Ele nomeia para o posto Israel Katz, que é do mesmo partido
de direita e já acumula o papel de ministro da Inteligência
JERUSALÉM - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin
Netanyahu, renunciou neste domingo, dia 17, ao cargo de ministro das Relações
Exteriores, papel que ele cumpria desde 2015. Para substituí-lo, ele indicou
Israel Katz, que já atua como ministro da Inteligência do país.
A decisão de Netanyahu de nomear Katz veio depois que um
grupo de ativistas, intitulado Movimento Por Um Governo de Qualidade, foi aos
tribunais para pressionar o premier a deixar de servir também como ministro das
Relações Exteriores.
Depois que uma menina palestina de 13 anos levou um tiro e
foi deixada morrer por supostamente portar uma faca - o que não se verificou -
a repressão do Estado de Israel derrubou a chute um homem numa cadeira de
rodas.
Katz é membro do partido de direita Likud, de Netanyahu.
Autoridades do governo disseram que Katz — que continuará como ministro da
Inteligência e também passará a servir como ministro dos Transportes —, será o
ocupante da pasta de assuntos estrangeiros quando se realizarem as próximas
eleições parlamentares, em 9 de abril.
Ao mesmo tempo premier, ministro da Defesa e da Saúde
Além de ser o primeiro-ministro do país, Netanyahu ainda
chefia o Ministério de Defesa. Ele assumiu a pasta depois que seu ex-parceiro
de extrema-direita Avigdor Lieberman deixou o cargo em novembro. Netanyahu
também é ministro da Saúde.
O grupo de ativistas que pressionou por um novo ministro das
Relações Exteriores argumentou que a carga de trabalho de Netanyahu era
insustentável e que isso teria prejudicado ainda mais um ministério que é
envolvido em disputas orçamentárias.
Os defensores de Netanyahu destacam, por sua vez, a relação
pessoal que ele tem com os líderes dos EUA e da Rússia e as visitas regulares
que ele faz ao exterior.
"Juntamente com o primeiro-ministro, continuaremos a
liderar a política externa do Estado de Israel para novas conquistas",
disse Katz, de 63 anos, no Twitter.
Filhos do presidente articulam deixar PSL e ingressar em
sigla em formação que pretende reeditar antiga União Democrática Nacional,
símbolo da centro-direita no País
Segundo três fontes ouvidas pela reportagem em caráter
reservado, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) se reuniu na semana
passada em Brasília com dirigentes da sigla para tratar do assunto. Ele tem
urgência em levar adiante o projeto. Eleito com 1,8 milhão de votos, Eduardo
teria o apoio de seu irmão, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ). Com esse
movimento, a família Bolsonaro buscaria preservar seu capital eleitoral diante
do desgaste do partido.
Enquanto ainda estava internado no hospital Albert Einstein,
em São Paulo, Jair Bolsonaro acionou o ministro da Justiça e Segurança Pública,
Sérgio Moro, para que determinasse investigações sobre o caso.
As suspeitas atingiram o presidente da legenda, deputado
federal Luciano Bivar (PSL-PE), e foram pano de fundo da crise envolvendo o
ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, GustavoBebianno, que foi chamado de mentiroso por Carlos Bolsonaro depois de afirmar
que tratara com o pai sobre o tema. Após cinco dias de crise, Bebianno deve serexonerado do cargo nesta segunda-feira, 18, por Bolsonaro.
Além de afastar a família dos problemas do PSL, a nova sigla
realizaria o projeto político de aglutinar lideranças da direita nacional
identificadas com o liberalismo econômico e com a pauta nacionalista e
conservadora, defendida pelo clã Bolsonaro.
O projeto do novo partido é tratado com discrição no entorno
do presidente. Em 2018, a UDN foi um dos partidos – embora ainda em formação e
sem registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – sondados por interlocutores
do presidente para que ele disputasse a eleição, mas a articulação não avançou.
Depois de anunciar a adesão ao Patriota, Jair Bolsonaro acabou escolhendo oPSL.
