O Brasil ultrapassou a Venezuela em 2015 como principal
destino de financiamentos de bancos de fomento chineses à América Latina, como
os do Eximbank e do Banco de Desenvolvimento da China. No total, as operações
para o Brasil totalizaram US$ 10,7 bilhões, dos quais US$ 8,2 bilhões foram
concedidos à Petrobras.
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Apesar de a estatal responder pela maior parte dos
empréstimos, houve também operações para financiar a exportação de aviões da
Embraer, no valor de US$ 1,3 bilhão, e para a instalação de uma indústria de
processamento de soja e milho no Mato Grosso do Sul, no montante de US$ 1,2
bilhão.
Nos últimos anos, os empréstimos dos bancos de fomento da
China à América do Sul vêm crescendo, enquanto os de organismos multilaterais
de crédito, como Banco Mundial (Bird) e Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID) vêm diminuindo. Só no ano passado, por exemplo, as operações de
financiamento do Bird para países latino-americanos encolheram 5% para US$ 8
bilhões, enquanto as do BID recuaram ainda mais, 14% para US$ 11,5 bilhões.
Desde 2005, os financiamentos chineses à região somam US$ 125 bilhões, dos quais
US$ 65 bilhões foram concedidos à Venezuela.
O aumento de crédito de bancos de fomento chineses ao Brasil
não surpreende o secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China,
Roberto Fendt.
“O Brasil é parceiro preferencial da China. Pelo seu PIB, responde
praticamente pela metade do PIB da América Latina. É natural que o número de
projetos financiados aqui seja maior. Os financiamentos têm destinação muito
variada e decorrem das oportunidades que existem no Brasil e também pelo fato
da China estar buscando, progressivamente, concessão de financiamentos fora de
seu mercado. A China passa por uma fase de excesso de capacidade produtiva, e
tem buscado carrear recursos de sua enorme poupança para financiar outras
regiões.”
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Dilma Rousseff e o primeiro-ministro chinês , Li Keqiang,
durante assinatura de atos Brasil e China planejam fundo para investimento em
projetos de infraestrutura“Nós aqui costumamos dar um peso extraordinário a essas
instituições multilaterais (Bird e BID), particularmente dos Estados Unidos, e
nos esquecemos que o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social) tem mais recursos que o Banco Mundial. Da mesma forma, os bancos de
fomento chineses têm um volume de recursos muito grande.”
Segundo Fendt, os chineses têm uma estratégia muito
diferente da ocidental no que diz respeito à aplicação de recursos no exterior.
“No Ocidente, se dá uma importância muito grande aos
resultados do trimestre, já os chineses olham sempre o longo prazo. Isso também
explica o maior volume de investimentos no Brasil, que passa por uma fase ruim.
Mas o país já passou outras vezes por fases semelhantes e deu a volta por cima,
e eles estão apostando nessa volta.”
Via: Sputnik
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