A lista de empresas convidadas para a licitação inclui
várias empresas envolvidas em escândalos de corrupção em seus países de origem
/ Divulgação
Para o diretor do Sindipetro-RJ, Emanuel Cancella, essa decisão faz parte do golpe de estado instaurado no país
A Petrobras já iniciou os trâmites para retomar as obras
para a Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) no Complexo Petroquímico
do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí. Na última semana, a estatal convidou
empresas para concorrerem à licitação de sua maior obra nos próximos anos. No
entanto, na lista das 30 empresas concorrentes constam apenas nomes
estrangeiros.
Para o diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de
Janeiro (Sindipetro-RJ), Emanuel Cancella, essa decisão faz parte do golpe de
estado instaurado no país, com o impeachment de Dilma Rousseff. “A gente
defende, desde o início da operação Lava Jato, que os diretores corruptos sejam
afastados para que a empresa continue funcionando normalmente, para que haja
emprego para os brasileiros e a economia continue funcionando. Mas é a
destruição da Petrobras que eles estão querendo e também o enfraquecimento das
empresas brasileiras”, argumenta.
Quando a lista das empresas foi divulgada, o presidente da
Petrobras, Pedro Parente, afirmou que a escolha pelas estrangeiras aconteceu
como desdobramento da operação Lava Jato, que impediu as construtoras
brasileiras de participar de concorrências da companhia. Desde dezembro de
2014, um bloqueio cautelar da Justiça Federal suspendeu negócios da petroleira
com 23 empresas citadas na investigação.
Porém, muitas delas já assinaram seus acordos de leniência,
inclusive a Odebrecht, que acertou uma das maiores multas do mundo, totalizando
R$ 6,7 bilhões, a ser paga em 20 anos. Com a leniência, espécie de delação
premiada de empresas, a companhia admite irregularidades em contratos com o
governo e, em troca, pode continuar sendo contratada pelo poder público, mas
ainda não pela Petrobras.
Para voltarem a participar de licitações da petroleira, as
empresas precisam seguir uma série de medidas, dentre as quais estabelecer
mecanismos internos de compliance, que significa firmar série de regulamentos
internos, e controle de processos.
“É uma incoerência total. Com as brasileiras ficam colocando
mil barreiras, enquanto as estrangeiras, que também estão sendo investigadas lá
fora por grandes esquemas de corrupção, estão autorizadas. Essa é a prova de
que um dos objetivos da operação Lava Jato é inviabilizar as construtoras
brasileiras”, acrescenta o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros
(FUP), José Maria Rangel.
Escândalos de corrupção
A lista de empresas convidadas para a licitação inclui a
espanhola Acciona, a inglesa Amec Foster Wheeler, a norte-americana Chicago
Bridge & Iron Company, entre outras, envolvidas em escândalos de corrupção
em seus países de origem. O prazo apertado foi a justificativa da Petrobras
pela preferência do mesmo modelo de contratação utilizado na licitação que
escolheu a Queiroz Galvão, empresa que era responsável pelas obras do Comperj
até ser afastada após as denúncias da Lava Jato. A licitação prevê que a
petroleira privilegie fornecedores de grande porte, com capacidade para
contratar todos os equipamentos e montá-los.
Esse modelo é criticado pela FUP e pelo Sindipetro-RJ. “A
Petrobras tinha um modelo em que cada empresa ganhava um pouquinho da obra e se
complementava. Depois abriram espaço para as grandes empresas que fazem tudo e
ganham a licitação pelo menor preço. Mas nem sempre o menor preço é o melhor.
Normalmente, a empresa não consegue terminar a obra e precisa fazer aditivos.
Isso tem que acabar”, explica Rangel.
A retomada das obras do Comperj devem gerar cerca de 23.300
empregos, considerando postos de trabalho diretos, indiretos e os impactos na
cadeia de serviços. “O Comperj é o braço petroquímico mais lucrativo da
Petrobras. Além dos empregos gerados pela obra, é onde se produz mais de 3 mil
variedades de produtos, entre celulares, tablets e tênis. É uma obra
importantíssima para o país que precisa ser tocada pela indústria nacional”,
conclui Cancella.
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