Assinaturas. A nova UDN é um dos 75 partidos em fase de
criação, conforme o TSE. Segundo seu dirigente, o capixaba Marcus Alves de
Souza, apoiadores já reuniram 380 mil assinaturas – são necessárias 497 mil
para a homologação da legenda. O partido já tem CNPJ e diretórios em nove
Estados, como exige a legislação eleitoral para a homologação. Ela tem em
Brasília um de seus principais articuladores, o advogado Marco Vicenzo, que
lidera o Movimento Direita Unida e coordena contatos com parlamentares
interessados em aderir ao novo partido. A articulação envolveria ainda o
senador Major Olímpio (PSL-SP), que nega.
Souza prefere não comentar as tratativas do partido que
estão em curso. Ele, porém, admitiu que a intenção é criar o maior partido de
direita do País. Como se trata de uma sigla nova, a legislação permite a
migração de políticos sem que eles corram o risco de perder seus mandatos. “O
único partido que tem o DNA da direita é a UDN. A gente não pode ter medo de
crescer, mas com responsabilidade”, afirmou.
Souza deixou o Espírito Santo, onde atuou na Secretaria da
Casa Civil do ex-governador Paulo Hartung, e mudou-se para São Paulo para
concluir a criação da nova UDN, que adotou o mesmo mote de sua versão antiga:
“O preço da liberdade é a eterna vigilância”. “Nosso sonho é que a UDN renasça
grande e se torne o maior partido do Congresso”, afirmou seu presidente. Ele
disse ainda que a legenda pretende apoiar o governo Bolsonaro e está aberta
“para receber pessoas sérias do PSL e de qualquer partido”.
Palácio. Procurada pelo Estado, a assessoria do Palácio do
Planalto informou que não ia se manifestar sobre o assunto. A reportagem
procurou ainda as assessorias do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), do deputado
Eduardo Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro, mas nenhuma delas se
manifestou.
Bivar, presidente da legenda, também foi procurado, mas não
respondeu ao Estado.
‘Sigla tem forte apelo popular’, diz historiador
Em processo de homologação no Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), a UDN, sigla que pode abrigar o clã Bolsonaro, foi inspirada no partido
que nasceu em 1945 para aglutinar as forças que se opunham à ditadura de
Getúlio Vargas.
Com o discurso de moralização da política e contra
corrupção, a frente unia originalmente desde a Esquerda Democrática – que
romperia um ano depois com a sigla e fundaria o Partido Socialista Brasileiro –
a antigos aliados de Vargas, como o general Juarez Távora e o ex-governador
gaúcho Flores da Cunha, rompidos com o ditador.
Em 1960, o partido apoiou a eleição de Jânio Quadros, eleito
presidente, e, em 1964 , a deposição do governo de João Goulart. “O PSL é um
partido de aluguel, já a UDN tem um apelo histórico e popular. Os Bolsonaros
podem usar isso”, disse o historiado Daniel Aarão Reis, professor da Universidade
Federal Fluminense (UFF).
Líderes. Ele lembra que a antiga UDN, embora “muito
ideologizada”, tinha um perfil heterogêneo. O mesmo pode acontecer com a nova
versão do partido. Enquanto a versão original da UDN tinha líderes como o
brigadeiro Eduardo Gomes, o jurista Afonso Arinos e os ex-governadores Carlos
Lacerda (Guanabara), Juracy Magalhães (Bahia) e Magalhães Pinto (Minas), a nova
legenda tem potencial para atrair lideranças do DEM ao PSDB, passando pelo MBL.
Entre os políticos que são vistos como “sonho de consumo” da
UDN em 2019 está o governador de São Paulo, João Doria, que descarta a ideia de
deixar o PSDB.
Queiroz: Em virtude da descoberta do laranjal do PSL, clã Bolsonaro negocia abandonar partido e migrar para nova UDN. Tudo leva a crer que a família, em seguida, abandonará o próprio sobrenome e adotará outro, ainda desconhecido. Queiroz? https://t.co/rCChXGlop1
Gritos de “Lula Livre”, “Ele, Não” e “Marielle Presente”
ecoaram durante a sessão oficial do filme “Marighella” no Festival de Berlim.
