uma mãe para os ricos” –
com o qual se candidata a Premio Nobel de Economia, publicando coisas até agora desconhecidas, como o fato de que “o Tesouro Nacional está tomando dinheiro na praça com a promessa firme de pagar juros fabulosos, e por períodos longos, aos emprestadores”.
Uau! Vocês sabiam desta novidade? Não? Fiquem sabendo, porque o rapaz descobriu uma
mina de ouro:
“Que tal quase duas décadas com remuneração de 6% ao ano
acima da inflação, já abatidos impostos e taxas? O patrimônio real vai
triplicar. Quem emprestar R$ 1 milhão ao governo terá de volta, ao final do
período, seu dinheiro corrigido pelo IPCA e mais R$ 100 mil por ano, em média.”
“Bora” aí, gente. Sei que ninguém tem R$ 1 milhão guardado,
mas a gente pode fazer um “bolão”, quem sabe aí de vinte cotas de R$ 50 mil,
porque a gente vai receber, cada um, R$ 5 mil de renda, além da inflação.
As análises simplórias da economia só se explicam pelos
objetivos políticos que elas contém.
Com todo o respeito, não vejo razão para os argumentos de
Mota não serem reproduzidos num jornal do PSTU.
“O Tesouro de Mamãe Rousseff fecha esse negócio da China, ou
do Brasil, todos os dias. Não o faz por boniteza, mas por necessidade, derivada
da voraz expansão estatal nos últimos seis anos.
Mamãe, entretanto, é apenas intermediária passageira nessa
relação perpétua entre devedores e credores. Os empréstimos constituem
obrigações intertemporais do mais amplo conjunto da população, que paga os
impostos, com uma parcela menor e mais rica de poupadores.”
Não me recordo de que o rapaz tenha escrito “Papai FH”, ou
“Vovô Sarney”, ou “Tio Itamar” ou ainda o “Primo Collor” terem feito isto, em
escala muitíssimo maior.
Nem que o Brasil tivesse pago juros altos por uma “voraz
expansão estatal” quando o Estado brasileiro estava sendo desmantelado, com
privatizações a rodo, vendendo a Vale, as elétricas, a telefonia, os bancos
públicos e parte importante das ações da Petrobras?
Mas, engraçado, quando isso ocorreu, a dívida pública do
Brasil- aquela que Mota chama que “constituem obrigações intertemporais do mais
amplo conjunto da população, que paga os impostos, com uma parcela menor e mais
rica de poupadores”- cresceu de forma explosiva. Dobrou no período FHC, em
relação ao PIB.
Culpe-se Dilma por não ter rompido esta situação, em que o
capital exige do Estado que o remunere assim, à custa do povo, mas não porque
ela não tenha tentado e estejam aí boa
parte das raízes do “fracasso econômico” que se lhe atribui.
Pois basta que Mota consulte o site de empresa em que
trabalha, em 2012, e na qual dá seus
palpites econômicos:
Depois de ser, durante anos, o campeão dos juros reais entre
as principais economias do mundo, o Brasil caiu agora para a quinta posição
nesse ranking, com taxa de 1,8%. Os dados foram levantados pelo analista
econômico da Cruzeiro do Sul Corretora / Apregoa.com, Jason Vieira.
O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (29) que a Selic
(taxa báxica de juros nominais) foi reduzida 0,5 ponto percentual, de 8% para
7,5%. A diferença entre 7,5% e 1,8% ocorre porque os juros reais descontam a
inflação projetada para os próximos 12 meses.
O colunista da Folha, que sei ser atento leitor de Keynes,
deveria entender que é a política de crise,
na qual ele colabora na Folha, que dá amparo a esta chantagem do capital
sobre o Estado, que venceu a queda de braço ensaiada por Dilma em seu primeiro
mandato, forçando o rebaixamento dos juros.
Ele tem toda a razão em apontar que os juros são as tetas
por onde o capital suga, como um vampiro, as receitas públicas e, com isso,
torna ralo o sangue com que elas podem sustentar os serviços para a população e
os investimentos públicos necessários ao desenvolvimento.
Mas quando culpa as tetas e não os dentes pelo vampirismo,
perde toda a razão que pudesse ter e joga ao lado do rentismo, que não lhe
merece uma condenação.
Porque, assim, vai se reunir ao coro dos que acham que o
Estado gasta demais em subsídios aos pobres e à atividade econômica e
“esquece” das pressões que lhe fazem
pagar quase metade do Orçamento em juros.
Mais ou menos igual à nossa oposição, que sacode os patos da
Fiesp, mas que, no poder, tornou os juros um cisne resplandescente.
Ou será que o colunista acha que, caindo a “Mamãe Dilma”,
quem vai ao governo é o PSTU?