Por Bajonas Teixeira
Os líderes e os vice-líderes do governo Temer na Câmara,
assinaram um lindo documento que, sem dúvida nenhuma, será conhecido no futuro
como O Manifesto da Corrupção. A intenção do manifesto, mais que óbvia, é
produzir pressão sobre a decisão da Comissão de Ética Pública da Presidência da
República para que não decida pela saída do ministro Geddel Vieira. É uma
interferência externa, grave, sobre um órgão de controle e fiscalização que
acompanha a adequação entre a administração pública e os princípios da Constituição.
A Constituição brasileira determinou que a administração
pública seria regida pelos princípios de moralidade, legalidade, eficiência,
publicidade e impessoalidade. A Comissão de Ética Pública existe para aferir se
no nível do alto funcionalismo estes princípios estão sendo respeitados.
Portanto, trata-se de adequar o funcionamento do estado, no
seu ápice, onde as decisões mais importantes são tomadas, aos preceitos da
Constituição – lembremos, por exemplo, que Geddel é o responsável pelas negociações
para a aprovação da PEC 55, que deve transformar o Brasil num imenso lixão
humano e institucional.
Ao pressionar indiretamente, por meio de um manifesto de
apoio a Geddel, a Comissão de Ética Pública para que atue contra a ética e
perdoe o ministro, os líderes estão dando ao Brasil o mais importante exemplo
de como funciona a política de Temer e do PMDB. Tanto se trabalha para abater a
Constituição quando para desmoralizar um dos órgãos responsáveis por fiscalizar
a sua aplicação.
Na ansiedade de correr para ostentar o total apoio ao
ministro Geddel Vieira, e com isso, colher os louros do apoio irrestrito ao
governo Temer, os líderes assinaram esse documento até então inédito no Brasil.
Esse descarado documento de solidariedade, não é dirigido a dar suporte a
alguém vítima de calúnias ou perseguição, a quem sofre com a injustiça ou está
em situação de risco ameaçado por forças mais poderosas.
Nada disso. O abaixo-assinado foi planejado para dar guarita
a um acusado de corrupção. A dois acusados na verdade. Um, o ministro Geddel, o
dono do apartamento na Bahia e suspeito de tráfico de influência, e que
recentemente defendeu o Caixa 2 e disse que ninguém deveria ser punido por
isso. O outro, o próprio governo Temer, que começa a agonizar e vai entrar em
coma profunda se perder o quinto ministro por obra da corrupção. Desses, só um,
Marcelo Calero, terá caído por ter denunciado a corrupção. O resto, por estar
de braços dados com ela.
Os efeitos do Manifesto Pró-Corrupção já estão aparecendo naCâmara: A comissão de Fiscalização e Controle e a comissão de Cultura,
rejeitaram nesta quarta-feira (23) requerimentos que solicitavam a convocação
do ministro Geddel Vieira para se explicar. O objetivo de blindar a corrupção,
portanto, já teve efeito muito positivo na Câmara.
Este documento, o Manifesto da Corrupção, marcará o governo
Temer como sua certidão pública de óbito. Quem quiser ter em mãos uma obra de
arte autêntica do cinismo político brasileiro, é só mandar emoldurar e pendurar
na parede. Nenhum outro testemunho poderia ser tão eloquente sobre a natureza
do governo Temer e de seus apoiadores.
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