Foi na quinta, dia 14. O diretor, Wagner Moura, segurou uma
placa com o nome de Marielle Franco e foi ovacionado.
"Nosso filme é maior que Bolsonaro", diz Wagner Moura. Na estreia de "Marighella" em Berlim, diretor fala sobre a atual situação política do país, passando por temas como racismo, violência policial, censura na educação e o assassinato de Marielle Franco. #Berlinale2019pic.twitter.com/2QUZP27CnS
MARIELLE PRESENTE! Wagner Moura leva placa com o nome de Marielle Franco no Festival de Cinema de Berlim, durante lançamento do seu primeiro filme como diretor, “Marighella”. Junto com ele, artistas, cineastas e ativistas. Foto: Andreas Rentz / Getty Images pic.twitter.com/qi5OSvrus8
Um rapaz de 19 anos de idade morreu após levar um
‘mata-leão’ de um segurança de um hipermercado no bairro da Barra da Tijuca,
zona oeste do Rio de Janeiro (RJ), na última quinta-feira, 14.
Nas imagens que circulam nas redes sociais, o vigilante está
em cima do jovem aplicando o golpe, mesmo depois de o homem estar aparentemente
desacordado. É possível ouvir pessoas no entorno tentando convencer o segurança
a liberá-lo, mas ele não atende aos pedidos e continua sufocando o rapaz.
“Está sufocando”, gritou uma mulher. Outro cliente disse que
o suspeito estava roxo. O segurança, por sua vez, mandou: “Cala a boca”. O
rapaz morreu no Hospital Lourenço Jorge, na Barra, instantes depois.
De acordo com o “G1”, representantes do mercado afirmaram
que a vítima foi imobilizada após tentar tomar a arma de um segurança.
Jovem de 19 anos morreu após ser imobilizado em um "mata-leão" por um segurança do hipermercado Extra, na Barra da Tijuca pic.twitter.com/gGBK7Ge7iR
Em nota, a Secretaria da Polícia Militar confirmou a
agressão e divulgou nota:
“A Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que equipes
do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) foram acionadas para uma ocorrência onde
um homem e seguranças de um supermercado, situado na Av. das Américas, entraram
em luta corporal durante a tarde desta quinta-feira (14/2). Chegando ao local,
o envolvido já havia sido socorrido pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital
Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. As partes ainda presentes foram
conduzidas à 16ª DP (Barra da Tijuca) para apreciação dos fatos”.
Já o Extra Supermercado, franquia onde aconteceu o crime,
informou que os seguranças envolvidos no caso foram afastados.
“A rede esclarece que repudia veemente qualquer ato de
violência em suas lojas. Sobre o fato em questão, a empresa já abriu uma
investigação interna e constatou de forma inicial que se tratou de uma reação a
tentativa de furto a arma de um dos seguranças da unidade da Barra da Tijuca.
Após o indivíduo ser contido pelos seguranças, a loja acionou a polícia e o
socorro imediatamente. A empresa já abriu um boletim de ocorrência e está contribuindo
com as autoridades para o aprofundamento das investigações”, anunciou.
