Irã abre novas possibilidades de negócio com o Brasil
A suspensão do embargo comercial imposto ao Irã pelos Estados Unidos e a União Europeia pode triplicar a balança comercial entre aquele país e o Brasil nos próximos três anos, segundo projeções divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.
No ano passado, o Brasil exportou US$ 1,67 bilhão para o Irã
e importou apenas US$ 3,3 milhões. Embora o Irã represente hoje apenas 0,8% do
total da corrente de comércio brasileira – atrás de vizinhos da região, como Arábia
Saudita (para onde foram exportados US$ 2,75 bilhões) e Emirados Árabes Unidos
(US$ 2,5 bilhões) –, o fim das sanções anima empresários e industriais de ambos
os países.
A presidente da Câmara de Comércio Brasil-Irã, na Associação
Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), Romana Dovganiuk, é uma das vozes otimistas
quanto ao incremento dessas relações:
“O Brasil é um grande exportador de grãos, e o Irã, um
grande importador. Só no ano passado empresas brasileiras exportaram para lá
4,2 milhões de toneladas de produtos como carne, farelo de soja e açúcar, entre
outros. Nossa expectativa é que, com o fim das sanções, as exportações possam
dobrar”.
Segundo a Sra. Dovganiuk, o incremento dos negócios não
passa apenas pelas commodities agropecuárias, mas envolve outros setores como
transferência de tecnologia, montadoras e indústrias em geral. Em novembro de
2015, foram criados diversos incentivos de atração de empresas brasileiras para
instalação nas Zonas Livres de Exportação no Irã. Entre esses incentivos,
destacam-se a isenção por 20 anos na cobrança de impostos e descontos
significativos nas tarifas de energia.
“Na área de petróleo, nos últimos anos, temos trabalhado com
a Petrobras em vários projetos relacionados à qualidade do óleo. O iraniano é
do tipo leve e condensado, bastante demandado no Brasil”, diz Romana Dovganiuk.
A presidente da Câmara de Comércio Brasil-Irã no Rio de
Janeiro lembra ainda que os dois países têm assinado recentemente uma série de
acordos de cooperação em diversas áreas, como o Esporte Sem Fronteiras, o Artes
Sem Fronteiras, e de transferência de tecnologia. A Câmara também está
organizando, para o final de fevereiro, uma missão de empresas brasileiras para
conhecer o Irã e as possibilidades de negócios para ambos os países.
Do lado das empresas brasileiras, a expectativa também é
positiva. O diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, aposta que, a partir de agora haverá uma
transformação expressiva nas relações com o Irã, país que já estava incluído
como parceiro estratégico no Plano Nacional de Exportação.
“O Irã teve uma relação comercial muito forte com o Brasil
anos atrás (em 2011, as exportações brasileiras para lá somaram US$ 2,37
bilhões), mas agora esse intercâmbio está sendo retomado, e num momento em que
o Brasil precisa aumentar suas exportações”, diz Abijaodi.
Em 2015, a balança comercial brasileira fechou com superávit
de US$ 19,68 bilhões, o melhor resultado desde 2011, revertendo o déficit de
US$ 4 bilhões registrado em 2014.
Para o diretor da CNI, alguns setores no Brasil serão mais
beneficiados por esse esperado aumento de comércio, como embarques de
commodities agrícolas, como carne, soja, açúcar, embora haja também boas
perspectivas para as parcerias. “Os empresários iranianos gostam muito desse
tipo de negócio”.
Quanto ao apoio ao crédito à exportação, Abijaoudi diz que o
mercado internacional ainda não está muito demandado, como parte da lenta
recuperação após a crise global de 2008. Ele prevê algumas dificuldades na
contratação de programas por parte dos interessados, embora o Brasil conte com
agentes de peso como o Programa de Financiamento às Exportações (Proex) e as
linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Via: ( Sputnik )
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