A PM matou os suspeitos qdo já estavam rendidos. Depois de atirar, policiais ainda esfaquearam as pessoas. Corpos foram mutilados. Há sinais de traumatismo craniano e espancamento. A selvageria da polícia, no relato dos moradores à Defensoria e à imprensa.https://t.co/etjnVNriD6
En brasil la policía asesina a jóvenes delincuentes violando sus derechos humanos delante de una multitud que celebra gritando ¡Viva Bolsonaro! pic.twitter.com/DWQz7JRtms
Ministro se recusa a dizer se teve ou não reunião com
representantes da Taurus
Moro se recusou a responder se teve encontro com a Taurus, fabricante de armas, em prédio público, em horário de trabalho, pois acredita que isso fere a sua privacidade. Já a Casa Civil de Onyx Lorenzoni não escondeu: o representante da empresa esteve lá.https://t.co/G9S0YtIbJm
247 Apesar dos dados do TSE apontarem que a maior parte dos
recursos da campanha do candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) vem
de uma vaquinha virtual, que arrecadou R$ 904.558,00, valor quase três vezes
maior que os R$ 334.750,24 repassado pelo seu partido, o professor e filósofo Paulo Ghiraldelli, diz
que os verdadeiros financiadores são "o minério, a indústria da bala e os
parlamentares que os representam, associados aos ruralistas, mais a indústria
da fé"; "Nunca forças tao retrógradas conseguiram fazer um
candidato", ressalta
Rede Brasil Atual Mineradoras, agronegócio, armas e 'indústria da fé' bancam
Bolsonaro
Para o filósofo Paulo Ghiraldelli, se o candidato for eleito
terá apoio do Congresso dominado por esses setores. Haverá aumento da violência
no campo e a deterioração ambiental, possivelmente irreversível
No The Intercept Brasil As empresas e processos que o
coordenador da campanha de Bolsonaro esconde
Quem se beneficia com plano de instalar fábrica de armas dos
EUA no país?
Quem se beneficia com plano de instalar fábrica de armas dos
EUA no país?
Representantes da fornecedora de armas dos EUA, Sig Sauer,
se reuniram com a Secretária Nacional de Segurança Pública para tratar da
abertura de uma fábrica no Brasil até 2020. A Sputnik Brasil conversou com o
ex-chefe da PMERJ, Robson Rodrigues, sobre os impactos dessa proposta para a
segurança pública.
Licença para matar e MST fora da lei: Bolsonaro e Moro podem
entrar em rota de colisão?
Já conhecido pela Operação Lava Jato, o agora futuro
ministro Sergio Moro terá que se entender com o presidente eleito Jair
Bolsonaro (PSL). A Sputnik Brasil conversou com um sociólogo e um cientista
político para analisar como serão os próximos dias de Moro em Brasília e como
funcionará sua proposta de segurança pública.
Com 62.517 homicídios em 2016, o Brasil registra taxas de
violência consideradas epidêmicas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). E
Bolsonaro foi identificado pela população como o presidenciável que saberá
resolver esse quebra cabeça. Segundo pesquisa Datafolha publicada em 19 de
outubro, 17% dos eleitores do ex-capitão do Exército o escolheram por conta de
suas propostas para a segurança.
Uma reportagem veiculada no programa "DomingoEspetacular" da TV Record, emissora de propriedade do bispo Edir Macedo,
da Igreja Universal do Reino de Deus, no último domingo (10), mostrou um
alinhamento com o novo governo de Jair Bolsonaro (PSL) em sua batalha
ideológica contra os movimentos populares, especialmente o Movimento dosTrabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Ignorando critérios éticos fundamentais para o exercício do
jornalismo — como escutar o outro lado, a reportagem intitulada “A Polêmica dos
Sem Terrinha” arremete contra as crianças do MST, filhos e filhas detrabalhadores rurais sem-terra. A matéria apresenta “especialistas” em direitos
da criança, mas não entrevista qualquer representante de entidades oficiais de
defesa da infância e juventude, menos ainda de integrantes do MST, como destaca
Erivan Hilário, membro do setor de educação do movimento.
“O Brasil é referência de entidades promotoras e de defesa
dos direitos das crianças e adolescentes, no entanto, nenhuma dessas entidades
com reconhecimento internacional foi ouvida”.
Nesta segunda-feira (11), o MST divulgou nota na qual
repudia o que chama de “ataque” da TV Record às crianças do sem-terrinha. No
texto, o movimento afirma que “a Rede Record, ao disseminar mentiras, não leva
em consideração critérios mínimos de apuração e imparcialidade, faltando, entre
outras questões, com a ética jornalística”.
“Na nossa concepção, a reportagem se insere em um contexto
maior, que é de criminalização do MST, sobretudo nesse momento em que vemos o
avanço cada vez maior de práticas de exceção no nosso país e percebemos o
alinhamento político-ideológico da emissora com o governo eleito. Trata-se, na
verdade, de mais um capítulo no processo de criminalização dos movimentos
sociais”, denuncia Hilário.
A reportagem especial, com quase 20 minutos de duração,
utiliza imagens públicas do MST, e de veículos de informação que deram ampla
cobertura ao 1º Encontro Nacional das Crianças Sem Terrinha, ocorrido entre os
dias 23 e 26 de julho, em Brasília. Na narrativa montada pelo jornal, os
“especialistas” questionam o suposto descumprimento do Estatuto da Criança e doAdolescente (ECA). Uma leitura que, segundo Hilário, é superficial e
tendenciosa, tendo em visto que o MST é um dos principais garantidores do ECA
nos territórios de reforma agrária, muitas vezes negligenciados pelo Estado.
“O ECA é de responsabilidade do conjunto da sociedade: do
Estado, da família, dos movimentos sociais, ou seja, a reportagem pegou um
aspecto da legislação e mesmo assim não aprofundou. Por exemplo, no ECA, diz
que as crianças têm direito a políticas públicas sociais. No entanto, o que a
gente vê em curso no país é exatamente o contrário. É a negação do direito das
crianças à educação. Exemplo disso é fechamento de mais de 27 mil escolas no
último período. Outro exemplo é que negam o artigo 53 do próprio ECA que trata
do direito à educação, e que diz que o acesso à escola pública deve ser próximo
à residência. No entanto, o que acontece é exatamente o contrário, é o
fechamento de escolas no campo, em uma sistemática de negar o direito das
crianças à educação”.
Segundo Hilário, não fosse a capacidade de organização das
famílias camponesas, o que inclui as próprias crianças, muitas delas viveriam à
margem de direitos, “sob o silêncio sepulcral” da mídia tradicional brasileira.
“O que nós fazemos é exatamente assegurar o direito das
crianças o direito à terra, o direito à escola. Se existem hoje escolas
públicas, gratuitas, municipais e estaduais, em territórios rurais, em
assentamentos, se deve graças à organização dos trabalhadores e das próprias
crianças, porque o protagonismo infantil é um dos direitos que está assegurado
pelo ECA. Então, se não fossem as próprias crianças e suas famílias colocando a
educação como direito, elas jamais teriam acesso à escola. E volto a afirmar,
as escolas que estão em assentamentos são escolas públicas, gratuitas, sob responsabilidade
dos estados ou municípios, com reconhecimento do MEC”.
Fonte ouvida pela matéria da TV Record acusa o MST de
“estimular a violência” das crianças e praticar “lavagem cerebral”. “As
crianças brasileiras estão submetidas sim à violência. À violência praticada
por essa sociedade que lhes nega o direito à educação. À violência por essa
sociedade que lhes nega a proteção. A gente entende que a criança é de
responsabilidade da família e da coletividade, do assentamento e do
acampamento. Violência é a fome que muitas crianças desse país estão
submetidas. Essa é a principal violência. As crianças dos nossos assentamentos
e acampamentos frequentam escola, tem seus espaços de lazer”, explica Hilário.
Erro de apuração
A reportagem questiona ainda a observação de critérios
fundamentais para a realização do Encontro Nacional das Crianças Sem Terrinhano ano passado, o que, segundo Hilário, foi mais um erro grave de apuração do
telejornal.
“Todo o encontro esteve baseado nas leis que regem a
organização de encontros dessa natureza com crianças. Foi observada desde a
autorização dos pais com reconhecimento em cartório, as crianças foram levadas
na companhia de educadores, o encontro foi realizado com 1200 crianças e mais
de 400 adultos com a tarefa de cuidá-las. Tínhamos UTI, posto médico no local,
ou seja, nada do que fizemos foi contra a legislação em vigor, ao contrário,
não fizemos isso somente para responder a uma questão legal, mas porque nós
acreditamos que as crianças precisam ter seus direitos preservados, entre eles,
a questão da proteção em sua integralidade. Tudo foi feito como manda a lei.”
O MST é um movimento social fundado na década de 1980, por
trabalhadores rurais despossuídos de terra para o trabalho agrícola, e como uma
forma de reivindicar do Estado a realização da reforma agrária. Muitas daquelas
crianças sem-terrinha que passaram pelos espaços infantis do movimento, hoje
são profissionais que contribuem no desenvolvimento dos territórios, lembra
Hilário.
“Eu gostaria que eles pudessem falar com os advogados do MST
que foram sem-terrinha, com os médicos que foram sem-terrinha. Que falassem com
pessoas que hoje, formadas em universidades públicas, que eram sem-terrinha, e
que hoje contribuem para o processo de desenvolvimento do assentamento”.
Reincidente
Não é a primeira vez que, por razões meramente ideológicas,
a TV Record abre mão de critérios éticos fundamentais ao exercício do
jornalismo para atacar o diferente. Em janeiro deste ano, a emissora foi
condenada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), por realizar
ataques a religiões de matriz africana em sua programação. O Ministério Público
Federal demonstrou no processo que o conteúdo veiculado pela empresa se tratava
de “intolerância religiosa em pleno espaço público televisivo contra as
religiões afro-brasileiras”.
Uma das fontes consultadas pela reportagem é o promotor
Munir Cury, do Ministério Público de São Paulo, que, supostamente, teria
ajudado a construir o Estatuto da Criança e do Adolescente. Em sua rede social,
Cury fez chamados a manifestações pelo impeachment da ex-presidenta Dilma
Rousseff. Também em sua rede social, a chefe de reportagem que assina a matéria
contra as crianças sem-terrinha, Renata Garofano, aparece fazendo campanha
eleitoral para Jair Bolsonaro.
A TV portuguesa divulgou uma série de reportagens nas quais
acusava o líder da igreja e dono da TV Record, Edir Macedo, de tráfico
internacional de crianças. A defesa de Macedo negou as acusações e classificou
o conteúdo jornalístico de “campanha difamatória, mentirosa”.
A reportagem do Brasil de Fato entrou em contato a Rede
Record para comentar a divulgação da reportagem, mas até o fechamento desta
matéria não obteve resposta.
Desde que Jair Messias Bolsonaro tornou-se o 38º Presidente
da República, vencendo com 55,13% dos votos o petista Fernando Haddad no 2º
turno das eleições, parte do eleitorado bolsonarista mudou a tônica do “apoio
incondicional” ao presidente e passou a criticá-lo abertamente em suas redes
sociais.
No Brasil, o fenômeno não é inédito: figurou em parcela de
partidários do PT que, decepcionados pelo escândalo do Mensalão e discordantes
do rumo do Partido dos Trabalhadores à época, aderiram ao então recém-fundado
Psol em 2005 e fortaleceram uma crítica interna na esquerda que, para todos os
efeitos, atingiu o 2º mandato do presidente Lula e os 2 de Dilma Rousseff.
Catorze anos depois, munidos de novas ferramentas –como o
Facebook, o Twitter e diversos aplicativos de mensagens instantâneas–, a
política entrou de vez na boca do povo –e, mais precisamente, em seus dedos.
Dessa forma, com a emergência de acusações apontando para o
círculo próximo do filho mais velho do presidente, o senador eleito Flávio
Bolsonaro (PSL-RJ), os primeiros sinais de 1 “racha” no sentimento eleitoral
bolsonarista apareceram peles redes.
Decisões controversas relacionadas a Bolsonaro –como a
promessa de levar a embaixada brasileira em Israel para a cidade de Jerusalém
ou o cancelamento de uma declaração conjunta com os ministros de governo
durante o Fórum Econômico Mundial– não foram perdoadas por simpatizantes do
presidente.
Questionamentos, cobranças e até manifestações de
arrependimento foram publicadas nos perfis do círculo próximo de Bolsonaro e
mesmo nas contas oficiais do presidente.
O Poder360 vasculhou algumas páginas do Facebook e perfis do
Twitter em busca de comentários (ou tweets) do eleitorado bolsonarista com
críticas relacionadas ao recém-empossado governo.
A principal delas, chamada “Bolsominions Arrependidos” –1
apelido pejorativo referente aos “seguidores” do presidente–, compilou
comentários de bolsonaristas decepcionados com medidas tomadas pelo novo
governo.
De teor assumidamente oposicionista ao governo de Bolsonaro,
o perfil está presente tanto no Twitter quanto no Facebook. Contatada pelo
Poder360, a administração da página não respondeu.
Abin e comandos militares relataram articulação de cardeais
para o Sínodo sobre Amazônia, reunião no Vaticano que governo trata como parte
da ‘agenda da esquerda’
BRASÍLIA - O Palácio do Planalto quer conter o que considera
um avanço da Igreja Católica na liderança da oposição ao governo JairBolsonaro, no vácuo da derrota e perda de protagonismo dos partidos de
esquerda. Na avaliação da equipe do presidente, a Igreja é uma tradicional
aliada do PT e está se articulando para influenciar debates antes
protagonizados pelo partido no interior do País e nas periferias.
Durante 23 dias, o Vaticano vai discutir a situação da
Amazônia e tratar de temas considerados pelo governo brasileiro como uma
“agenda da esquerda”.
O debate irá abordar a situação de povos indígenas, mudanças
climáticas provocadas por desmatamento e quilombolas. “Estamos preocupados e
queremos neutralizar isso aí”, disse o ministro chefe do Gabinete de Segurança
Institucional (GSI), Augusto Heleno, que comanda a contraofensiva.
Se a informação for comprovada, a espionagem na CNBB é gravíssima! Põe o Governo do lado daqueles que menosprezam o direito à liberdade, privacidade e de organização. Não podemos ignorar essa ação. Queremos respostas!https://t.co/RNogDn5Uy2
Com base em documentos que circularam no Planalto, militares
do GSI avaliaram que os setores da Igreja aliados a movimentos sociais e
partidos de esquerda, integrantes do chamado “clero progressista”, pretenderiam
aproveitar o Sínodo para criticar o governo Bolsonaro e obter impacto
internacional. “Achamos que isso é interferência em assunto interno do Brasil”,
disse Heleno.
Escritórios da Abin em Manaus, Belém, Marabá, no sudoeste
paraense (epicentro de conflitos agrários), e Boa Vista (que monitoram a
presença de estrangeiros nas terras indígenas ianomâmi e Raposa Serra do Sol)
estão sendo mobilizados para acompanhar reuniões preparatórias para o Sínodo em
paróquias e dioceses.
O GSI também obteve informações do Comando Militar da
Amazônia, com sede em Manaus, e do Comando Militar do Norte, em Belém. Com base
nos relatórios de inteligência, o governo federal vai procurar governadores,
prefeitos e até autoridades eclesiásticas que mantêm boas relações com os
quartéis, especialmente nas regiões de fronteira, para reforçar sua tentativa
de neutralizar o Sínodo.
O Estado apurou que o GSI planeja envolver ainda o
Itamaraty, para monitorar discussões no exterior, e o Ministério do MeioAmbiente, para detectar a eventual participação de ONGs e ambientalistas. Com
pedido de reserva, outro militar da equipe de Bolsonaro afirmou que o Sínodo é
contra “toda” a política do governo para a Amazônia – que prega a defesa da
“soberania” da região. “O encontro vai servir para recrudescer o discurso
ideológico da esquerda”, avaliou ele.
Conexão. Assim que os primeiros comunicados da Abin chegaram
ao Planalto, os generais logo fizeram uma conexão com as críticas da
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a Bolsonaro durante a campanha
eleitoral. Órgãos ligados à CNBB, como o Conselho Indigenista Missionário
(CIMI) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT), não economizaram ataques, que
continuaram após a eleição e a posse de Bolsonaro na Presidência. Todos eles
são aliados históricos do PT. A Pastoral Carcerária, por exemplo, distribuiu
nota na semana passada em que critica o pacote anticrime do ministro da
Justiça, Sérgio Moro, que, como juiz, condenou o ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva na Lava Jato.
Na campanha, a Pastoral da Terra divulgou relato do bispo
André de Witte, da Bahia, que apontou Bolsonaro como um “perigo real”. As redes
de apoio a Bolsonaro contra-atacaram espalhando na internet que o papa
Francisco era “comunista”. Como resultado, Bolsonaro desistiu de vez da CNBB e
investiu incessantemente no apoio dos evangélicos. A princípio, ele queria que
o ex-senador e cantor gospel Magno Malta (PR-ES) fosse seu candidato a vice.
Eleito, nomeou a pastora Damares Alves, assessora de Malta, para o Ministério
da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.
Histórico. A relação tensa entre militares e Igreja Católica
começou ainda em 1964 e se manteve mesmo nos governos de “distensão” dos
generais Ernesto Geisel e João Figueiredo, último presidente do ciclo da
ditadura. A CNBB manteve relações amistosas com governos democráticos, mas foi
classificada pela gestão Fernando Henrique Cardoso como um braço do PT. A
entidade criticou a política agrária do governo FHC e a decisão dos tucanos de
acabar com o ensino religioso nas escolas públicas.
O governo do ex-presidente Lula, que era próximo de d.
Cláudio Hummes, ex-cardeal de São Paulo, foi surpreendido, em 2005, pela greve
de fome do bispo de Barra (BA), dom Luiz Cappio. O religioso se opôs à
transposição do Rio São Francisco.
Com a chegada de Dilma Rousseff, a relação entre a CNBB e o
PT sofreu abalos. A entidade fez uma série de eventos para criticar a
presidente, especialmente por questões como aborto e reforma agrária. A CNBB,
porém, se opôs ao processo de impeachment, alegando que “enfraqueceria” as
instituições.
'Vamos entrar a fundo nisso', afirma Heleno
O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI),
Augusto Heleno Ribeiro, afirmou que há uma “preocupação” do Planalto com as
reuniões e os encontros preparatórios do Sínodo sobre a Amazônia, que ocorrem
nos Estados. “Há muito tempo existe influência da Igreja e ONGs na floresta”,
disse.
Mais próximo conselheiro do presidente Jair Bolsonaro,
Heleno criticou a atuação da Igreja, mas relativizou sua capacidade de causar
problemas para o governo. “Não vai trazer problema. O trabalho do governo de
neutralizar impactos do encontro vai apenas fortalecer a soberania brasileira e
impedir que interesses estranhos acabem prevalecendo na Amazônia”, afirmou. “A
questão vai ser objeto de estudo cuidadoso pelo GSI. Vamos entrar a fundo
nisso.”
Tanto o ministro Augusto Heleno quanto o ex-comandante do
Exército Eduardo Villas Bôas, hoje na assessoria do GSI e no comando do
monitoramento do Sínodo, foram comandantes militares em Manaus. O
vice-presidente Hamilton Mourão também atuou na região, à frente da 2.ª Brigada
de Infantaria de Selva, em São Gabriel da Cachoeira.
SÍNODO
O que é?
É o encontro global de bispos no Vaticano para discutir a
realidade de índios, ribeirinhos e demais povos da Amazônia, políticas de
desenvolvimento dos governos da região, mudanças climáticas e conflitos de
terra.
Participantes
Participam 250 bispos.
Cronograma do Sínodo
19 de janeiro de 2019: início simbólico com a visita do papa
Francisco a Puerto Maldonado, na selva peruana;
7 a 9 de março: seminário preparatório na Arquidiocese de
Manaus;
6 a 29 de outubro: fase final no Vaticano, com missas na
Basílica de São Pedro celebradas por Francisco.
Tema do encontro
Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia
integral.
As três diretrizes do evento
“Ver” o clamor dos povos amazônicos;
“Discernir” o Evangelho na floresta. O grito dos índios é
semelhante ao grito do povo de Deus no Egito;
“Agir” para a defesa de uma Igreja com “rosto amazônico”
Espionar cardeais e bispos para saber o que eles e o Papa conversaram, eleger a Igreja Católica como o maior adversário do governo do capitão e dos seus generais, isso tudo cheira a um Estado policial, repressor. É um filme que já vimos e que fez muito mal ao país. pic.twitter.com/Kk62KT2R9s